Velozes e furiosos

A busca pela consagração do jato civil mais rápido do mundo

Robert Zwerdling em 3 de Outubro de 2012 às 12:47

Bell X-1 G650 Citation Ten Endeavour

O bombardeiro B-29 Superfortress desacopla a aeronave pilotada pelo capitão Charles Elwood “Chuck” Yeager de seu compartimento de bombas e a lança no céu da Califórnia. É o voo de número 50 do avião experimental construído pela Bell Aircraft Corporation para a Força Aérea dos Estados Unidos. A data, 14 de outubro de 1947. Após a separação em voo, o piloto aciona os foguetes XLR-11 do Bell X-1, como ficou conhecido o endiabrado monoposto, e acelera até atingir a velocidade de Mach 1.06, o equivalente a praticamente 1.300 km/h. Sim, trata-se do primeiro voo supersônico da história.

A quebra da barreira do som, ocorrida há exatos 65 anos, é um dos capítulos cruciais da corrida pela construção da aeronave mais rápida do mundo. O feito abriu caminho para a chegada do homem à Lua – talvez até Marte, em breve – e a construção de máquinas como o Concorde. Mas, ainda hoje, os melhores físicos e matemáticos continuam quebrando a cabeça para desenvolver foguetes mais rápidos e econômicos e menos estrepitosos. Não por acaso os voos supersônicos continuam proibidos sobre áreas habitadas e os ônibus espaciais saem de cena, como acontece com o Endeavour, que está a caminho de um museu, acoplado a um Boeing 747 modificado.

A fórmula para realizar voos supersônicos sem gastar muito combustível continua secreta. O Boeing 747 ainda é o mais rápido na aviação regular, com um regime de Mach 0.85, só que ainda longe de quebrar a barreira do som, como acontecia com o Concorde, que seria hoje uma máquina inviável para qualquer companhia aérea. E é justamente esse arcabouço econômico que torna ainda mais excitante a briga pela supremacia no quesito velocidade entre dois gigantes da aviação executiva, ambos norte-americanos, a Cessna e a Gulfstream.

Os jatinhos privados, que têm a vantagem de serem leves e contar com potência de sobra, estão muito próximos da barreira do som. Dois projetos disputam o posto de mais rápido do mundo entre as aeronaves civis. De um lado o Cessana Citation Ten e, do outro, o Gulfstream G650. Aviões que nascem com a proposta de oferecer voos econômicos com velocidade superior à Mach 0.90. O G650 atingiu Mach 0.995 nos voos de teste, mas, atendendo às recomendações de segurança para turbulência e recuperação de atitudes anormais, estabelecidas pela FAA (Federal Aviation Administration), sai homologado com velocidade de cruzeiro de Mach 0.945. O Citation Ten não fica atrás e obteve homologação para voar com Mach 0.935, podendo chegar a Mach 0.95. Um grande feito para esses pequenos notáveis. Talvez uma homenagem ao ás Chuck Yeager, que alcançou o que só seria possível no sonho dos mais audazes aviadores na primeira metade do século 20.


Crônica

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