Um Black Hawk que nunca existiu


Na manhã de 3 de maio de 2011, enquanto o mundo ainda assistia a trechos do discurso do presidente norte-americano Barack Obama comemorando a morte do terrorista Osama bin Laden, surgiam as primeiras imagens do complexo de Abbottabad, no Paquistão. Um dos vídeos mostrava o que parecia ser o rotor de cauda de um helicóptero stealth, algo que oficialmente não existia, ao menos operacionalmente. O último helicóptero com tecnologia stealth fora o RAH-66 Comanche, que jamais saíra da fase de protótipo. Nos dias seguintes, a imprensa internacional passou a especular sobre a origem dos destroços. As autoridades norte-americanas apenas falavam sobre a queda de um UH-60 Black Hawk na chamada Operation Neptune Spear. Tida como uma das mais sigilosas de todos os tempos, a operação conduziu um grupo especial, o SEAL (sea, air and land), para a cidade de Abbottabad para capturar o terrorista mais procurado do mundo. Visando evitar uma possível colaboração das autoridades paquistanesas com a rede terrorista Al Qaeda, os militares dos EUA e a CIA (Central Intelligence Agency) optaram por manter uma operação clandestina. Para isso, havia a necessidade de evitar a todo custo que as aeronaves envolvidas na missão fossem detectadas pelas forças armadas do Paquistão, o que era considerado crítico, já que havia uma base militar a poucos minutos da residência de bin Laden.

A solução foi buscar no arsenal os protótipos stealth do Black Hawk, que não estariam em condições de realizar operações reais. Na verdade, nem sequer existiam oficialmente, já que o programa estava suspenso. O sigilo do projeto era tão grande que os próprios militares do 160th Special Operations Aviation Regiment, que participariam da missão, não tinham visto o helicóptero até serem confirmados como membros da operação. Ironicamente, o Pentágono havia cogitado destruir os dois protótipos, pois até aquele momento não havia a necessidade de um helicóptero stealth e os constantes cortes no orçamento pediam uma redução drástica nos custos, incluindo os de pesquisa.

Durante os preparativos para a missão, os helicópteros realizaram uma série de surtidas simuladas na base de Fort Campbell, Kentucky, obtendo total êxito em todas as fases. Porém, durante a missão, a aeronave estava com peso superior e as condições climáticas no Paquistão eram bem diferentes daquelas encontradas no Kentucky. Durante o voo pairado, a aeronave perdeu sustentação e colidiu com um muro do complexo que refugiava Osama bin Laden. Mesmo não registrando nenhum ferido na queda, a aeronave ficou avariada e sem condições de voo. Os militares optaram por explodir o Black Hawk, evitando, assim, que a aeronave fosse descoberta. Todavia, a cauda, que estava apoiada sobre o muro, após a explosão, fez com que o rotor fosse protegido e caísse do lado de fora da propriedade. Comenta-se que, após obter o rotor de cauda, os paquistaneses ofereceram os destroços aos chineses, que teriam interesse em pesquisas sobre a tinta antirradar. Ambos os países negam a informação.

Teorias da conspiração dizem que os norte-americanos propositalmente destruíram a aeronave para a CIA poder rastrear as intenções paquistanesas, utilizando a aeronave como cavalo de Tróia. Outros dizem que o helicóptero foi derrubado. Há aqueles, ainda, que duvidam de toda a história.

Por Edmundo Ubiratan

Publicado em 16 de Maio de 2015 às 00:00


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Artigo publicado nesta revista