Nova etapa

Mitsubishi deverá desenvolver capacidades de suporte e manutenção

Estratégia é aproveitar as capacidades adquiridas com o programa antes de retomar o projeto do SpaceJet


Mitsubishi deverá desenvolver capacidades de manutenção antes de retomar programa de desenvolvimento do SpaceJet

Após suspender o desenvolvimento do SpaceJet, a Mitsubishi Heavy Industries (MHI) planeja focar seus esforços na ampliação de sua capacidade de suporte e manutenção (MRO) na aviação comercial.

O primeiro passo deverá ser a adequação de sua rede de MRO destinada a família de jatos regional CRJ, recém-adquirida da Bombardier. O negócio formalizado em junho incluiu, além do programa completo de produção e desenvolvimento, as atividades de venda, suporte, manutenção, reparo, atualizações e marketing.

A entrada da MHI no mercado de aviação comercial tem como um de seus principais desafios o estabelecimento de uma rede global de suporte ao produto. Ainda que o fabricante japonês detenha amplo conhecimento em produção e suporte de aeronaves militares, sua atuação é restrita as forças armadas japonesas, sem abrangência mundial.

Com a paralisação no desenvolvimento do programa Spacejet, a MHI deverá trabalhar para ampliar sua capacidade de prestação e serviços de MRO. Uma eventual retomada do projeto do primeiro avião comercial japonês poderá se beneficiar caso a MHI estabeleça as diretrizes para uma certificação rápida de oficinas ao redor do mundo.

O programa CRJ tem poucas chances de viabilizar novas vendas, visto a idade do projeto e o relativo maior consumo das aeronaves hoje oferecidas ao mercado. Analistas acreditam que a sobrevida da família CRJ se dará em atualizações de modelos em serviço, o que poderá ser viável nos próximos anos com a drástica redução na demanda global, mantendo os aviões regionais em serviço em rotas estratégicas.

A retomada do programa Spacejet é incerta e dependede uma melhora das condições do mercado de aviação regional, somado a capacidade da MHI em certificar o modelo. Antes da pandemia o fabricante já havia anunciado a suspensão do projeto do M100, a versão de menor capacidade do Spacejet, focando seus esforços no modelo maior, designado de M90.

Um eventual cancelamento do M90 deixará um vácuo no mercado, visto que apenas o Embraer 175-E2 compete praticamente pela mesma faixa de mercado. A capacidade máxima projetada para o M90 é de 96 assentos, com alcance de 2.040 nm (3.778 km), ante o E175-E2 que oferece um máximo de 90 lugares e alcance de 2.017 nm (3,735 km).

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Por Edmundo Ubiratan

Publicado em 5 de Novembro de 2020 às 09:30


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