A difícil rota da Bombardier


“A Bombardier nunca pode ser acusada de ser uma empresa chata de acompanhar”. É dessa forma que o analista-chefe da corretora americana William Blair, Nicholas Heymann, resume suas impressões sobre a companhia canadense. De fato, muita coisa mudou na Bombardier, especialmente desde o início de 2008. A começar pela chegada do herdeiro Pierre Beaudoin, neto do fundador, ao cargo de diretor-presidente até a aposta, que ainda não se mostrou acertada, no mercado de aviões com capacidade acima de 150 passageiros. Os projetos do CSeries estão atrasados e bem acima do orçamento inicial. Para completar, a desaceleração da economia de países como China, Rússia e Brasil resultou em demissões de 1,7 mil funcionários no último mês de maio, além da suspensão do programa Learjet 85. Visando estancar as perdas, a companhia deve fazer uma abertura de capital de sua divisão ferroviária visando equilibrar as finanças. O futuro, no entanto, nem os analistas conseguem prever. “Continuamos em dúvidas com todo o dinamismo visto dentro da companhia”, diz Heymann, da William Blair. “Mas dificilmente o céu ficará mais negro para a companhia do que já está”. Ou seja, com um portfólio que inclui produtos de referências em suas categorias, como a família Global e o próprio CSeries, talvez seja o momento de uma retomada. É o desafio do novo CEO Alain Bellemere, que precisará de uma boa estratégia para reverter a queda de 45% das ações da companhia em 2014, e 66% desde 2011.  

Por André Jankavski

Publicado em 11 de Junho de 2015 às 00:00


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Artigo publicado nesta revista