Céus menos fechados para a Gol


Paulo Kakinoff

Paulo Kakinoff, CEO da Gol

O acordo de céus abertos assinado pelos governos brasileiro e americano, em 2011, finalmente entra no último estágio. A partir deste ano, a expectativa é que o tráfego de passageiros cresça a uma taxa média de 6,5%. E a companhia aérea brasileira Gol se agarra nesses números para recuperar suas finanças. No dia 10 de julho, o mercado foi informado que a empresa receberá até US$ 146 milhões de seu controlador, o fundo FIP Volluto, e da parceira americana Delta Air Lines. Para completar, a empresa dos Estados Unidos assumiu um compromisso de ser a garantidora de empréstimos de até 300 milhões de dólares da Gol com terceiros. “Isso traz uma segurança ao mercado, mesmo a Gol não sendo uma empresa descapitalizada”, afirma Leila Almeida, analista da corretora Lopes Filho & Associados. A companhia aérea brasileira, no entanto, foi uma das que mais sofreram com a desvalorização do real e as perdas com posições de hedge de petróleo. Nos primeiros três meses de 2015, a Gol reportou prejuízo de R$ 673 milhões, após já ter divulgado perdas de R$ 1,1 bilhão no ano passado. Já TAM anunciou a redução de até 10% de suas operações dentro do mercado brasileiro. O principal motivo dado pela companhia controlada pela Latam é o cenário desafiador da economia brasileira, como a inflação alta e queda no valor do real. Na outra ponta dessa disputa está a Azul, com aquisição da portuguesa TAP e a venda de 5% da empresa para a americana United Airlines por 100 milhões de dólares. “Num momento complicado para o setor, a companhia fará o transporte interno de passageiros de duas gigantes internacionais”, afirma Leila, da Lopes Filho. “É um grande ganho competitivo no atual cenário”.

Por André Jankavski

Publicado em 1 de Agosto de 2015 às 00:00


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Artigo publicado nesta revista