Concessionárias de Cumbica, Viracopos e Brasília terão de investir quase R$ 20 bilhões na ampliação e na modernização dos aeroportos; Campinas terá até quatro pistas
Termina mais um capítulo da novela. A privatização dos aeroportos de Guarulhos e Campinas, em São Paulo, e de Brasília, no Distrito Federal, agora tem data para acontecer. Os leilões dos três mais problemáticos terminais brasileiros acontecerão simultaneamente no dia 22 de dezembro - se não houver atraso na publicação do edital de concessão. Segundo a Secretaria de Aviação Civil (SAC), a escolha desse formato de leilão teve como objetivo aumentar a competição entre as empresas interessadas. "Leilões em datas diferentes tendem a reduzir o número de competidores", justifica o órgão.
No modelo de concessão proposto pelo governo federal não haverá vendas de bens e transferência definitiva da atividade econômica. As concessões à iniciativa privada serão reguladas por contratos, e a Infraero, empresa que administra aeroportos brasileiros, terá 49% do capital. Além de Cumbica, Viracopos e Brasília, o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal, ainda não construído, também será administrado por empresas privadas.
A expectativa do governo, já de olho na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016, é a de que os aeroportos, uma vez ampliados, ofereçam mais conforto e eficiência a operadores e passageiros e melhor qualidade de serviços. Atualmente, a saída encontrada pela Infraero para aumentar a capacidade dos terminais foi a construção dos Módulos Operacionais Provisórios (MOP), os famigerados "puxadinhos", nos aeroportos de Guarulhos (SP), Campinas (SP), Florianópolis (SC) e Brasília (DF). Porto Alegre (RS) e Cuiabá (MT) também receberão o MOP e Brasília, um segundo módulo.
Ainda de acordo com a SAC, empresas nacionais e estrangeiras demonstraram interesse em participar dos leilões. O lance inicial para Guarulhos será R$ 2,2 bilhões, com investimento de R$ 5,2 bilhões em 20 anos; R$ 521 milhões para Campinas, com investimento de R$ 9,9 bilhões em 30 anos; e R$ 75 milhões para Brasília, com investimento de R$ 2,7 bilhões em 25 anos. Campinas receberá mais recursos porque o governo federal pretende transformá-lo no maior aeroporto da América Latina, com a construção de até quatro pistas.
As concessões seguirão o modelo de Sociedade de Propósito Específico (SPE) para permitir maior competição entre as empresas. Dentro das sociedades, serão adotadas regras que incentivem a competição, a produtividade e a qualidade dos serviços. Já os recursos gerados pelas concessionárias serão destinados ao Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e administrado pela SAC. Esses recursos serão aplicados na expansão, no aperfeiçoamento e no desenvolvimento do sistema de aviação regional. Ainda não há confirmação, mas a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já adiantou que as empresas vencedoras devem assumir a administração dos aeroportos até maio de 2012.
#Q#Protesto contra a privatização
Em outubro último, os funcionários dos três aeroportos que serão leiloados de cidiram cruzar os braços por 48 horas em protesto contra as concessões. A greve, no entanto, foi encerrada após o governo apresentar nova proposta ao Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina). De acordo com Marcelo Tavares, diretor do sindicato, foram garantidas algumas reivindicações que vinham sendo negociadas, como a estabilidade aos trabalhadores da Infraero, data-base e equivalência salarial.
Para o professor de Transporte Aéreo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Respício do Espírito Santo, é difícil prever se as concessões funcionarão ou não. "É um modelo muito conservador. Incluir a Infraero na concessão tira a plenitude da concorrência dos aeroportos". Segundo o professor, o que mais preocupa é a pressa com que o assunto está sendo tratado. "Precisaria de um edital mais detalhado, discutido entre todos os que estão envolvidos, para que o setor possa se preparar mais". Respício acredita que a Copa do Mundo de 2014 seja apenas um gatilho frente ao desafio que é melhorar a infraestrutura aeroportuária do país. "O volume de tráfego aéreo e de passageiros vai continuar a aumentar, mesmo depois das grandes competições. Não dá pra pensar numa solução em curto prazo. Aliás, essa reforma na aviação brasileira já deveria ter começado há muito tempo".
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Perspectiva artística de como deverão ficar os terminais depois dos investimentos privados |
Rodrigo Cozato
Publicado em 07/11/2011, às 14h15 - Atualizado em 27/07/2013, às 18h45
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