Nos Estados Unidos

Companhia aérea alega que avião da Embraer é inseguro

Air Astana processou o fabricante brasileiro e exige indenização de quase US$ 12 milhões


Processo contra a Embraer é o único do tipo em todo o mundo

A Air Astana, com sede no Cazaquistão, entrou com um processo contra a Embraer alegando que o E-Jet E2 apresenta falhas graves de segurança. A ação judicial, movida na Suprema Côrte de Nova York, nos Estados Unidos, a empresa pede quase US$ 12 milhões (R$ 60,7 milhões), acusando o fabricante de produzir aviões inseguros.

Nos autos consta que os cinco E190-E2 da Air Astana teriam tido vários problemas de segurança, como a falha do sistema anti-gelo (de-icing) da asa, que resultou em um pouso de emergência, também teria sido reportado uma falha em cascata nos sistemas hidráulicos durante a aproximação para pouso, mudanças não comandadas na atitude de voo, assim como diversas falhas mecânicas.

A Embraer afirma que realmente um dos aviões da empresa sofreu um problema em novembro de 2020, mas nega que tenha existido qualquer risco a segurança de voo. "Embora questões como esta ocorram ocasionalmente, em nenhum momento isso constituiu um risco imediato à segurança e a aeronave pousou de forma segura", desclarou a Embraer em nota.

O problema técnico reportado no E2 levou alguns órgãos reguladores a determinar tempos de revisão e substituição do componente em intervalos mais curtos, ao menos até a solução definitiva do problema.

Na ocasião a Embraer informou ao fornecedor do sistema e às autoridades, por meio de um Boletim de Informação, que definiu um tempo de substituição reduzido para o componente, que foi retransmitido a todos os operadores. Esta solução foi adotada pela Anac, autoridade reguladora brasileira, que emitiu uma Diretiva de Aeronavegabilidade (AD) para a frota global do E2.

Ainda que a própria Embraer admita existir uma falha no avião, nenhuma recomendação global foi emitida para suspender qualquer voo com a família E-Jet E2. A Air Astana foi a única empresa do mundo a interromper unitalteralmente com as operações das suas aeronaves do modelo. Ainda assim, a paralisação foi temporária , tendo recentemente retomado todas as operações.

Demais empresas aéreas que operam com a família E-Jet E2 não reportaram nenhum tipo de incidente grave, que pudesse comprometer a segurança de voo.

A íntegra do comunicado da Embraer:

A companhia aérea Air Astana, baseada no Cazaquistão, entrou com uma ação legal contra a Embraer no Estado de Nova York com base em reivindicações de contrato e garantia. A Embraer nega ter violado quaisquer obrigações para com a Air Astana e se defenderá vigorosamente de todas as reivindicações feitas.

Em novembro de 2020, um Air Astana E190-E2 passou por um problema técnico com um componente. Embora questões como esta ocorram ocasionalmente, em nenhum momento isso constituiu um risco imediato à segurança e a aeronave pousou de forma segura. 

Seguindo os procedimentos padrão da indústria, a Embraer informou ao fornecedor de componentes e às autoridades de aeronavegabilidade. A questão foi tratada por meio de um Boletim de Informação que definiu um tempo de substituição reduzido para o componente, que foi retransmitido a todos os operadores. Esta solução foi adotada pela ANAC, autoridade reguladora brasileira, que emitiu uma Diretiva de Aeronavegabilidade para a frota global do E2.

A Air Astana está reivindicando uma compensação por sua decisão unilateral de suspender as operações das aeronaves. A Air Astana foi a única companhia aérea que suspendeu o uso das aeronaves E2 e o fez apenas temporariamente, tendo desde então retomado todas as operações.

A segurança é a prioridade número um para a Embraer. A Embraer reconhece que este é um momento extremamente desafiador para nossa indústria e tem ajudado e continuará a ajudar todos os operadores nestes tempos difíceis. A Embraer tem a reputação de “ir além" no atendimento a seus clientes e a empresa já dedicou muitos recursos para auxiliar a Air Astana. Contudo, a Embraer aguarda a apresentação de seu caso em juízo.

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Marcel Cardoso

Publicado em 5 de Julho de 2021 às 09:25


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