Quase lá

737 MAX ainda tem muito o que melhorar, diz piloto que pousou no rio Hudson

O comandante ‘Sully’ Sullenberger afirma que mudanças adicionais devem ser adicionadas no projeto


Expectativa é que o 737 MAX retorne as operações regulares em meados de novembro de 2020

As mudanças no projeto do 73 7MAX promovidas pela Boeing ao longo de 18 meses devem ser suficientes para liberar o modelo para voar comercialmente em meados de novembro. Porém, segundo o famoso comandante Chesley ‘Sully’ Sullenberger, reconhecido por ter pousado um Airbus A320 no rio Hudson, as mudanças ainda não foram ideais.

Reconhecido como herói norte-americano, o comandante Sullenberger afirmou em entrevista ao Seattle Times que embora as correções no sistema MCAS permitam o retorno seguro do 737 MAX, ainda existe muito o que fazer.

“Eu não vou dizer, 'Terminamos, foi bom o suficiente. Siga em frente'”, disse Sullenberger. O veterano piloto acredita que algumas modificações adicionais são necessárias para melhorar o sistema de alerta da tripulação e adicionar uma terceira via de dados do ângulo de ataque do jato.

A declaração ocorreu após a FAA, a autoridade de aviação civil dos Estados Unidos, anunciar em meados de agosto que as alterações de design propostas pela Boeing para o 737 MAX deveriam permitir o retorno do avião ao serviço de transporte comercial. Ainda assim, a agência manteve uma consulta pública, onde recebeu análises adicionais de diversos especialistas solicitando atualizações adicionais.

O comandante Sullenberger se tornou um dos mais ativos pilotos dos Estados Unidos após seu pouso nas gélidas águas do rio Hudson, em janeiro de 2009. O piloto participou de um Comitê de Transporte, que averiguava as falhas do 737 MAX em junho de 2019, criticou severamente as falhas de projeto da Boeing e a supervisão da FAA durante a certificação do modelo.

O porta-voz do Allied Pilots Association (APA), o sindicato que representa os pilotos da American Airlines, Dennis Tajer, afirmou que concorda com a análise de Sullenberger. Ainda que o sistema MCAS, responsável pelos dois acidentes com o 737 MAX, tenha sido efetivamente corrigido, algumas questões permanecem em aberto. Os pilotos alertam para a necessidade de uma maior consciência situacional e um treinamento aprimorado para lidar com uma eventual falha do sistema.

“[As atualizações] expuseram outras áreas em que podemos melhorar naquele avião [737 MAX", destacou Tajer, que ainda acredita que as correções também devem ser aplicadas a frota de 737 NG.

Um dos entraves para a adição imediata de correções adicionais, incluindo do treinamento, é o longo período que o 737 MAX está sem voar. Centenas de aviões produzidos estão estocados sem poder ser entregues aos clientes, enquanto outras centenas que estavam em serviço aguardam a liberação dos voos. Os custos para retomada das operações se tornam cada dia maiores, que somado as limitações financeiras atuais da divisão comercial da Boeing, podem ser um impedimento para a aplicação de melhorias adicionais no curto prazo.

“Não acho que isso seja defensável. Em domínios de segurança crítica, apenas bom não é suficiente”, declarou Sullenberger.

Saiba mais...

O comandante Chesley Sullenberger iniciou a carreira na aviação aos 16 anos, quando começou suas primeiras aulas de pilotagem, ingressando na sequencia na força aérea dos Estados Unidos. Como militar pilotou os caças F-4 Phanton II, foi piloto de testes e participou de comissões de investigação de acidentes aéreos. Na aviação civil foi piloto da família McDonnell Douglas MD-80 e posteriormente dos Airbus A320.

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Por Edmundo Ubiratan

Publicado em 13 de Outubro de 2020 às 09:00


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