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Voo supersônico acima de 3.500 km/h se torna plano de empresa espacial

Grupo Virgin e Rolls-Royce assinam memorando para desenvolvimento de tecnologias para voos de alta velocidade


Futuro avião deverá voar acima de 3.700 km/h e ter capacidade de aeronave VIP

O retorno dos voos comerciais supersônicos pode estar mais próximo, mas agora apostando em velocidades ainda maiores e com taxas de emissão de poluentes e ruído bastante inferiores ao existente no passado.

Ao menos é o que espera o conglomerado Virgin Galactic, que assinou um memorando de intenção com a Rolls-Royce para desenvolver os propulsores do futuro jato, que deverá voar acima de 3.000 km/h, aproximadamente 50% mais rápido que o Concorde.

O programa deverá ser desenvolvido pela The Spaceship Company, o fabricante de veículos aéreo espaciais do grupo Virgin, que trabalha em projeto para uma nave espacial de órbita baixa voltado para o turismo espacial. O acordo, não vinculativo, busca criar novas tecnologias que viabilizem a operação comercial de aeronaves supersônicas, de forma a reduzir as emissões de poluentes e ruído. O memorando segue a linha de desenvolvimento do bem-sucedido do programa Mission Concept Review (MCR), desenvolvido em parceria com a Nasa.

O MCR adotou uma série de novas soluções aerodinâmicas e de desenvolvimento que podem atender aos requisitos atuais de tecnologias de alta velocidade, que inclui uma operação ambientalmente aceitável, com custos operacionais ligeiramente superiores dos aviões subsônicos. Um dos problemas dos voos supersônicos civis sempre esteve relacionado ao grande impacto ambiental, somado aos custos operacionais proibitivos.

Além de concluir os parâmetros do MCR, o a Virgin Galactic obteve a autorização do Centro de Conceitos Emergentes e Inovação da FAA, a agência de aviação civil dos Estados Unidos, para delinear uma estrutura de certificação para novas aeronaves de alta velocidade. O processo envolverá uma abrangente parceria com líderes da indústria. Governos e agências regulatórias e ambientais.

"Estamos entusiasmados em fazer parceria com a Virgin Galactic e a The Spaceship Company para explorar o futuro dos voos sustentáveis ​​de alta velocidade", disse Tom Bell, presidente e CEO da Rolls-Royce North America. "A Rolls-Royce traz uma história única em propulsão de alta velocidade, com o Concorde, e oferece recursos técnicos de classe mundial para desenvolver e colocar em campo os sistemas avançados de propulsão necessários para impulsionar os voos comerciais supersônicos".

O parâmetro básico do projeto inicial prevê uma aeronave com asa em delta, similar ao adotado pelo Concorde, certificada para voar a Mach 3 (aproximadamente 3.700 km/h), com capacidade entre 9 a 19 passageiros, voando em uma altitude superior aos 60.000 pés. Ainda que com capacidade bastante reduzida, similar de jatos de negócios, a intenção é permitir alguns layouts de cabine personalizados para atender às necessidades dos clientes, incluindo configuração VIP ou de primeira classe.

O design da aeronave também poderá abrir o caminho para o uso de combustível de aviação sustentável de ponta, catalisando tecnologias e técnicas sustentáveis ​​no projeto de aeronaves supersônicas que poderão contribuir com outros setores da indústria aeronáutica.

A expectativa é que inicialmente os voos supersônicos continuem focados em passageiros de primeira classe, visto seu elevado custo por assento. Com o desenvolvimento da tecnologia poderá ser possível reduzir gradualmente os custos, podendo um dia massificar o transporte aéreo acima da velocidade do som, como ocorreu a popularização da própria aviação regular ao longo de várias décadas.

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Por Edmundo Ubiratan
Publicado em 03/08/2020, às 15h00 - Atualizado às 17h30


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