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Próxima parada, o front

Um ônibus voador com capacidade para 44 soldados

A história do CH-47 Chinook, o imponente helicóptero de rotor duplo que foi criado para o front

Por André Vargas | Fotos: Divulgação em 18 de Maio de 2019 às 17:00

O exército dos Estados Unidos empregaram massissamente os Boeing CH-47 durante as guerras do Iraque e Afeganistão

Criado pela Vertol, a partir de um requerimento do exército norte-americano de 1956 para um helicóptero de transporte médio, o CH-47 Chinook nasceu maior e com alcance e capacidade de carga superiores aos do Vertol série H-46 Sea Knight, modelo derivado do mesmo pedido que seria empregado pela Marinha e pelo Corpo de Fuzileiros Navais. A Vertol era também fabricante do antecessor de ambos, o desajeitado H-21 Workhorse/Shawnee.

Baseada nas experiências americana e francesa nos conflitos da Coreia e da Argélia, respectivamente, esta aeronave formaria o núcleo do aerotransporte de tropas ocidentais em campos de batalha - junto com o Bell Iroquois e o Aérospatiale/Westland Puma. Um conceito militar que segue válido mais de meio século depois e que tem nas gerações modernizadas do Chinook um de seus pilares. Testado em combate desde o Vietnã até a intervenção no Afeganistão, este birrotor biturbina segue em ação sem data definitiva para saída de serviço.

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Em 1960, a Boeing adquiriu a Vertol, assumindo o controle do projeto, colocando em produção o Chinook e seu irmão menor, o Sea Knight. O modelo de pré-produção decolou pela primeira vez em 21 de setembro de 1961, sob a designação do exército de YHC-1B. Em agosto de 1962 o modelo se transforma no CH-47A de série, o helicóptero médio padrão do exército americano às vésperas da ampliação da presença militar no Vietnã. Como é tradição nos helicópteros dos EUA, o CH-47 foi batizado com o nome de uma tribo indígena, Chinook, a exemplo dos Bell Kiowa, Iroquois e Sioux, Hughes Cayuse e Apache e o cancelado Boeing-Sikorsky Comanche.

A exemplo do Workhorse/ Shawnee e do Sea Knight, o Chinook ganhou rotores duplos instalados em "torres" ao longo da fuselagem girando em sentidos opostos para anular o torque. As "torres" foram "interligadas" por uma ampla cabine desobstruída de 9,2 metros de comprimento, 1,98 metro de altura e 2,29 metros de largura média. Na prática, um grande ônibus voador capaz de levar 44 soldados que podem desembarcar ou saltar de paraquedas em segundos através de uma porta-rampa na traseira. Acessível por uma porta lateral à direita, a cabine ganhou controles duplos e um terceiro assento extra. A tripulação usual é de três ocupantes (piloto, copiloto e operador de carga), mas as novas versões podem contar quatro ou até cinco integrantes. O piso estanque foi construído para suportar eventuais pousos na água, o que se mostrou útil em um momento crucial.

Os 44 soldados transportados a bordo podem desembarcar ou saltar de paraquedas em segundos através da rampa na traseira

De início, o empuxo vinha de dois motores Avco-Lycoming T55-L-5 com 2.200 shp cada. Na versão mais recente, agora designada H-47F, os motores são os Honeywell 55-GA-714A, com 4.733 shp cada. Um sistema de engrenagens permite que só um motor cuide do acionamento sincronizado de ambos os rotores. Para manter a compartimento de carga desimpedido, o combustível foi colocado em tanques nas laterais externas da fuselagem. O Chinook recebeu um gancho para cargas externas capaz de içar até nove toneladas por curtas distâncias. ,mas essa capacidade foi ampliada ao longo dos anos.

SUDESTE ASIÁTICO

Durante a Guerra do Vietnã os  CH-47 eram parte vital da logística dos Estados Unidos

No Vietnã, o Chinook se transformou rapidamente em uma peça fundamental de logística em um conflito que se desenrolava em selvas densas, com bases isoladas e muitas vezes cercadas por forças hostis. O exército fecha sucessivos contratos com o fabricante. Quando a 1ª Divisão de Cavalaria foi deslocada para o Vietnã, em 1965, levou o Chinook como helicóptero orgânico. No ano seguinte, a produção atinge 161 unidades entregues. Dedicado mais à logística pesada do que ao deslocamento de tropas, entre suas missões estava o transporte e reabastecimento de baterias de artilharia instaladas em montanhas só acessíveis pelo ar. Outras de suas aptidões era a remoção de aeronaves danificadas (avaliadas em U$ 3 bilhões de dólares) e evacuação de feridos. Logo foi descoberto que o limite de carga acima de 2.000 m de altitude era de "apenas" 3,2 toneladas. Sobrava espaço no porão de carga e surgiu a necessidade de versões mais potentes.

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Em maio de 1967 foram entregues os primeiros CH-47B, com melhorias nos motores e nas pás dos rotores. Em outubro, voou o CH-47C, a primeira versão "definitiva" do Chinook, capaz de erguer 6,8 toneladas nos ganchos externos a 55 km de distância, 1.200 m de altitude em temperaturas acima de 30oC. A última entrega dessa série ocorre em meados dos anos 80. A importância do Chinook era tamanha que, em 1972, quando começou a retirada das tropas norte-americanas do Vietnã, 550 dos 684 aparelhos construídos estavam no Sudeste Asiático. Entre 170 e 200 foram perdidos no conflito. Na evacuação de Saigon, um recorde. Em um único voo foram transportados 147 refugiados até um porta-aviões da marinha dos Estados Unidos. Ao final, alguns exemplares usados pelos sul-vietnamitas acabaram incorporados ao Vietnã comunista reunificado.

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