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Setor aéreo define meta de zerar as emissões de carbono até 2050

Ações ainda dependem de tecnologias em desenvolvimento e do avanço de regulamentações padronizadas no mundo


Airbus A350 da Delta Air Lines

Transporte aéreo busca atingir meta de carbono zero até 2050

O transporte aéreo global pretende cumprir a meta de atingir de zero emissão liquida de carbono até 2050. O objetivo é considerado bastante ambicioso e envolve uma série de projetos, muitos ainda em desenvolvimento.

A 77ª Assembleia Geral Anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) aprovou uma resolução para que o setor de transporte aéreo global atinja zero emissão de carbono, alinhado ao objetivo do Acordo de Paris.

"As companhias aéreas do mundo inteiro tomaram uma decisão importante para garantir que voar seja uma atividade sustentável. Isso vai garantir a liberdade das gerações futuras de explorar, aprender, comercializar, construir mercados, valorizar culturas e conectar-se com pessoas de todo o mundo de forma sustentável", disse Willie Walsh, diretor geral da IATA.

Porém, alcançar zero emissão líquida exigirá uma progressiva redução das emissões em toda cadeia do transporte aéreo, ao mesmo tempo que a expectativa é de crescimento constante na demanda por aviões até 2025.

De acordo com a IATA, em três décadas a aviação comercial deverá atender a população estimada de 10 bilhões de pessoas. Isso deve exigir redução de pelo menos 1,8 gigatonelada de carbono nesse mesmo ano. Ao longo das próximas décadas haverá um total acumulado de 21,2 gigatoneladas de carbono para ser eliminado até 2050.

Em nota a IATA acredita que o Esquema de Compensação e Redução de Carbono da Aviação Internacional (Corsia, em inglês) da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) poderá ajudar a estabilizar as emissões para os níveis de 2019 já no curto a médio prazo

Um dos desafios será a união de toda a cadeia do transporte aéreo, indo além dos aviões e empresas aéreas.

"A conectividade global sustentável não pode ser alcançada apenas com ações das companhias aéreas. Todos os grupos do setor de aviação devem trabalhar juntos em uma estrutura de políticas governamentais de apoio para realizar as grandes mudanças necessárias, incluindo a transição energética", explicou Walsh. 

A estratégia é reduzir a emissão de CO2 inclui a busca por combustíveis de aviação sustentáveis, alguns deles criado de forma sintética, novas tecnologias de construção e aerodinâmica em aeronaves, operações e infraestrutura mais eficientes e o desenvolvimento de novas fontes de energia, este último caso com potencial de geração de energia elétrica a partir de hidrogênio. O acordo prevê que as emissões que não puderem ser eliminadas na fonte serão compensadas por meio de captura e armazenamento de carbono e esquemas de compensação confiáveis.

"Nós temos um plano. A escala do setor em 2050 exigirá a redução de 1,8 gigatonelada de carbono. Um cenário provável é que 65% disso será reduzido por meio de combustíveis de aviação sustentáveis. Esperamos que uma nova tecnologia de propulsão, como o hidrogênio, elimine outros 13%. E as melhorias de eficiência serão responsáveis pela redução de mais 3%. O restante poderia ser resolvido por meio de captura e armazenamento de carbono (11%) e compensações (8%). A divisão real e a trajetória para chegar lá dependem de quais soluções são mais econômicas em um certo momento. Qualquer que seja o caminho final para chegar à emissão zero, a verdade é que a única maneira de chegar lá será com a cadeia de valor e os governos cumprindo seu papel", completou Walsh.

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Por Edmundo Ubiratan
Publicado em 05/10/2021, às 17h30 - Atualizado às 18h21


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