Piloto de Boeing 737 MAX da Alaska Airlines que teve a porta de emergência arrancada após decolagem entrou com ação de US$ 10 milhões

Um piloto da Alaska Airlines entrou com uma ação judicial de mais de R$ 50 milhões contra a Boeing na última quarta-feira (31), acusando o fabricante de tentar atribuir à tripulação a responsabilidade por uma falha estrutural ocorrida com um 737 MAX 9, há dois anos.
O episódio resultou em descompressão explosiva em voo e desencadeou a suspensão temporária das operações do modelo em todo o mundo.
A ação sustenta que a Boeing causou danos à reputação profissional e sofrimento emocional ao insinuar, em defesas apresentadas em ações movidas por passageiros, que a aeronave teria sido “imprópria ou incorretamente mantida ou utilizada” por terceiros.
Alaska Airlines flight #AS1282, a Boeing 737 MAX 9, experienced a rapid decompression after the loss of a large panel that included an emergency exit door on the left side of the plane.
— Aviation Safety Network (ASN) (@AviationSafety) January 6, 2024
The flight made a safe return to Portland (PDX).pic.twitter.com/KH4gs0X4o6
Segundo o processo, tais alegações levaram à percepção pública de falha operacional por parte da tripulação.
De acordo com a petição, essa estratégia jurídica teria resultado em reportagens que reproduziram essa narrativa e, posteriormente, em dois processos pessoais movidos contra o comandante. Brandon Fisher, autor da ação, disse que as acusações afetaram sua imagem profissional em um setor no qual a confiança operacional é um elemento central.
O episódio ocorreu em 5 de janeiro de 2024, pouco após a decolagem do aeroporto internacional de Portland, no estado de Oregon.
O voo AS1282, operado pela aeronave de matrícula N704AL, seguiria para Ontario, na Califórnia, quando sofreu uma descompressão rápida a aproximadamente 16.000 pés de altitude, após um plugue da porta de emergência ter se desprendido.
A falha abriu uma seção da fuselagem, provocando a ejeção de objetos, incluindo apoios de cabeça dos assentos e um telefone celular de um passageiro. Máscaras de oxigênio foram automaticamente acionadas, enquanto a aeronave enfrentava uma situação de emergência.
Os pilotos Brandon Fisher e Emily Wiprud conduziram os procedimentos de emergência e retornaram com segurança a aeronave a Portland, com 171 passageiros e seis tripulantes a bordo. Alguns deles tiveram apenas ferimentos leves.
A investigação identificou falhas no processo de fabricação. Segundo o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB), quatro parafusos de retenção responsáveis por manter o plugue da porta no lugar estavam em falta, caracterizando uma falha crítica de montagem.
O plugue em questão vedava uma saída de emergência opcional não utilizada. Ele teria sido reinstalado de forma inadequada durante trabalhos realizados em uma unidade da Boeing, com participação do fornecedor Spirit AeroSystems.
O incidente levou à paralisação temporária de todos os Boeing 737 MAX 9 e ampliou o escrutínio regulatório sobre os processos de controle de qualidade da fabricante, que já estavam sob pressão após os acidentes envolvendo o 737 MAX 8 em 2018 e 2019.
Na ação, Fisher afirma ter sofrido consequências emocionais significativas, incluindo ansiedade e prejuízos a relações pessoais, além de danos à sua reputação profissional.
O caso se soma a ações judiciais movidas por quatro comissários de bordo do mesmo voo, que processaram a Boeing em julho, alegando danos físicos e psicológicos. Paralelamente, ações coletivas de passageiros seguem em tramitação, buscando compensação pelos efeitos do episódio em voo.
A Boeing, que enfrenta potenciais passivos bilionários relacionados ao programa 737 MAX, tem negado responsabilidade nos processos em andamento. O fabricante não se manifestou sobre as acusações específicas apresentadas pelo piloto Brandon Fisher.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 06/01/2026, às 08h27
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