O primeiro comandante brasileiro


A aviação comercial brasileira surgiu da iniciativa de investidores e empresários alemães, notadamente Otto Ernst Meyer, fundador da Varig, além do chanceler Hans Luther, incentivador da expansão da aviação germânica na América do Sul. Nos primeiros anos, a aviação brasileira teve como pilotos justamente os alemães, especialmente devido à origem das aeronaves utilizadas por Varig e Syndicato Condor. O primeiro comandante brasileiro, porém, não tinha descendência germânica e, sim, portuguesa. Nascido em Palmares no ano de 1928, o pernambucano Severiano Lins deixou o trabalho nos engenhos da família para se aventurar na Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Era o 13º na lista de candidatos, mas obteve o primeiro lugar entre os pilotos civis e o quinto posto na classificação geral. Ao se “brevetar” em 1929, ficou apenas um ano na aviação militar, tendo recebido em 1931 um convite para voar no Syndicato Condor. Devido à sua experiência e suas habilidades, logo foi escolhido como comandante, tornando-se, assim, o primeiro brasileiro a ocupar tal cargo na aviação comercial. Em 1936, venceu as provas aéreas da I Semana da Asa, recebendo o prêmio das mãos do então presidente Getúlio Vargas. No ano seguinte, foi convidado a realizar o curso de voo noturno (numa época em que praticamente não existiam voos por instrumento) na Alemanha. Embarcou no dirigível LZ 127 Graf Zepplin, rumo a Europa. A viagem era considerada não apenas uma aventura, mas uma das mais luxuosas experiências da época. Curiosamente, ele realizou a última viagem num dirigível rígido, já que, dias antes, o Hindemburg se perdera num acidente nos EUA. Com um histórico de voo impecável, tornou-se comandante de Junker Ju-52 da Condor. Infelizmente, em 13 de janeiro de 1939, menos de oito anos após ingressar na companhia, o primeiro comandante brasileiro morreu num trágico acidente na Serra do Sambê, em Rio Bonito (RJ). O Ju-52 (PP-CAY) voava em condições precárias de visibilidade quando entrou voando na montanha em razão de um erro na carta de navegação, que cotava de maneira incorreta a altitude de toda a cadeia de montanhas naquela região.

Por Edmundo Ubiratan e Ernesto Klotzel

Publicado em 22 de Fevereiro de 2015 às 00:00


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Artigo publicado nesta revista