Fim dos trimotores

Maior operadora global do DC-10 anuncia aposentadoria do modelo

Até 2023 a FedEx aposentará a sua frota de trijatos MD-10


Nos anos 2000 a FedEx modernizou seus DC-10 para o padrão MD-10

A FedEx que é atualmente maior operadora global da família DC-10 anunciou que vai retirar o modelo de serviço até 2023. A empresa logística tem em serviço dezessete MD-10, a versão modernizada do clássico trijato.

Com a aposentadoria dos MD-10, a FedEx encerrará um ciclo de 40 anos de uso dos versáteis trimotores da McDonnell Douglas. A despedida começará ainda neste ano, com a aposentadoria de sete aviões, enquanto os outros dez serão gradualmente retirados de serviço até meados de 2023.

Atualmente, a FedEx conta com treze aeronaves MD10-30 e 4 MD-10-10, com idade média de 40 anos. Apesar da alta demanda de cargas por conta da pandemia, manter estes trijatos em operação significa custos onerosos para a companhia, muito atrelado ao elevado custo operacional, em especial o alto consumo combustível.

Para contornar a situação e manter baixos custos operacionais, a FedEx tem adicionado modelos com maior alcance e mais eficientes, a maioria novos de fábrica, como os Boeing 767 e 777. Entretanto, ao contrário de rivais que atuam no mesmo mercado, a FedEx não optou pelo 747-8F, que obteve considerável sucesso entre empresas especializadas em transporte de cargas expressas.

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Com a aquisição da McDonnell Douglas pela Boeing nos anos 1990, o fabricante norte-americano passou a realizar retrofit em algumas unidades do DC-10 lançados na década de 1960, permitindo a substituição dos painéis analógicos por digitais e cockpit idênticos aos do MD-11, o que acabou eliminando a função do engenheiro de voo, e assim, padronizando a pilotagem entre o DC-10 e MD-11.

A decisão da FedEx em aposentar os MD-10 ocorre em um momento ímpar, visto que as companhias de carga estão procurando cargueiros novos ou convertidos, com idade média de quinze anos, para dar conta da atual demanda. O elevado custo com combustíveis e regras ambientais cada vez mais rígidas, especialmente na Europa, está forçando uma mudança de paradigmas no mercado cargueiro que geralmente usa aviões de geração anterior.

O setor está vendo a oportunidade em adquirir aeronaves antes exclusivas só para o transporte de passageiros como o Airbus A321, Boeing 737-800 e 777-300, o que significa uma mudança brusca no segmento que agora buscam aeronaves mais eficientes e com maior alcance. A nova realidade é o ponto final para aviões clássicas ainda em operação.

“Os cargueiros Boeing 767 e 777 trouxeram maior eficiência e confiabilidade às nossas operações aéreas. O 777, com suas características de enorme alcance, nos permitiu oferecer tempos de trânsito mais rápidos ao redor do mundo”, disse David Cunningham, presidente da FedEx.

Por Gabriel Benevides

Publicado em 21 de Janeiro de 2021 às 14:00


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