AERO Magazine

Só faltam os Jetsons

Carro voador da Embraer poderá ser realidade

Fabricante participa de eventos nos EUA e mostra que após joint-venture com a Boeing deve investir em novos projetos

Por Edmundo Ubiratan | Foto: Divulgação em 6 de Março de 2019 às 13:00

A Embraer apresenta sua visão para o futuro da mobilidade no festival de inovação South By Southwest (SXSW), apresentando pela primeira sua sala de protótipo (Prototype Room).  O tema da mobilidade urbana ganha destaque entre os principais conglomerados do mundo e se torna tema de diversos eventos. Durante o evento a divisão de inovação tecnológica do fabricante brasileiro, designada como EmbraerX, destacará sua abordagem orientada ao ser humano para desenvolvimento e co-criação.

Uber trabalha com diversos parceiros para viabilizar o transporte aéreo em grandes centros urbanos

O evento que ocorre entre os dias 6 e 8 de março, em Austin, no Texas, foi o palco de lançamento das companhias Twitter, Uber e AirBnB, sendo reconhecido por reunir empreendedores, investidores e líderes de grandes empresas, além de importantes personalidades do cinema e da música.

De acordo com a EmbraerX, os visitantes serão recebidos e estimulados a participar de um espaço criativo inspirado no futuro da mobilidade aérea urbana, acessibilidade e autonomia, sendo incentivado a se conectar uns aos outros e discutir ideias revolucionárias de forma completamente inéditas.

“É preciso construir um ecossistema colaborativo para reinventar a mobilidade urbana. Para isso é importante despertar a imaginação das pessoas sobre o novo mundo que se aproxima”, comentou Antônio Campello, CEO da EmbraerX.

Para o executivo nenhuma empresa poderá sozinha conceber o futuro da mobilidade aérea urbana e defende um modelo colaborativo para o desenvolvimento de novas tecnologias. “Isso só será possível se conseguirmos acender a imaginação das pessoas e mostrar que não estamos oferecendo apenas um novo produto, mas um caminho para uma verdadeira transformação social”, acredita.

A EmbraerX também participará de um painel que explora o papel que a experiência do usuário (UX) desempenha na construção do futuro da mobilidade acessível para todos e também examinará as maneiras pelas quais as pessoas e tecnologias inteligentes interagirão com segurança na nova era do autônomo e comunidades em rede.

O eVTOL E O FUTURO DA EMBRAER

EmbraerX poderá se tornar provedora  de soluções de alta tecnologia para indústria de eVTOL

Após avançar no processo de criação de uma joint-venture para sua divisão de aviação comercial, a Embraer foca seu futuro em diversas novas áreas de desenvolvimento. A companhia busca novas oportunidades de negócios, como nos eVTOL, que deve tornar realidade o carro-voador. O eVTOL é o acrônimo de eletrical vertical take-off and landing (veículo elétrico de decolagem e pouso vertical), que na prática poderão se tornar veículos aéreos de transporte em massa, dedicados especialmente para ambientes urbanos, viabilizando assim o antigo sonho de um carro-voador.

Tecnologias de voo autônomo e inteligência artificial devem ser plataforma da maioria dos projetos militares do futuro. Fabricantes aeronáuticos investem também na possibilidade de se tornarem fornecedores dessas tecnologias

Todavia, executivos da Embraer garantem que não necessariamente o foco seja o desenvolvimento do veículo, mas pode incluir ainda toda uma gama de serviços extremamente rentáveis. Uma das apostas do setor aeronáutico é o desenvolvimento de tecnologias autônomas, como sistemas de inteligência artificial que tenham capacidade de ser responsável por todo o voo. “O veículo é algo relativamente simples, um fabricante estabelecido possui tecnologia para criar o veículo, asas, motores, entre outros. O principal, por tanto mais rentável, é solucionar o sistema de controle, ambiente de voo, etc”, afirma Olavo Gomes, consultor aeronáutico

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Atualmente a Embraer, via Atech, deverá se posicionar de forma competitiva no setor para esse novo modal de transporte. A estratégia permite que o fabricante forneça tecnologias de ponta, sem necessariamente se envolver no projeto final. Diversos fabricantes têm apostado nessa estratégia, incluindo a Otis Elevadores, que recentemente fechou uma parceria com a Sikorsky para desenvolvimento de tecnologias para voo autônomo.

Sikorsky testa em seus helicópteros tecnologias de voo autônomo, como o projeto Matrix instalado em um S-76 , que permitiu voo completamente automatizado, da decolagem ao pouso

“Enquanto o veículo é parte da eventual solução para a mobilidade urbana, julgamos que muitas tecnologias já se encontram em curso e já demonstraram seu potencial. O que estamos estudando agora é como chegar à experiência de ligação natural, suave e integrada”, comenta Jonathan Hartman, que lidera o time de tecnologias disruptivas da Sikorsky Innovations.

A Embraer também faz parte do Uber Elevate Network, uma rede de empresas de alta tecnologias que trabalha na criação de novas soluções para o transporte aéreo sob demanda, que possui potencial de transformar radicalmente a mobilidade urbana.

Uma série de conceitos estão sendo estudados em parceria com a Uber

Na opinião de Paula Macedo, líder do time de experiência do usuário da EmbraerX, é preciso abordar a inovação dentro de um contexto social; “O eVTOL é para ser um veículo de massa. Quando falamos de mobilidade aérea urbana, não estamos preocupados só em desenvolver veículos, mas em pensar como vai ser a cidade do futuro”, afirma.

A ascensão da tecnologia eVTOL está tornando esse modal de transporte aéreo uma possibilidade real, apesar da indústria continuar em um estágio inicial. Dessa forma, a visão exige significantes parcerias e integração entre plataformas de compartilhamento de transporte, fabricantes de aeronaves e infraestrutura. Outro desafio é a criação de políticas públicas e gerenciamento de tráfego aéreo, que permitam o uso coordenado e regulamentado do novo sistema. Especialistas acreditam que o desafio para os próximos anos é similar ao visto pela indústria aeronáutica no início do século 20, quando foi necessário criar uma série de regras e tecnologias do zero, enfrentando muitas vezes a desconfiança da sociedade. “O que vemos hoje os pioneiros da aviação passaram nas primeiras duas décadas do século 20. Tiveram que inovar e criar um ambiente para suas criações”, relembra Olavo Gomes. “O grande avanço se deu nas guerras. Hoje o maior conflito é o tempo perdido nas metrópoles entre deslocamentos”.

Para a Embraer o desenvolvimento de novos mercados poderá significar uma mudança em sua estratégia, passando a atuar não apenas como fabricante de aeronaves, mas como integradora e fornecedora de alta tecnologia. Um caminho similar a empresas como a norte-americana Scaled Composites, especialista em inovação, que ao longo dos últimos anos criou uma série de tecnologias em uso por fabricantes aeronáuticos ao redor do mundo.

AIRBUS E BOEING

Modelo da Boeing realizou primeira decolagem e pouso em janeiro

Da mesma forma, o mercado de eVTOL tem chamado atenção de gigantes como a Airbus e Boeing, que trabalham em uma série de projetos voltados para mobilidade urbana. Em janeiro a Boeing NeXt, divisão responsável pelos estudos de mobilidade aérea urbana da fabricante norte-americana, voou com seu primeiro eVTOL. O projeto é conduzido em parceria com a também subsidiária da Boeing, Aurora Flight Sciences, que é responsável pelo projeto do veículo.

O protótipo completou uma decolagem controlada, pairando e pousando, validando as funções autônomas e os sistemas de controle de solo do veículo. “Em um ano, evoluímos de um projeto conceitual para um protótipo voador”, disse o diretor de tecnologia da Boeing, Greg Hyslop.

“A autonomia certificável vai tornar a mobilidade aérea urbana silenciosa, limpa e segura possível”, disse John Langford, presidente e diretor executivo da Aurora Flight Sciences.

CityAirbus possui capacidade para quatro pessoas e autônomia para voos urbanos

Já a europeia Airbus, avança nos estudos do demonstrador de tecnologia CityAirbus, um pequeno veículo aéreo elétrico para até quatro passageiros. O modelo conta com um motor desenvolvido pela alemã Siemens e baterias da Airbus Defense and Space, que permitem ao CityAirbus voar por até 15 minutos, desenvolvendo velocidade média de 120 km/h. Ainda que a autonomia seja limitada, o destaque está na capacidade de carga, estimada em 250 kg, o suficiente para transporte de passageiros em centros urbanos.


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