Nova visão de mercado

Protótipo do MC-21 recebe novos motores russos

Intenção é oferecer versão equipada com o Aviadvigatel PD-14 ao mercado interno e países sob influência de Moscou


Aeronave terá duas opções de motores: o PW1400G da Pratt & Whitney e o russo Aviadvigatel PD-14 

O primeiro MC-21 equipado com os motores russos Aviadvigatel PD-14 realizou seu roll out na semana passada, nas instalações da Irkut, na Rússia. A versão designada como MC-21-310 oferece a opção de motorização local, em relação ao modelo padrão equipado com os motores Pratt & Whitney PW1400G.

Ainda que o projeto contemplasse o uso dos motores PD-14, os recentes embargos impostos pelos Estados Unidos e União Europeia em relação à Rússia, levaram as autoridades priorizarem o máximo de nacionalização de seus aviões desenvolvidos na última década.

O MC-21 é primeiro avião comercial com foco real no mercado global, utilizando como base a lógica de fornecedores e de suprimentos existentes no Ocidente. A Irkut, líder do projeto, optou por empregar diversos sistemas de prateleira, como os motores PW1400G, da série Pure Power, que equipam os Airbus A320neo e A220, Embraer E-Jet E2 e o chinês Comac C919. Além disso, diversos peças e sistemas são produzidos por empresas dos Estados Unidos e Europa, reduzindo assim os custos de desenvolvimento e ampliando a oferta de suporte pós-venda.

Porém, Moscou tem optado por priorizar o desenvolvimento de soluções domésticas para aeronaves que deverão ser comercializadas para empresas aéreas locais ou de países sob sua zona de influência. Aeronaves com potencial de venda no exterior devem permanecer com um elevado grau de componentes ocidentais.

O MC-21 além de ser o maior avião comercial produzido pela Rússia desde o fim da União Soviética, se destaca por suas soluções voltadas para o mercado global. O modelo pretende concorrer com os Airbus A320neo e Boeing 737 MAX em mercados secundários, com pouco acesso às linhas de financiamento tradicionais. No futuro o principal competidor do modelo deverá ser o C919, visto que a China em um segundo momento não descarta iniciar uma campanha de vendas do avião no exterior, apostando nos mesmos mercados.

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Por Edmundo Ubiratan

Publicado em 16 de Novembro de 2020 às 14:00


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