Briga de gente grande

Fabricante chinês de aviões pode sofrer pressão do governo dos EUA

Departamento de Estado poderá incluir a Comac na lista de empresas impedidos de negociar com companhias norte-americanas


Novo C919 utiliza diversos componentes de fabricantes dos Estados Unidos, incluindo os motores

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirmou no último dia 14 de janeiro que acrescentaria a Comac, em uma lista de empresas chinesas consideradas ligadas ao setor militar da China, exigindo assim uma análise especial sobre sua condição de parceiro de fabricantes norte-americanos.

A análise conduzida nos últimos dias da presidente de Donald Trump ocorreu em um movimento natural da então gestão em manter a China dentro de novas normas comerciais. Além da Comac, entraram na análise especial a gigante Xiaomi e outras sete empresas de tecnologia.

A inclusão da Comac em uma lista especial permitirá avaliar qual grau de risco o fabricante representa para os interesses dos Estados Unidos e seus parceiros na Ásia, assim como o potencial de produção de armamentos sob disfarce de programas civis.

Uma eventual sanção contra a Comac deverá impactar diretamente nas ambições da China em se tornar um competidor global no segmento de aviação comercial. O novo C919, avião que pretende competir com os Airbus A320neo e Boeing 737 MAX, conta com centenas de fornecedores de sistemas com sede nos Estados Unidos, como a CFM International, fornecedora dos motores Leap 1C, assim como as gigantes Honeywell, B/E Aerospace, Parker Hannifin, Donaldson e Moog. O C919 foi desenvolvido baseado em um modelo internacional, buscando no mercado os melhores fornecedores para sistemas críticos, processo idêntico ao adotado pelas rivais Airbus, Boeing, Embraer, entre outras.

Outro projeto que deverá sofrer com um eventual embargo de exportação de itens sensíveis é o ARJ21, o jato regional que utiliza, entre outros, motores da norte-americana Pratt & Whitney. Porém, por ora, apenas a listagem da Comac na análise do Departamento de Defesa não deverá impactar no fornecimento de componentes norte-americanos.

Um dos temores do governo dos Estados Unidos é que a Comac absorva tecnologias aeroespaciais de empresas norte-americanas, especialmente para a fabricação de motores e sistemas de navegação.

Com a Comac figurando entre as empresas sob suspeita do Departamento de Defesa, as empresas com sede nos Estados Unidos devem enfrentar algumas dificuldades para exportar produtos para a fabricante de aviões chinesa.

De acordo com uma ordem executiva assinada pelo então presidente Donald Trump, em 2019, solicitava que os investidores norte-americanos parassem de investir nas empresas listadas pelo Departamento de Estado, notadamente a Xiaomi.

Contudo, ao contrário da Xiaomi que é listada em bolsa, a Comac é uma estatal sem capital aberto, com uma limitada venda de títulos no mercado chinês, mas sem cotação internacional. Assim, a proibição de investimentos norte-americanos terá pouco ou nenhum impacto no futuro da Comac.

Atualmente a Comac trabalha para iniciar a entrega dos primeiros C919 no seu mercado interno, considerado prioritário dentro dos planos de crescimento do fabricante, que prevê vender mais de 3.000 aviões entre as empresas aéreas chinesas.

Por Edmundo Ubiratan

Publicado em 28 de Janeiro de 2021 às 18:00


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