Vendo o som

NASA fotografa ondas de choque supersônicas em aviões

Imagem mostra pela primeira vez a interação entre a aeronave e os fenômenos do voo acima da velocidade do som


A Nasa conseguiu fotografar pela primeira vez as ondas de choque geradas por aviões supersônicos voando juntos. O fenômeno é conhecido desde a década 1940, quando os aviões passaram a voar acima da velocidade do som, mas até agora era possível apenas escutar o estrondo sônico e gerar, através de computador, uma projeção da onda de choque.

Através de um conjunto de imagens separadas, o centro de pesquisas Ames, da Nasa, na Califórnia, os pesquisadores puderam montar uma fotografia real do fenômeno atingindo dois aviões T-38 Talon, da agencia. A série de imagens em alta resolução mostra em detalhes as ondas de choque se propagando em diversas fases do voo, exibindo as mudanças rápidas de pressão formada na frente do avião durante o voo.

Uma das restrições do Concorde era a necessidade de voar abaixo da velocidade do som sobre o continente, o que tornava o voo pouco econômico. Voos sobre áreas habitadas continua sendo um desafio para aeronaves supersônicas, que causam grandes destruições, como quebra de janelas, caso voem acima da velocidade do som.

Quando um avião voa abaixo da velocidade do som, aproximadamente 1100 km/h, as ondas de choque a frente do bico se espalha para os lados. Quando a aeronave rompe a barreira do som, as ondas de choque que estão pressionadas contra o bico são ultrapassadas pelo avião, representando uma propagação violenta do som.

Nas imagens o primeiro T-38 está voando aproximadamente nove metros de distância lateral da segunda aeronave, que voa também nove metros mais abaixo do líder. O fluxo de ondas de choque é visto interagindo pela primeira vez.

SUPERSÔNICO SILENCIOSO

O objetivo da Nasa é utilizar os dados, agora exibidos de forma clara, somado aos milhares de estudos sobre o fenômeno, para avançar no programa X-59 Quiet SuperSonic Technology. O projeto tem objetivo de permitir desenvolver um avião supersônico que possa voar sobre áreas habitadas. O desafio será criar um perfil aerodinâmico que não gere grandes áreas de pressão, e por tanto, amenize ou menos impeça o estrondo sônico.

Por Edmundo Ubiratan | Foto: Divulgação

Publicado em 8 de Março de 2019 às 18:00


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