Pela paz mundial

Estados Unidos vão investir US$ 13,3 bilhões em um novo míssil nuclear

Programa de modernização do arsenal da força aérea prevê a capacidade de manobrar com eficiência em velocidade hipersônica


Programa de modernização do arsenal de mísseis da força aérea dos EUA poderá passar dos R$ 450,2 bilhões

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A força aérea dos Estados Unidos (USAF) deverá investir US$ 13,3 bilhões (R$ 69,5 bilhões) no desenvolvimento de um novo míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês), destinado a transportar armas nucleares.

O projeto será realizado pela Northrop Grumman, que através do chamado Dissuasor Estratégico Baseado em Terra substituirá os 400 mísseis Minuteman III, declarados operacionais em 1970 e que estão silos localizados nos estados centrais de Montana, Dakota do Norte e Wyoming.

O acordo ainda inclui aproximadamente 200 mísseis adicionais para testes e para outros desenvolvimentos de sistemas de armas. O contrato inclui o projeto, qualificação, teste e avaliação do sistema de armas e a respectiva certificação nuclear. A previsão é que o novo sistema de mísseis esteja pronto para implantação em 2029.

De acordo com o orçamento militar dos Estados Unidos o contrato assinado prevê apenas o desenvolvimento dos mísseis, mas o projeto total deverá custar quase US$ 22 bilhões (R$ 116,5 bilhões), considerando as pesquisas relacionadas ao novo sistema de defesa, sem incluir o custo extra da compra dos mísseis. Uma estimativa de custo do Pentágono avalia que ao todo o projeto custará US$ 85 bilhões (R$ 450,2 bilhões).

“A maior precisão, alcance estendido e confiabilidade aprimorada fornecerão aos Estados Unidos uma gama ampla de opções para lidar com contingências imprevistas, dando a vantagem necessária para competir e vencer qualquer adversário”, afirmou o general Timothy M. Ray, chefe da Air Force Global Strike Command, em um comunicado.

Na reentrada apenas ogivas retornam para a Terra, já prontas para atingir seus respectivos alvos. Um ICBM pode transportar diversas ogivas de uma só vez

A USAF considera que o programa permitirá no médio prazo adicionar uma ogiva hipersônica mais manobrável, ampliando a capacidade dos ICBM de velocidade ultrarrápida. Atualmente as armas hipersônicas são bastante limitadas em capacidade de manobrar em altas velocidades.

 A força aérea norte-americana espera iniciar em 2023 as modificações necessárias para as novas armas na base aérea Warren, Wyoming. O projeto contempla a construção de novos silos especiais para a nova família de ICBM, seguida pela base de Malmstrom, em Montana, em 2026 e finalmente as instalações de Minot, na Dakota do Norte, que será concluída em 2029.

A expectativa é que os primeiros misseis sejam entregues em meados de 2029, dando início a modernização do sofisticado arsenal nuclear dos Estados Unidos. Os novos mísseis devem permanecer em serviço até 2075, permitindo os Estados Unidos manter no médio prazo sua capacidade de dissuasão nuclear com Rússia e China, considerado seus principais rivais.

Saiba mais...

O contrato com a Northrop Grumman demonstra ainda uma mudança no fornecedor dos sistemas, que ao longo de quase 60 anos foi de responsabilidade da Boeing, que construiu o sistema Minuteman.

No ano passado a Boeing anunciou que deixaria a concorrência afirmando que havia clara vantagem da rival Northrop Grumman no desenvolvimento e produção dos novos misseis. Um dos motivos foi a compra da Orbital ATK, fabricante de motores de foguete, pela Northrop, em 2017. O fabricante é o único do tipo com sede nos Estados Unidos, sendo um importante fornecedor de motores para os militares e para a Nasa.

O acordo entre a Orbital e a Northrop ocorreu em paralelo ao início do programa para os novos ICBM, reduzindo as vantagens da Boeing no projeto, visto que teria que desenvolver seus próprios motores ou utilizar os fornecidos por sua concorrente.

“[A USAF] deve lidar com a vantagem injusta que a Northrop detém como resultado de seu controle de motores de foguetes sólidos, parte essencial do sistema de mísseis GBSD", escreveu Leanne Caret, CEO da Boeing Defense, a Força Aérea dos Estados Unidos, em julho de 2019.

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Por Edmundo Ubiratan

Publicado em 9 de Setembro de 2020 às 11:28


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