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Beluga: o avião que substituiu os Boeing da Airbus

Nos anos 1990 a Airbus construíu o Beluga para substituir seus veteranos Super Guppy, derivados do Boeing 377 e usados no transporte de cargas


O A300-600ST Beluga por quase três décadas foi a espinha dorsal da logística da Airbus - Airbus
O A300-600ST Beluga por quase três décadas foi a espinha dorsal da logística da Airbus - Airbus

O Airbus Beluga nasceu para substituir os antigos Boeing usados pela Airbus em sua logística industrial e para atender a elevada demanda projetada para o A320. Conheça um pouco mais sobre o exótico avião de transporte que virá ao Brasil pela primeira vez.

No final da década de 1980 a Airbus havia lançado duas famílias de aviões. O A320, um avião que prometia rivalizar com o Boeing 737, líder absoluto de vendas no segmento entre 100 e 150 assentos. E o A330/340, que disputariam o mercado de longo alcance, competindo com os Boeing 747, 767 e o futuro 777, assim como os McDonnell Douglas DC-10 e MD-11. Se encarar tais aviões, que atuam em várias faixas de mercado já não fosse audacioso o bastante, a Airbus tinha que transportar grandes componentes produzidos na Espanha, Alemanha, Reino Unido e França, para então montar o avião final.

Airbus Super Guppy
Fuselagem do Airbus A300 sendo transportada por um Super Guppy Turbine, modelo derivado do Boeing 377

Ou seja, antes de poder atender as necessidades das empresas aéreas a Airbus teria primeiro que resolver uma questão importante: transportar mais componentes entre suas fábricas espalhadas pela Europa, com menor tempo e maior frequência. Os já veteranos Super Guppy Turbine, derivados do Boeing 377, já demonstravam suas limitações operacionais e apresentavam custos cada vez mais elevados. Além disso, a frota de três unidades não conseguiria suprir a futura necessidads logística da Airbus.

A solução foi desenvolver um avião similar ao Super Guppy, com uma ampla área de carga montada sobre o avião. Os engenheiros da Airbus decidiram que a melhor solução seria converter um avião existente em um supercargueiro. Existiam duas opções para criar um grande compartimento de cargas.

A primeira opção: adotar o conceito de carga externa, similar ao utilizado pela NASA, no transporte do Ôninus Espacial, mas com um invólucro inspirado no criado pelos soviéticos no Myasishchev VM-T.

VM-T
Nos anos 1980 os soviéticos adaptaram um bombardeiro Myasishchev M-4 para transportar componentes do programa espacial. Note o exótico compartimento de cargas montado logo acima da fuselagem.

A segunda opção:  adquirir no mercado um avião cargueiro, como o Boeing 747, C-5 Galaxy, Antonov An-124, entre outros. De imediato a segunda opção se mostrou improvável, visto que o C-5 é um avião militar da força aérea dos Estados Unidos, o An-124 ainda era um avião soviético com nenhuma chance de exportação, e a porta do nariz do 747 estreita demais para qualquer embarque de fuselagens. No mais, os três aviões teriam que ser modificados para acomodar as grandes estruturas de asa e fuselagem.

A solução voltou para o conceito de carga externa. Logo os engenheiros perceberam que montar um compartimento de cargas acima de um avião adaptado era complexo demais. Todavia, se ele fosse integrado na própria estrutura a solução era viável, até porque o conceito básico era similar ao Super Guppy.

Super Guppy e Beluga
Roll out do Airbus Beluga ao lado do Super Guppy

A Airbus selecionou seu maior avião, na época o A300, que seria profundamente modificado. A fuselagem principal seria completamente redesenhada, com o cockpit realocado abaixo da posição original, com uma enorme área de cargas montada logo acima.

Os engenheiros da Airbus redesenharam a maior parte da fuselagem do A300-600, usando a parte inferior da fuselagem, mas realocando o cockpit em uma posição inferior. Assim, o piso principal poderia receber um enorme compartimento de cargas, que na prática estaria acima do avião, mas protegido por um invólucro estrutural. Além disso, a configuração com o cockpit abaixo do piso principal permitiu criar uma porta de cargas basculante, ao invés de exigir que a parte dianteira do avião inteira fosse movimentada, o que envolvia desconectar e depois reconectar diversos sistemas elétricos, hidráulicos e de controle.

Beluga e BelugaXL
Airbus Beluga durante o transporte da seção do cockpit do BelugaXL

Asas, trem de pouso, motor e demais sistemas seriam exatamente os mesmos do A300-600 original, reduzindo custos e riscos. O melhor, o volume interno oferecido pelo novo avião passou para 1.500 metros cúbicos, 30% superior ao Super Guppy Turbine, com capacidade de transportar o dobro do peso, chegando as 47 toneladas de carga máxima.

Compartimento Carga Beluga
O enorme compartimento de cargas do Beluga conta com 1.500 metros cúbicos

O primeiro avião começou a ser montado há 30 anos, com o voo inagural ocorrendo em 1994. Os cinco A300-600ST Beluga se tornaram a espinha dorsal da logística da Airbus até meados de 2018, quando a crescente necessidade de transporte e componentes ainda maiores do A350 exigiram um novo Beluga, nascendo assim o Beluga XL derivado do Airbus A330-200.

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Por Edmundo Ubiratan
Publicado em 23/07/2022, às 15h44


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