Patrulha marítima

Arsenal brasileiro na proteção da Amazônia Azul

Conheça mais sobre o P-3AM Orion, o patrulheiro derivado do lendário Electra


P-3AM Orion é um avião de patrulha e guerra antisubmarino derivado do lendário L-188 Electra

Adicionado a frota da FAB há poucos anos, o P-3AM Orion permitiu ao Brasil ampliar a capacidade de vigilância aérea sobre o extenso mar territorial, em especial a Zona Econômica Exclusiva, mais conhecida como Amazônia Azul, incluindo a camada pré-sal, onde estão as principais reservas petrolíferas do país. 

Os veteranos aviões foram modernizados pela Airbus, na Espanha, e ampliaram a capacidade do país em luta antissubmarina. Os P-3AM, foram adquiridos em 2005 pela FAB, após um longo processo de negociação com a marinha dos Estados Unidos (US Navy). Todavia, o processo começou no final da década de 1990, levando quase 15 anos para sua conclusão.

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A aeronave da Lockheed, variante militar do L-188 Electra, foi totalmente revitalizada pela Airbus Military e incorporou radares e sonares capazes de rastrear objetos tanto acima como abaixo do nível do mar. Os chamados P-3AM (M em alusão ao fato de serem modernizados) são atualmente operados pelo Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAv). 

Os patrulheiros modernizados também chegam para reforçar as operações de busca e salvamento da FAB. Com autonomia para voar mais de 6 mil quilômetros sem reabastecer, o que representa aproximadamente 14 horas de busca, a frota de P-3AM Orion terá condições de varrer os mais de 6 milhões de quilômetros quadrados marítimos sob responsabilidade do governo brasileiro, cobrindo, assim, praticamente todo o Atlântico Sul.

O Orion comporta de 11 a 16 tripulantes e tem seis consoles de trabalho com os instrumentos de vigilância. Além da revitalização das células, com inspeções e substituição de partes estruturais, a conversão dos P-3A para o padrão "AM" previu a integração de uma nova e avançada suíte de aviônicos e sensores. Na parte mecânica, os motores originais Allison T56-A-10W do P-3A deram lugar aos T56-A-14, mais potentes.

Paralelamente, o P-3AM incorporou um novo painel de comando, fornecido pela Thales Avionics, similar ao existente no Airbus C-295 (C-105 Amazonas na FAB), dominado por telas multifuncionais de cristal líquido (MFD) compatíveis com óculos de visão noturna (NVG).

Além disso, os aviões tiveram o interior e o exterior remodelados, recebendo ainda instrumentos digitais de comunicação, navegação, controle do motor e piloto automático, bem como um sistema HACLCS (Harpoon Aircraft Command and Launch Control System) para disparar mísseis antinavio Harpoon. Na parte de defesa, o P-3AM carrega armamentos como mísseis ar-superfície, torpedos antissubmarinos, minas antinavio e cargas de profundidade.

Variante militar do L-188 Electra tem alcance de seis mil quilômetros e autonomia de 14 horas

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Dentre a tecnologia embarcada dos novos P-3AM brasileiros, destaque para o FITS (Fully Integrated Tactical System), um sistema eletrônico digital de alta velocidade que processa volumes grandes de informação. De acordo com a Airbus, o FITS é um sistema modular que integra os modernos sensores da aeronave com os sistemas de comunicações, navegação, armas e autoproteção.Esse sistema tático de missão trabalha com um processador de gerenciamento de dados táticos, que controla em tempo real os processos e interfaces dos sensores e do sistema de navegação.

A suíte eletrônica de missão do P-3AM é composta por radares de vigilância dotados de funções SAR (Radar de Abertura Sintética), ISAR (Radar de Abertura Sintética Inversa) e MTI (Indicador de Alvos Móveis), bem como por um FLIR (torre móvel giroestabilizada constituída de sensores infravermelhos e eletro-ópticos de longo alcance), ESM/MAD, sistemas de inteligência eletrônica e de sinais (Elint/ Comint), um sofisticado sistema de detecção das condições físicas da superfície do mar e equipamentos de comunicação, como IFF (Indicador de Amigo/Inimigo), data link e receptor AIS (Sistema de Identificação Automática) para localização e identificação de embarcações e receptor de sinais de sonoboias.

Os seis consoles operacionais do P-3AM são universais e reconfiguráveis por software. Cada um deles possui processador próprio idêntico ao processador tático principal, monitor colorido de cristal líquido de 20 polegadas de alta resolução, duas telas touch screen, um teclado e uma trackball. Além desses periféricos, há a tela de apresentação da situação tática para o piloto, o módulo de gerenciamento de armamentos e sonoboias, entre outros. O sistema conta com uma interface homem-máquina intuitiva e flexível, e arquitetura de sistema aberto que possibilita o uso de equipamentos comerciais (COTS). A arquitetura de hardware do FITS usa processadores de 64 bits, sistema operacional UNIX e VxWorks, utizando o X-Windows, X-Motif e programação em C++.

Do total de doze aeronaves P-3A compradas pela FAB, as três mais antigas foram utilizadas como reposição de peças sobressalentes, através do processo de canibalização. Uma curiosidade adicional, a FAB é a única força aérea a operar aviões de patrulha marítima, missão realizada no restante do mundo pela Marinha.

Texto adaptado e atualizado de original publicado na edição 208 de AERO Magazine

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Por Rodrigo Cozzato e Ivan Plavetz

Publicado em 1 de Julho de 2020 às 15:00


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