Acidente ocorreu durante teste em solo e levou a mudanças profundas no programa Apollo.

Em 27 de janeiro de 1967, há exatos 59 anos, um incêndio durante um teste em solo resultou na morte dos três astronautas da missão Apollo 1 e marcou um dos episódios mais críticos da história do programa espacial dos Estados Unidos.
O acidente ocorreu durante um ensaio conhecido como plugs out, realizado no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, cerca de duas semanas antes do lançamento programado da missão AS-204, a primeira missão tripulada do Programa Apollo.
O teste simulava uma contagem regressiva completa, com a cápsula do módulo de comando totalmente pressurizada e isolada de fontes externas de energia. No interior da nave, o ambiente era composto por oxigênio puro sob pressão, condição adotada à época por razões de simplicidade técnica e redução de peso. Durante o ensaio, um incêndio teve início dentro da cápsula e se espalhou rapidamente pelo interior, alimentado pela alta concentração de oxigênio e pela presença de materiais inflamáveis.

Em poucos segundos, a pressão interna aumentou de forma abrupta, atingindo cerca de 29 libras por polegada quadrada (200 kPa). Dezessete segundos após o início do fogo, às 23h31min19,4s UTC, a estrutura do módulo de comando se rompeu. A tripulação, composta pelo tenente-coronel Virgil I. “Gus” Grissom, pelo tenente-coronel Edward H. White II, ambos da Força Aérea dos Estados Unidos, e pelo tenente-comandante Roger B. Chaffee, da Marinha, não conseguiu escapar.
Além da rápida propagação do incêndio, o projeto da escotilha contribuiu para a gravidade do acidente. A porta abria para dentro e exigia vários minutos para ser removida em condições normais, tornando impossível a evacuação diante do aumento instantâneo da pressão interna.
O acidente da Apollo 1 levou à suspensão temporária do programa e a uma ampla revisão técnica e organizacional conduzida pela NASA. Como resultado, foram implementadas mudanças profundas no projeto das cápsulas Apollo, incluindo a adoção de uma escotilha de abertura rápida, a substituição de materiais inflamáveis e a revisão do uso de atmosferas ricas em oxigênio.
A avaliação equivocada de que o teste não representava risco significativo — em razão da ausência de combustível no foguete — contribuiu para a falta de preparação adequada para emergências, comprometendo a resposta de resgate.
O episódio expôs falhas críticas de projeto e gestão de riscos, mas também redefiniu os padrões de segurança do programa espacial norte-americano, influenciando diretamente o sucesso das missões Apollo posteriores.
Por Edmundo Ubiratan
Publicado em 27/01/2026, às 15h00
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