AERO Magazine

Estranha coincidência

A380 encerrará produção com mesmo número de aeronaves entregues que antigo modelo dos anos 1970

Com 250 aviões produzidos modelo da Airbus empata com Lockheed L-1011

Por Ernesto Klotzel | Imagens: Divulgação em 19 de Fevereiro de 2019 às 14:00

Lockheed L-1011 TriStar saiu de linha com apenas 250 aviões produzidos em 14 anos, exatamente os mesmos números do A380

A Airbus anunciou que encerrará em 2021 a produção do A380, quando terá entregue apenas 250 unidades do modelo. Curiosamente o mesmo número de L-1011 TriStar entregues pela Lockheed, ao final do programa, em 1984.

O L-1011 foi o retardatário na corrida dos grandes aviões nos anos 1970, quando a Boeing colocava em operação o 747 e a McDonnell Douglas entregava o DC-10. Embora com propostas distintas, tanto o A380 quando o L-1011 sofreram grandes atrasos no desenvolvimento e a falta de interesse do mercado.

Airbus A380 tem na Emirates Airline seu maior cliente, que ao final optou por aeronaves menores

FALHA NO MOTOR E MERCADO SUPERESTIMADO

O trijato da Lockheed oferecia como destaque seus motores Rolls-Royce RB211, de construção avançada, e que prometia ser mais silencioso e eficiente que os rivais.  Uma série de atrasos no desenvolvimento do motor deixou o TriStar para trás nas entregas as empresas aéreas, muitas optando por cancelar seus pedidos. Para piorar, o mesmo motor RB211 passou a ser opção para o 747, oferecendo um adicional de economia em escala aos operadores do modelo da Boeing. Sem interesse do mercado, o projeto foi cancelado em 1984, com apenas 250 entregas, em 14 anos.

A história recente do A380 foi menos dramática, embora o modelo tenha enfrentado diversos atrasos durante seu desenvolvimento, inclusive em relação ao sistema elétrico. Ainda assim, o gigante europeu jamais atingiu o nível de vendas desejado, tendo sofrido com a concorrência dos aviões bimotores, em especial do 777-300ER, que mesmo oferecendo menor capacidade de transporte de passageiros e carga, possui maior economia e maior flexibilidade operacional. Ironicamente, a proposta do A380 era justamente substituir grandes bimotores, concentrando o maior número de passageiros em voos diretos entre Hubs, tendência que não se concretizou no transporte aéreo regular.

O anuncio do final do programa A380 ocorreu após uma série de cancelamentos, como da Qantas e Virgin Atlantic, seguido da opção da Emirates Airline em receber mais 14 aviões, convertendo o restante do pedido para os A330neo e A350 XWB.

A japonesa All Nippon Airways se tornou a última empresa a receber o avião, quando ao final terá quatro aviões do tipo na frota. Número muito inferior as dezenas de 747 que operou por várias décadas, a maioria substituídos pela família 777.


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