Pandemia e concentração de mercado

União Europeia definirá em agosto o futuro do acordo entre Embraer e Boeing

Expectativa inicial era concluir o processo de criação da joint venture no próximo dia 24 de abril


Acordo entre Embraer e Boeing depende de aprovação da União Europeia e sofre com incertezas após pandemia

O órgão regulador antitruste da União Europeia, por meio de documento oficial, afirmou que irá decidir no dia 7 de agosto sobre o acordo de joint venture envolvendo as fabricantes Embraer e Boeing. A união que tem valor de mercado estimado em US$ 4,2 bilhões depende da aprovação da autoridade europeia para ser finalizada.

A Embraer afirmou recentemente que no contrato original com a Boeing as duas partes tinham como data limite para o fechamento do acordo o dia 24 de abril, mas por restrições geradas pelo COVID-19 e a necessidade da aprovação do órgão europeu, não será possível cumprir o prazo.

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A União Europeia havia solicitado uma série de dados adicionais no início do ano, mas o processo foi paralisado em fevereiro, pelo avanço da pandemia no continente. Até então a expectativa era obter uma definição até o dia 7 de abril.

Em outubro do ano passado, o fiscal da concorrência da União Europeia apontou preocupação com o acordo, alegando que o setor global de fabricantes de aeronaves comerciais já estava altamente concentrado, com apenas três grandes competidores e que a união reduziria para apenas dois fabricantes.

Fontes consultadas por AERO Magazine afirmam que os dois fabricantes não descartam ampliar o prazo para uma data futura, visto a incerteza do mercado após a histórica retração das viagens aéreas.

A praticamente paralisação do transporte aéreo global levou as ações da Embraer despencarem mais de 60% no acumulado do ano, ao mesmo tempo que a Boeing enfrenta uma crise de liquidez no segmento comercial, aliada as incertezas em relação ao futuro do 737 MAX e a baixa procura pelo 777X, com a possibilidade inclusive do abandono do projeto do 777-8, a versão de ultralongo alcance da família triple seven.

O acordo em analise pela União Europeia inclui a parceria no segmento de aviação comercial, que inclui apenas os modelos destinados a aviação regular produzidos pela Embraer, com destaque para a família E-Jet, além de suporte a todos os modelos das famílias ERJ, Brasília e Bandeirante.

Por Gabriel Benevides

Publicado em 23 de Abril de 2020 às 17:00


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