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Aviação Militar

150 aviões foram usados para capturar Nicolás Maduro

Operação militar dos EUA que resultou na captura de Nicolás Maduro mobilizou 150 aeronaves da Marinha e da Força Aérea


F-35
Ação militar na Venezuela envolveu diversos meios áereos, incluindo deslocamento dos F-35 - USAF

A operação militar conduzida pelos Estados Unidos que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, teve como elemento central o emprego intensivo de meios aéreos, responsáveis por garantir superioridade aérea, supressão de defesas inimigas e a proteção direta da força de assalto em solo.

Batizada de Operation Absolute Resolve, a ação mobilizou cerca de 150 aeronaves de diversas forças, como a Marinha e a Força Aérea.

Em pronunciamento realizado na Flórida, o presidente Donald Trump afirmou que foi “uma operação extraordinária contra uma fortaleza militar fortemente protegida no coração de Caracas, para levar o ditador fora da lei Nicolás Maduro à Justiça”. Segundo ele, não houve baixas entre as forças norte-americanas.

De acordo com o general Dan Caine, chairman do Estado-Maior Conjunto, mais de 150 aeronaves militares foram empregadas, decolando de cerca de vinte bases distribuídas pelo Hemisfério Ocidental. O pacote aéreo incluiu o envio de caças de quinta geração F-35 e F-22, dos bombardeiros estratégicos B-1B, de versões especializadas em guerra eletrônica como os EA-18G, aviões de alerta aéreo antecipado E-2 e sistemas não tripulados de vigilância. Aeronaves de reabastecimento em voo, embora não detalhadas oficialmente, foram essenciais para sustentar o ritmo e o alcance da operação.

Segundo o general, o componente aéreo teve como missão prioritária neutralizar sistemas de defesa antiaérea venezuelanos e criar um corredor seguro para helicópteros de infiltração em voo a baixa altura.

“O objetivo do nosso componente aéreo foi, é e sempre será proteger os helicópteros e a força terrestre, levá-los ao alvo e trazê-los de volta”, afirmou o general Dan Caine.

Bombardeios de precisão contra posições militares e unidades antiaéreas venezuelanas permitiram que as aeronaves de asas rotativas avançassem até o alvo com risco reduzido, apesar de pelo menos um helicóptero ter sido atingido por fogo inimigo, permanecendo, ainda assim, aeronavegável.

Vídeos divulgados por moradores mostraram formações de helicópteros voando a baixa altitude sobre Caracas durante a madrugada, enquanto diversos caças mantinham cobertura aérea e vigilância contínua. A integração entre meios aéreos, forças especiais em solo, inteligência e ativos de guerra eletrônica foi apontada pelo Pentágono como determinante para a rapidez da ação e para a extração segura dos alvos.

Trump classificou a missão como “ousada” e afirmou que se tratou de um nível de integração operacional “que só os Estados Unidos conseguem realizar”. Já o secretário da Defesa, Pete Hegseth, descreveu o emprego conjunto de aviação de combate, guerra eletrônica e assalto aéreo como uma demonstração de “precisão, coragem e poder” das forças armadas norte-americanas.

Após a captura, Maduro foi transferido por via aérea e posteriormente apresentado a bordo do navio anfíbio USS Iwo Jima, no Caribe. O ex-líder venezuelano deverá responder nos Estados Unidos a acusações federais relacionadas a narcoterrorismo e tráfico de drogas.

A operação marca um dos maiores e mais complexos empregos de poder aéreo norte-americano na região nas últimas décadas e reforça o papel central da aviação militar moderna em missões de captura de alto valor, especialmente em ambientes urbanos densos e fortemente defendidos.

Planejamento e execução

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, disse que o planejamento da missão começou meses antes da execução. “O trabalho preparatório se apoiou em décadas de experiência em operações de caça a terroristas e contou com a participação de todos os componentes da força conjunta, em coordenação com a comunidade de inteligência e as forças policiais”.

De acordo como general, os helicópteros realizaram a aproximação a Caracas voando a cerca de trinta metros acima da água. Um dos vetores foi atingido por disparos no momento que antecedia o pouso, mas conseguiu prosseguir com a missão em segurança.

Cronologia da ação

A força de ataque chegou ao alvo às 2h01, horário local de Caracas (1h01 em Brasília), obtendo, segundo os militares, total elemento surpresa. A retirada da área ocorreu às 2h29, horário local (3h29 em Brasília). Não houve mortes entre os militares norte-americanos, embora alguns tenham ficado feridos.

Imagens divulgadas posteriormente pela Casa Branca indicam que perfis de Osint (Inteligência de Fontes Abertas) em redes sociais foram monitorados em tempo real como parte das medidas de Opsec (segurança operacional). O emprego desse tipo de monitoramento é semelhante ao registrado durante a chamada Operação Martelo da Meia-Noite, conduzida anteriormente contra instalações nucleares do Irã.

Impactos no tráfego aéreo civil

Por determinação da agência federal de aviação civil dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês), companhias aéreas foram orientadas a não sobrevoar o espaço aéreo da Venezuela durante o fim de semana da operação. Por meio de plataformas de monitoramento de voo, como o Flightradar24 foi possível notar a ausência de tráfego civil sobre todo o território venezuelano.

A JetBlue disse que cancelou cerca de 215 voos na região do Caribe em função da operação especial. No Brasil, a Gol Linhas Aéreas já havia suspendido os voos de/para Caracas em dezembro.  A Azul cancelou os voos entre Belo Horizonte e Curaçao ontem (4) e hoje (05), citando as restrições no espaço aéreo venezuelano. Já a Latam Airlines não faz voos comerciais para a Venezuela.

Transferência de Maduro

Após a captura, Nicolás Maduro foi transportado por aeronave até o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, de onde havia partido a força de ataque. Dados de plataformas de rastreamento indicam que, na base norte-americana de Guantánamo, ele foi embarcado em um Boeing 757 do Departamento de Justiça dos Estados Unidos com destino a Nova York.

Logo após a operação, Maduro e primeira-dama Cilia Flores, foram formalmente indiciados no Distrito Sul de Nova York. “Maduro foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos”, explicou Pamela Bondi, procuradora-geral dos Estados Unidos.

Imagens divulgadas pela Casa Branca

Pouco antes de uma coletiva de imprensa, Donald Trump divulgou uma fotografia de Maduro a bordo do Iwo Jima. A imagem mostra o líder venezuelano vestindo um agasalho esportivo, com óculos escuros, protetores auriculares e um dispositivo de flutuação de emergência, sendo escoltado por agentes da DEA, a agência federal dos EUA para combate ao tráfico de drogas.

Por Marcel Cardoso e Edmundo Ubiratan
Publicado em 05/01/2026, às 08h41


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