AERO Magazine

Efeito aéreo

O efeito da aviação no clima global

Os impactos da aviação na concentração de dióxido de carbono na atmosfera

Por Ernesto Klotzel em 31 de Agosto de 2018 às 19:00

As Nações Unidas realizaram um estudo para entender o impacto das operações aéreas no meio ambiente. O estudo conduzido pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) e a Organização Mundial de Meteorologia (WMO) mostra que a aviação contribui com 4,9% da mudança de clima causado pela influência humana, incluindo as emissões do dióxido de carbono e outros gases para o efeito estufa.

O transporte aéreo é considerado fundamental na sociedade contemporânea, que além de reduzir o tempo de viagem pelo globo, trouxe maior segurança ao transporte e gera bilhões de dólares a economia global. Contudo, durante o Painel Governamental sobre a Mudança de Clima (IPCC), pesquisadores constataram que um dos maiores contribuintes na emissão de dióxido de carbono é o querosene de aviação. Além disso, é um recurso escasso, já que poucas reservas de petróleo possuem condições de fornecer um óleo cru que atenda aos complexos requisitos da indústria petroquímica para transformação em querosene aeronáutico. Sua extração e refino contribuem ainda mais para aumentar seu impacto no clima.

No último ano mais de 4 bilhões de passageiros foram transportados apenas por empresas aéreas regulares, com outros 2 bilhões de pessoas voando em aviões privados, o que estatisticamente corresponde a quase a totalidade dos habitantes do planeta. Nesse exato momento aproximadamente 10.000 aviões estão voando simultaneamente, transportando mais de 1,5 milhão de pessoas.

À medida que cresce a demanda pelo transporte aéreo o setor estuda medidas para reduzir os efeitos negativos da atividade aérea. Empresas como a holandesa KLM e a alemã Lufthansa se tornaram pioneiras ao envolver seu planejamento estratégico com questões ambientais. Ao mesmo tempo, os principais fabricantes de aeronaves do mundo, aliado aos fabricantes de motores, passaram a buscar projetos mais eficientes.

Na última década surgiram aviões comerciais e de negócios equipados com motores que consomem, em média, 20% menos que seus antecessores. Além disso, projetos mais modernos de asas, fuselagem e de materiais utilizados na estrutura das aeronaves, permitiram redução no consumo acima dos 10%. Somado a melhorias nos sistemas de navegação e de gestão do espaço aéreo, as mais modernas aeronaves do mundo chegam a ser até 50% mais eficientes que aviões projetados apenas 20 anos atrás. Como comparativo, um Airbus A380 consome menos de 3 litros de querosene por passageiro a cada 100 km voados. Já um Boeing 787-9 consome 2,3 litros por passageiro a cada 100 km voados. Comparados aos aviões do início da era do jato a diferença é ainda maior. Um Boeing 707, da década de 1960, consumia 9 litros nessa mesma métrica.

Aeronaves antigas como o 737-200 (acima), utilizada pela Vasp, consumiam até 80% mais combustível que aeronaves como o 737 MAX e A320neo

Ainda assim a indústria busca novas alternativas que posam reduzir ainda mais os efeitos nocivos da aviação, incluindo ruído. Atualmente centenas de fabricantes de aeronaves, assim como agencias espaciais, como a Nasa, trabalham em projetos de motores elétricos. O objetivo é tornar os modelos atuais mais leves, energeticamente mais eficientes, ao mesmo tempo que possam aumentar sua potência total. Outros projetos envolvem maneiras de solucionar o armazenamento de energia elétrica, com baterias mais modernas e leves. Alguns estudos ainda tentam encontrar alguma solução para o uso de energia solar.

No momento, algumas soluções já estão em fase avançada, como uso disseminado de biocombustíveis aeronáuticos, que até 80% menos dióxido de carbono que combustíveis fosseis.

Nos Emirados Árabes Unidos, o Consórcio de Pesquisas de Bioenergia Sustentável Masdar (SBRC) tem se empenhado em pesquisas importantes referentes ao desenvolvimento do biocombustível. Estabelecido em 2011 e financiado pela Boeing, Etihad Airways e outros parceiros de pesquisa, o papel consórcio busca promover o avanço do compromisso de implementar as práticas sustentáveis através de uma fonte mais limpa de combustível.

Sob o ponto de vista da legislação, foram registrados desenvolvimentos significativos, em 2016, um total de 191 países assinaram protocolo nas Nações Unidas concordando reduzir em até 50% as emissões de poluentes até 2050.

Outra medida, bastante controversa, é a emissão de títulos de carbono. Uma empresa aérea possui autorização para emitir um determinado limite de poluentes ao longo do ano. Caso necessite ultrapassar esse valor a empresa é obrigada a negociar um título adicional, em geral cotado na bolsa de valores. O objetivo é incentivar as empresas a buscarem formas de reduzir suas emissões, como adquirindo aeronaves mais modernas e eficientes. Porém, alguns críticos afirmam que dependendo dos valores que ais títulos atingirem poderá haver um lobby para barrar o desenvolvimento de novas tecnologias, já que se torna financeiramente mais atraente investir em títulos de carbono.

Outra preocupação é o ruído gerado pelas operações aéreas. A maioria dos motores aeronáuticos atuais são até 80% mais silenciosos que os motores projetados na década de 1970. Ainda assim, os aeroportos também buscam soluções para amenizar o efeito do barulho na vizinhança. Algumas alternativas inclui a construção de barreiras antirruído ao redor do sítio aeroportuário.

A Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO), está promovendo a sustentabilidade através de quatro iniciativas principais: produção de aeronaves mais silenciosas, gestão do terreno em torno dos aeroportos de modo sustentável, adoção de procedimentos operacionais para reduzir o impacto do ruído no solo, e introdução de restrições operacionais.

A expectativa é que o setor consiga reduzir no médio prazo a maior parte dos efeitos nocivos causados por poluição atmosférica e sonora.


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