Renovação

Empresa israelense vai converter o A330-300 para versão cargueira

Demanda do setor de carga e aposentadoria de aeronaves novas ampliam interesse pelo bimotor da Airbus


Oferta de A330-300 usados deverá favorecer renovação da frota de cargueiros médios nos próximos anos

A Israel Aerospace Industries (IAI) se prepara para lançar o programa de conversão do Airbus A330-300 para a variante cargueira, dentro do seu conhecido processo P2F (Passenger to Freighter). O objetivo é ampliar a oferta de aeronaves cargueiras baseado em modelos avançados.

A expectativa é que o futuro A330-300F possa substituir a frota atual dos 767-300F, que embora ofereçam boa capacidade de carga, é baseado em uma geração anterior ao bimotor da Airbus.

O ingresso da IAI no mercado de conversão do A330-300 ocorre em um momento de grande oferta de aeronaves usadas, com baixo número de ciclos e milhares de horas de voo disponíveis, que foram retiradas definitivamente de serviço de transporte de passageiros como efeito da pandemia de covid-19.

A alemã EFW GmbH foi a primeira a iniciar um processo de conversão dos A330-300, o que ocorreu ainda antes da pandemia, obtendo alguns contratos importantes nos últimos meses. A CDB Aviation, subsidiária do banco China Development Bank Leasing, formalizou um acordo para conversão de dois A330-300, que devem iniciar o processo no início do de 2021. Os aviões devem ser entregues em meados de 2022, marcando o ingresso da CDB Aviation no mercado de modelos convertidos.

“Estamos vendo um interesse crescente de nossos clientes por cargueiros de médio porte na medida que procuram tirar proveito da utilização recorde de cargueiros, [gerada] pela demanda de e-commerce em rápido crescimento e dos rendimentos de carga mais elevados”, explicou Patrick Hannigan, CEO da CDB Aviation.

Atualmente existem aproximadamente 600 cargueiros médios, baseados sobretudo nos Boeing 767-200 e 767-300, assim como nos Airbus A300, modelos projetados no final dos anos 1970, muito dos quais já superam os 30 anos de uso.

As empresas aéreas regulares pressionadas pelos elevados custos de manutenção da frota estacionada, que inclui o pagamento do contrato mensal de aluguel ou financiamento, somado aos investimentos necessários para manter as aeronaves em condições de voo em um momento de quase completo cancelamento de rotas em todo o mundo, optaram por se desfazer de aviões muitas vezes novos. Por outro lado, o setor de carga aérea, que vinha sofrendo com a retração do comércio internacional, ganhou novo folego em 2020 e espera se beneficiar da oferta de aeronaves seminovas aptas a serem convertidas em cargueiros.

Com a demanda de transporte aéreo, especialmente de empresas de comércio eletrônico, houve uma mudança no tipo de carga embarcada. A maior parte das encomendas são de pessoas físicas, por produtos com baixa densidade, o que não exige modelos com grande peso máximo de decolagem. A IAI e a EFW acreditam que haverá uma natural renovação da frota de cargueiros da categoria do 767-300, com as empresas migrando para o modelo da Airbus por sua maior capacidade de transporte, menores custos operacionais e idade, que em muitos casos é inferior aos dez anos.

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Por Edmundo Ubiratan

Publicado em 24 de Novembro de 2020 às 14:30


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