Mãe Rússia

Conheça o porta-aviões russo que está em missão no Mediterrâneo

Forças da coalização russa contra o Estado Islâmico representam um desafio à OTAN


A escalada nas tensões da Síria levou a um acirramento ainda mais intenso entre os Estados Unidos e a Rússia, que travam uma luta de bastidores pela influência política na região. Todavia, ambos os labos apostam em seu poderio militar para dar uma resposta a suas ambições, oficialmente a destruição do Estado Islâmico.

Um dos maiores movimentos da Rússia foi o deslocamento para o Mediterrâneo do seu porta-aviões Admiral Kuznetsov. O único porta-aviões da marinha russa raramente é empregado em missões de combate real, especialmente por seu elevado custo operacional.


Embora distante do poder dos porta-aviões norte-americanos popularmente conhecidos nos meios militares como supercarrier, o Admiral Kuznetsov se destaca por sua versatilidade e sua capacidade de operar com aeronaves de grande porte.

Designado oficialmente pela marinha russa como TAVKR, acrônimo para porta-aviões pesado e cruzador, o navio foi desenvolvido dentro da estratégia da extinta União Soviética que pretendia dispor de duas embarcações destinadas a apoiar e defender submarinos estratégicos armados com mísseis balísticos e navios de superfície. Para isso, o navio deveria ser capaz de operar com caças embarcados de grande porte e helicópteros de guerra naval.

Construído na década de 1980, o Admiral Kuznetsov foi comissionado em janeiro de 1991, declarado operacional em 1995. Abalada pelos severos cortes orçamentários da era pós-Soviética, a agora marinha russa vendeu para a China o segundo exemplar, designado como Varyag, que estava em fase avançada de construção. Curiosamente, uma das condições contratuais prevê que ele jamais seja empregado em combate.

O navio possui um convés com 306 metros de comprimento e largura de 75 metros, com deslocamento de 60.000 toneladas e capacidade para 1.960 tripulantes, sendo 518 oficiais. A frota embarcada é composta pelos caças navais Sukhoi Su-33 e os helicópteros antissubmarino Kamov Ka-27.

Atualmente, o Admiral Kuznetsov lidera a coalizão russa no Mediterrâneo, estacionado perto da costa da Síria, chefiando o grupo naval russo da Frota do Norte. Seu translado para a região foi bastante conturbada e manteve as forças da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em alerta constante.

No início de novembro, um submarino holandês foi detectado no leste do Mediterrâneo na tentativa de se aproximar do grupo naval russo e monitorá-lo. As autoridades afirmaram que os destroieres detectaram o submarino à distância de 20 km por meio de sistemas sonoros e informações fornidas pelos Ka-27.

“Os navios monitoraram o submarino por uma hora e o obrigaram a abandonar a área onde estava o grupo naval”, afirmou o major-general Igor Konashenkov. “As tentativas desajeitadas de manobrar na área próxima aos navios russos poderiam ter causado um incidente marítimo sério”.

A Rússia tem mostrado sua capacidade de dissuasão e utilizado o Admiral Kuznetsov como força de ataque aos alvos do estado islâmico e de demonstração de força aos países europeus e aos Estados Unidos.

Ainda assim, Moscou declarou que em 2018 iniciará a modernização do navio, que estará a cargo do estaleiro Zvezdochka. Embora não tenha sido divulgado o que será implementado, interlocutores na Rússia acreditam que o foco será nos sistemas eletrônicos e na capacidade de combate com mísseis

Su-33

Principal avião de combate embarcado da marinha russa, o Su-33 é um projeto derivado do Su-27 Flanker destinado a operações no Admiral Kuznetsov, sendo inicialmente designado como Su-27K. Embora o primeiro voo tenha ocorrido em 1987, apenas em 1998 a aeronave foi declarada operacional. Cortes orçamentários e as dimensões exageradas do modelo reduziram sua produção a menos de 40 aeronaves.

O programa para desenvolvimento do Su-33 iniciou em 1971, em um birô de projetos da então Sukhoi e entre os principais requisitos estava a capacidade para operar embarcado com decolagem em corrida pelo convoo, com auxílio do ski jump (rampa) ao final e pouso enganchado em cabos de parada.

O Su-33 se destaca do Su-27 por sua estrutura reforçada, para operar a partir de porta-aviões, assim como um trem de pouso redesenhado. Entre as principais mudanças de projeto estavam o redesenho das superfícies de controle, slats e flaperons, que foram projetados para permitir maior manobrabilidade em baixas velocidades. Embora as asas sejam basicamente as mesmas, os refinamentos aplicados permitiram ampliar sua área total em quase 12%, possibilitando menor velocidade de decolagem e pouso. Além disso, a aeronave recebeu um gancho de parada e asas dobráveis.

O Su-33 possui doze pontos duros, permitindo carregar até quatro misseis R-73 e seis R-27E, assim como uma ampla variedade de foguetes não-guiados e bombas. Outro destaque é a possibilidade de utilizar os mísseis antinavio R-27EM.

Da redação

Publicado em 16 de Novembro de 2016 às 14:30


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