AERO Magazine
Busca

Segurança de Voo

Acidente aéreo com Mamonas Assassinas completa 30 anos

Relembre o acidente aéreo de 2 de março de 1996 com o Learjet 25D que transportava os Mamonas Assassinas


Mamonas
Relatório do Cenipa apontou falhas operacionais e fatores humanos na aproximação noturna do jato executivo em Guarulhos - Divulgação

No final da noite de 2 de março de 1996, há exatos trinta anos, um Learjet 25D, de matrícula, PT-LSD, colidiu com a Serra da Cantareira, nos arredores do Aeroporto Internacional de Guarulhos, provocando a morte dos cinco integrantes da banda Mamonas Assassinas, além de outros quatro ocupantes.

A aeronave realizava voo fretado entre Brasília e o São Paulo quando colidiu com o terreno durante procedimento de arremetida e circuito visual noturno.

O acidente ocorreu por volta das 23h16 (horário local) e foi classificado como CFIT (Controlled Flight Into Terrain), quando uma aeronave em condições controladas impacta o solo.

Perfil da aeronave e do voo

O Learjet 25D, era um modelo amplamente empregado na aviação de negócios nos anos 1990, configurado para transporte corporativo e fretamentos. A operação era conduzida sob regras de voo por instrumentos (IFR), em condições meteorológicas adversas, com registro de chuva e teto baixo na região metropolitana pouco antes do acidente.

De acordo com relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado em 1997, a tripulação executava procedimento de arremetida após tentativa inicial de pouso. Durante a manobra, o jato pediu cancelamento do procedimento por instrumentos, passando a voar visual, mas curvou para a esquerda após cruzar a cabeceira, indo em direção a Serra. O procedimento visual previa saída pela direita. Sem referências visuais, o jato colidiu com o topo da Serra da Cantareira, a aproximadamente 16 km da cabeceira da pista.

O relatório apontou como fatores contribuintes falhas na coordenação da cabine (CRM), aproximação não estabilizada e perda de consciência situacional quanto à altitude mínima de segurança.

Em nota técnica à época, o Cenipa disse que “a aeronave encontrava-se aeronavegável, e não foram identificadas falhas mecânicas que justificassem o acidente”, atribuindo o evento principalmente a fatores operacionais e humanos.

Vítimas e impacto

Morreram no acidente os cinco integrantes da banda — Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli — além dos dois pilotos e de dois membros da equipe da banda. 

A tragédia teve ampla repercussão nacional, tanto pelo perfil midiático do grupo quanto pelo momento de ascensão comercial da banda, que havia lançado seu álbum de estreia em 1995, alcançando o estrelado e vendas expressivas em poucos meses.

A aviação de negócios nos anos 1990

Na década de 1990, a frota brasileira de jatos de negócios e turboélices utilizados para fretamento crescia de forma consistente, com operações realizadas por empresas de táxi-aéreo sob regulamentação então vigente do então Departamento de Aviação Civil (DAC), órgão antecessor da atual Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

O acidente do Learjet 25D passou a integrar a base de dados de ocorrências relevantes analisadas por autoridades aeronáuticas, servindo como referência para aperfeiçoamento regulatório e treinamento técnico. Ainda hoje, fatores contribuintes para o acidente seguem ocorrendo.

Por Marcel Cardoso
Publicado em 02/03/2026, às 17h52


Mais Notícias