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IATA Annual General Meeting 2026

Diante da pressão com custos, companhias aéreas focam em rentabilidade e IA

Pesquisa revela que CEOs de companhias priorizam controle de custos, IA, eficiência operacional e renovação de frota para enfrentar os desafios do setor


FLN
Levantamento com 21 CEOs de companhias aéreas aponta controle de custos, inteligência artificial, eficiência operacional e renovação de frota como prioridades estratégicas para enfrentar a pressão sobre as margens em 2026 - Zurich Airport Brasil

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As companhias aéreas enfrentam em 2026 um ambiente operacional marcado por aumento dos custos de combustível, inflação persistente, atrasos na entrega de aeronaves e pressão sobre as margens financeiras.

Nesse contexto, o controle de custos tornou-se a principal prioridade estratégica dos CEOs do setor, segundo a pesquisa divulgada na última quarta-feira (3), pela empresa de auditoria Deloitte com 21 presidentes de empresas aéreas de diferentes regiões do mundo, entre os meses de abril e maio.

O levantamento mostra uma mudança significativa nas prioridades da alta liderança da aviação comercial. Temas como experiência do cliente, inovação e cultura organizacional perderam espaço para iniciativas voltadas à preservação de caixa, eficiência operacional e rentabilidade.

Custos

A pesquisa aponta que a volatilidade dos preços do combustível e a inflação passaram a ocupar o topo da lista de riscos para as companhias aéreas em 2026. Em consequência, o controle de custos e a saúde financeira tornaram-se a principal prioridade estratégica dos CEOs consultados.

Segundo o relatório, o setor iniciou o ano com projeções favoráveis, incluindo expectativa de transporte de 5,2 bilhões de passageiros, fator de ocupação global recorde de 83,8% e lucro líquido de US$ 41 bilhões. Entretanto, a elevação dos custos operacionais alterou significativamente esse cenário.

A Deloitte destaca que as empresas estão adotando uma postura voltada à proteção de margens, influenciando decisões relacionadas a crescimento, investimentos em tecnologia e gestão de pessoal.

Crescimento baseado em eficiência

Com mais de 5.300 entregas de aeronaves atrasadas globalmente, as empresas aéreas estão concentrando esforços em maximizar o desempenho da capacidade já disponível.

Nesse cenário, a gestão de receitas (revenue management) passou a liderar as iniciativas de crescimento. O objetivo é aumentar o rendimento por assento por meio de precificação dinâmica, segmentação de mercado e otimização da receita, sem necessidade de expansão de frota ou abertura de novas rotas.

A pesquisa também identificou uma maior atenção ao desempenho operacional, com destaque para pontualidade e recuperação de irregularidades operacionais (IROPs), indicadores considerados críticos tanto para passageiros quanto para reguladores.

Inteligência artificial

A inteligência artificial (IA) emergiu como a principal prioridade tecnológica do setor aéreo em 2026.

De acordo com o levantamento, aplicações de IA e aprendizado de máquina ultrapassaram iniciativas tradicionais de análise de dados e passaram a ocupar o primeiro lugar entre os investimentos tecnológicos das companhias.

O principal caso de uso continua sendo a gestão de receitas e precificação dinâmica, apontado por mais de 80% dos CEOs entrevistados. Outras áreas em expansão incluem otimização do consumo de combustível, eficiência das operações aeroportuárias e produtividade da força de trabalho.

O estudo mostra que os principais obstáculos para adoção da IA não estão relacionados à tecnologia ou ao financiamento, mas à disponibilidade de talentos especializados, à resistência cultural às mudanças e à integração com sistemas legados.

Transformação da força de trabalho

As prioridades de recursos humanos também refletem o avanço da inteligência artificial.

Ferramentas de produtividade baseadas em IA, programas de capacitação (upskilling) e requalificação profissional (reskilling) aparecem como as principais iniciativas voltadas à gestão de talentos em 2026.

Segundo a Deloitte, o foco das empresas deixou de ser a recomposição de quadros após a pandemia e passou a concentrar-se na preparação dos profissionais para trabalhar em ambientes cada vez mais automatizados.

Agenda de sustentabilidade

A pesquisa mostra que a sustentabilidade continua presente na agenda dos CEOs, porém sob uma ótica mais pragmática e associada ao retorno financeiro.

A modernização de frota registrou o maior avanço entre as prioridades ambientais do setor. O movimento ocorre em um momento em que os atrasos na cadeia de suprimentos mantêm aeronaves mais antigas em operação por mais tempo, elevando consumo de combustível e custos operacionais.

O relatório destaca que a frota global está, em média, cerca de dois anos mais antiga do que os padrões históricos devido aos atrasos nas entregas de novos aviões.

Já o combustível sustentável de aviação (SAF) permanece como um elemento importante das estratégias de descarbonização, embora os CEOs demonstrem preocupação com restrições de oferta, disponibilidade de matéria-prima e custos de produção.

Execução operacional

Entre as competências consideradas mais importantes para liderar uma companhia aérea no atual cenário, os CEOs apontaram execução operacional, pensamento estratégico e engajamento dos colaboradores.

Por outro lado, características associadas à inovação e à centralidade no cliente perderam relevância em comparação ao levantamento anterior.

A pesquisa sugere que os executivos estão priorizando estabilidade operacional e disciplina financeira diante de um ambiente marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.

Por Marcel Cardoso
Publicado em 05/06/2026, às 20h48


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