Labace 2015

Momento estratégico

Maior evento aeronáutico do país reúne fabricantes das principais aeronaves de negócio do mundo na disputa por um mercado que continua ativo, apesar das diversidades macroeconômicas

Por Giuliano Agmont e Edmundo Ubiratan / fotos Ricardo Torquetto em 3 de Setembro de 2015 às 00:00

Cessna Citation Latitude pousou pela primeira vez no Brasil

Cessna Citation Latitude pousou pela primeira vez no Brasil

A Associação Brasileira de Aviação Geral mudou as regras de acesso à Latin American Business ­Aviation Conference & Exhibition em 2015. Os organizadores cobraram ingressos de pilotos, estudantes e funcionários das empresas expositoras, o que reduziu o número de visitantes na feira. O público, segundo a ABAG, ficou pouco abaixo de 10.000 pessoas nos três dias do evento. O número de aeronaves também diminuiu. Participaram da exposição estática 50 aviões e helicópteros. Para Ricardo Nogueira, diretor-geral da ABAG, o resultando foi positivo. “Os expositores tiveram mais chance não só de conversar com seus clientes como, também, demonstrar melhor produtos e serviços”, avalia Nogueira, que confirmou a Labace 2016 mais uma vez para o aeroporto de Congonhas nos dias 23, 24 e 25 de agosto, imediatamente após o encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O clima em São Paulo ajudou. Com menos gente, mais espaço entre as aeronaves e um sol de inverno, a Labace reservou momentos agradáveis para quem circulou pelos corredores do evento. As incertezas econômicas estavam em quase todos os discursos, mas o que se viu em Congonhas foi uma demonstração do que homens de negócios fazem em momentos de crise: trabalham em dobro. Falar com os executivos durante o Labace não era tarefa fácil. O entra e sai das salas de reunião montadas nos estandes dos expositores era o termômetro de que o mercado brasileiro continua ativo.

A vitalidade dos negócios no Brasil podia se confirmar no estande da Dassault Falcon Jet, que levou o já célebre chef Erick Jacquin para cozinhar para convidados a bordo de seus dois jatos expostos, o 7X e o 2000S. Confiante no país, o fabricante francês obteve na semana da Labace a formalização de um pedido para um de seus jatos, deixando claro que o segmento dos jatos de longo alcance segue fortalecido.

Na avaliação de Luiz Sandler, vice-presidente regional para América Latina da Gulfstream, a economia do Brasil é alinhada com a global. “Um avião de longo alcance permite ao executivo chegar rapidamente a novos mercados”, diz Sandler. A própria Gulfstream é um dos exemplos de confiança no mercado brasileiro. A empresa trouxe para a Labace o G650ER, que tem atraído a atenção do mercado por alcançar distancias de até 7.500 nm (13.890 km). Se o objetivo da missão for velocidade, o jato também pode voar a Mach 0.925. As aeronaves de longo curso são vistas como um atrativo extra para quem necessita diversificar seus negócios e buscar novos mercados e parcerias em outros continentes. No caso da Gulfstream, o Brasil continua entre os três maiores mercados da região, logo atrás do México e à frente da Venezuela. A frota brasileira tem apresentado um crescimento constante na última década, em parte devido ao crescimento da economia. A Gulfstream tem mantido uma série de investimentos no país, como a inauguração de um completo centro de manutenção próprio, em Sorocaba, no interior paulista.

Trijato Falcon 7X no estande da Dassault Trijato Falcon 7X no estande da Dassault

A Bombardier levou três jatos para a Labace, os novos Learjet 75, Challenger 350 e Global 6000. A frota do fabricante canadense na América Latina se concentra principalmente no Brasil e no México. Juntos, os dois países têm 400 aeronaves da marca, o que representa 60% do total da região. “Entre 2015 e 2024, a Bombardier espera entregar outras 850 aeronaves, avaliadas em US$ 24 bilhões na América Latina”, acredita o vice-presidente regional de Vendas para a América Latina, Stéphane Leroy. Sobre as dificuldades financeiras pelas quais passa a Bombardier, um experiente funcionário da empresa, que pediu para não ser identificado, deu uma boa pista do que pode ser a origem do problema. “Decidimos promover muitos programas ao mesmo tempo”, se referindo ao CSeries, aos Global 6000/7000/8000, aos Challenger 350/650 e aos Learjet 70/75/85. “Eram programas demais para um só fabricante, mas já fizemos os devidos ajustes de rota”. 

Além da Bombardier, a Líder Aviação, representante da marca canadense no país, também dedicou atenção para outras empresas do seu portfólio. Destaque para o HondaJet, que fez sua primeira aparição pública na América do Sul. Ainda sem certificação de tipo definitiva, o avião já tem pelo menos uma encomenda no Brasil, confirmada no primeiro dia da feira, segundo a própria Honda. “Estamos muito satisfeitos com a pronta resposta ao Honda Jet pelos consumidores na América do Sul”, disse o presidente e CEO da Honda Aircraft, Michimasa Fujino. “Além de já recebermos encomendas, muitos outros visitantes da Labace expressaram interesse no Honda Jet durante o primeiro dia da Labace”.

A Honda Aircraft escolheu a Líder Aviação como representante exclusivo para serviços, vendas e suporte do Honda Jet no Brasil. De acordo Philipe Figueiredo, diretor de Vendas da Líder Aviação, a expectativa era a de obter bons resultados com o modelo, que oferece uma série de características que atendem ao mercado brasileiro. “Nossa expectativa era de já conseguir fechar negócios nessa primeira apresentação, e estamos felizes de termos alcançado o esperado”, ressalta. Após o evento, o modelo realizou uma série de voos de demonstração com potenciais clientes brasileiros.

A Líder também promoveu a tradicional linha de produtos Beechcraft, incluindo o Baron G58 e o King Air 250. Juntos, os estandes da Bombardier, da Honda e da Líder, além do espaço com modelos Beechcraft, próximos ao estande da Textron, ocupavam a maior área da exposição estática da Labace.

No sentido horário, família Phenom da Embraer, novo Bombarider Challenger 350 e winglet do Gulfstream  G650ERNo sentido horário, família Phenom da Embraer, novo Bombarider Challenger 350 e winglet do Gulfstream G650ER

Efeito dólar

Apesar das confirmações de vendas, o presidente da ABAG, Eduardo Marson, diz que a tendência de 2015 é de desaquecimento no mercado de aeronaves de negócio. Segundo ele, o maior problema não é a falta de dinheiro, mas, sim, a falta de decisão dos clientes. “O problema é justamente a falta de decisão. Este ano vemos um movimento incomum, poucos estão comprando ou vendendo”, comenta Marson. O vendedor de uma das grandes marcas presentes no evento é mais específico: “O dinheiro continua circulando, mas o que temos visto são clientes adiando sua compra”. Parte desse cenário se deve ao dólar, que vem registrando uma tendência de alta desde os primeiros meses do ano, mas com muitos apostando numa estabilização no segundo semestre.

A Cessna apresentou no Brasil uma série de novidades, com destaque para o Citation CJ3+ e o Citation Latitude, que pousaram no país pela primeira vez. O Brasil continua sendo um dos maiores mercados globais para a Cessna, incluindo nos segmentos de aviação leve, com destaque para a participação do Caravan. O Citation Latitude busca oferecer ao operador brasileiro uma combinação de cabine ampla dentro das principais necessidades do cliente, que em geral precisava de uma aeronave ampla e com alcance que permita operar entre São Paulo e as principais cidades do país e para Buenos Aires e Santiago, além de internet a bordo. O vice-presidente de Vendas da Textron para a América Latina e Caribe, Bob Gibbs, a principal virtude do Latitude é seu custo-benefício: “É a aeronave com maior cabine em sua faixa de preço, capaz de chegar às pistas que nossos clientes precisam ir. Procuramos conciliar um equilíbrio entre performance, preço e cabine”.

A Cessna faz parte do grupo Textron, que recentemente também adquiriu a marca Beechcraft. O negócio abriu caminho para que a TAM Aviação Executiva, representante da Cessna no Brasil, pudesse ser anunciada durante a Labace como um novo centro de serviços oficial da Beechcraft King Air no Brasil. Há mais de 10 anos, os centros de manutenção da TAM já estão homologados pela ANAC para atenderem aos modelos King Air. “Desde 2004, recebemos em nossos centros as aeronaves King Air. Não é uma relação nova, pelo contrário. A parceria é que está crescendo e o resultado é uma oferta maior de serviços para os clientes”, explica Fernando Pinho, presidente da TAM AE, citando a realização de manutenções em garantia e a venda de peças originais com preços mais competitivos. Com capacidade para atender a mais de 100 aeronaves ao mesmo tempo, o parque de manutenção da TAM inclui centros em Aracati (CE), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Jundiaí (SP).

Pilatus PC-12 no  estande da Synerjet

Pilatus PC-12 no estande da Synerjet

Mantendo uma tradição durante a Labace, a Embraer recebeu da ANAC o certificado de tipo do Legacy 450. O mais novo membro da família de jatos de negócios do fabricante brasileiro compete na categoria mid-light, com capacidade para até nove passageiros. Entre os destaques estão o comando de voo full fly-by-wire e o piso plano. A Embraer tem apostado nos diferenciais de cabine e tecnológicos para manter-se competitiva nos segmentos em que atua na aviação de negócios. Além disso, atualmente se destaca também pelo acabamento, como mostra o revestimento que acompanha sem emendas as bordas das mesas retráteis do Legacy 450. Atualmente, o foco da Embraer está no mercado norte-americano, onde existem mais de 12 mil jatos e a economia tem demonstrado claros sinais de crescimento. “Precisamos estar presentes no mercado americano da mesma forma que nossos principais concorrentes”, afirma Marco Túlio Pellegrini, vice-presidente da Embraer Executive Jets.

Turbo-hélices

Entre os turbo-hélices, destaque para o imponente e veloz TBM 900, exposto no estande do representante da Daher-Socata no Brasil, a Algar Aviation. “É uma aeronave que opera em pistas de todos os pavimentos com consumo de 220 litros por hora e velocidade de 600 km/h”, destaca Rui Almeida, diretor da marca para a América Latina.

Mesmo diante das incertezas da economia brasileira, a Pilatus Aircraft comemora bons resultados no país. “Existe um impacto, mas estamos confiantes no potencial do Brasil. O agronegócio continua sendo uma oportunidade para o PC-12 e especialmente para o PC-24”, acredita José Eduardo Brandão, da Synerjet, representante da Pilatus no Brasil. “O PC-24 é o avião perfeito para a maior parte das operações no Brasil”.

Uma das novidades da feira deste ano foi a presença do de Havilland Viking Twin Otter Série 400, um biturboélice asa alta de 19 assentos para ambientes extremos, que aceita configurações para missões VIP, aeromédico, paraquedismo ou carga. Ele pode ser equipado com esquis, flutuadores ou pneus largos para qualquer superfície.

Nesse mercado de operações versáteis, a briga já é acirrada entre os monoturboélices Cessna Grand Caravan EX e o entrante Quest Kodiak 100. Com 30 anos de existência, a família Caravan já foi certificada em 100 países e acumula mais de 13 milhões de horas de voo. A versão EX incorpora novo conjunto de estruturas de assentos leves, estofado mais durável e melhor ergonomia. Já a Quest chegou ao mercado brasileiro em um momento delicado, mas negocia a venda de seus primeiros modelos no país. O Kodiak 100 transporta até 10 passageiros, alcança até 1.100 nm e tem velocidade máxima de cruzeiro de 185 kts, pousando em pista realmente curtas para o seu tamanho.

Enquanto isso, o Beechcraft King Air continua hegemônico no mercado de biturboélices. Na Labace, a Textron mostrou o modelo 250 com novo painel Pro Line Fusion, que traz, segundo o fabricante, uma das arquiteturas aviônicas mais confiáveis para o primeiro sistema de display de voo totalmente touchscreen. O novo sistema aviônico aprimora como os operadores voam, navegam e se comunicam, por meio de uma interface única de voo. A certificação para o King Air 350i/ER com Pro Line Fusion deve acontecer no quarto trimestre deste ano, seguido pelo King Air C90GTx no primeiro semestre de 2016.

No mercado de aeronaves com cabines ultralargas, a Airbus acredita em um horizonte favorável para o novo ACJneo na América Latina, que deve ter 580 bilionários até 2017. “Serão 240 bilionários só no Brasil nesse período”, diz David Velupillai, diretor de Marketing e Comunicação da divisão Airbus Corporate Jets. Com oito passageiros, o alcance do ACJ319neo será de 12.500 km, uma autonomia de 15 horas. Já o ACJ320 neo poderá transportar 25 passageiros por 11.100 km, ou mais de 13 horas no ar. As entregas dos novos ACJneo devem começar em 2018.


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Artigo publicado nesta revista

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