NBAA 2014

Horizonte mais claro

Com portfólios definidos e reaquecimento da economia norte-americana, mercado de aviação executiva mantém trajetória ascendente; velocidade supersônica impõe-se como desafio a ser superado

Por Christian Burgos, de Orlando (FL) / Fotos divulgação em 7 de Novembro de 2014 às 00:00

A convenção anual da National Business Aviation Association é o evento mais indicado para se tomar o pulso do mercado de aviação executiva no mundo, e neste ano não foi diferente. Muitos alimentam sua esperança com bilhetes de loteria nos momentos de incerteza. Nesta NBAA as cartas mostraram-se postas à mesa e, apesar das instabilidades, as certezas se consolidam em detrimento das conjecturas em sentidos diversos. 

A respeitada análise com previsão de mercado da Honeywell continua apontando para crescimento e negócios robustos para aviação executiva nos próximos 10 anos. Os operadores seguem a manifestar interesse por jatos grandes, entre os super-midsize e ultra-long-range, com “forte desejo por cabines maiores, alcances superiores e aviônica mais avançada”, analisa Brian Still, presidente da Honeywell Aerospace. “As entregas esperadas para 2015 estão entre 670 e 675 jatos”.

Cessna Citation Latitude
Cessna Citation Latitude e Beechcraft King Air C90GTx, ambos da Textron 

Beechcraft King Air C90GTx

Reaquecimento americano

O que mudou foi o fato desse crescimento ser esperado de suas fontes pré-crise mundial, sobretudo do mercado norte-americano reaquecido. Os negócios na Europa estão (e devem permanecer) estagnados no curto prazo enquanto os Brics – o bilhete de loteria tão badalado até dois anos atrás – tiveram suas expectativas de crescimento rebaixadas.

A Rússia, que em 2013 já andava de lado, neste ano soma mais um problema, em particular pelas sanções que empresas americanas estão obrigadas a cumprir, inclusive no que tange à manutenção de aeronaves. Ganham as empresas não americanas, embora a lista de russos com quem se é proibido negociar seja realmente pequena. 

Na China, a esperança de um processo de mais liberdade ao uso de aeronaves particulares acabou atingida na política antiostentação do governo. A Índia, por sua vez, demonstrou-se um mercado muito difícil e, no Brasil, muitas decisões de compra de aeronaves maiores ficaram paralisadas nos meses de Copa e eleições e, agora, os operadores esperavam uma definição dos rumos da economia e, principalmente, do câmbio.

A cautela era a palavra da vez ao falar do futuro, mas mesmo neste ano de baixa expectativa alguns comemoravam os resultados, como a Daher-Socata e o Grupo Algar, que celebravam a venda total de modelos TBM para este ano com poucas unidades ainda a vender para o próximo ano. A Textron Aviation também apresentava pela primeira vez e orgulhosamente todo seu portfólio de Cessna, Beechcraft e Hawker. O CEO do grupo, Scott Ernest, salientou que o período de integração da Beechcraft ao grupo estava concluído e, quando indagado sobre novos projetos, ele disse que os projetos atuais na Cessna estavam se encaminhando muito bem. “Temos 1.700 engenheiros no grupo e eu preciso dar a eles o que fazer”, reforçou o executivo, levando à conclusão de que novidades podem ser anunciadas em breve na linha de aeronaves da Beechcraft. Os excelentes resultados da Textron no primeiro semestre do ano entusiasmaram também aos acionistas do grupo.

Os dois representantes no Brasil de produtos Textron marcaram presença na NBAA. Representante dos produtos Beechcraft, a Líder Aviação, que participou da feira pelo terceiro ano consecutivo, fechou parceria com a Paramount Resources Aviation Group. Segundo o diretor de Vendas de Aeronaves da Líder Aviação, Philipe Figueiredo, o acordo mostra o grande envolvimento da empresa com a profissionalização, buscando parceiros cada vez mais capacitados. “A parceria aconteceu especialmente em função do foco em segurança da Paramount”, afirma Figueiredo. A empresa será responsável pelos detalhes que envolvem a chegada de aeronaves no Brasil, desde o abastecimento, plano de voo, rota, serviços de bordo, tripulação e assim por diante. “A Líder Aviação tem presença dominante no mercado sul-americano, que experimenta um crescimento fantástico”, destaca Michael Johnson, presidente e executivo-chefe da Paramount. “Vamos auxiliar no gerenciamento por meio de apoio ao transporte e despacho necessário, assim a Líder pode focar no seu negócio”. 

Já a TAM Aviação Executiva, representante da Cessna e da Bell, participou pela primeira vez da NBAA com estande próprio, destacando seu parque de manutenção de aeronaves executivas no Brasil, além dos serviços de FBO doméstico e internacional, vendas de treinamento, gerenciamento, hangaragem e fretamento de aeronaves.

joint venture
Grupo Airbus cria joint venture no projeto do trijato supersônico Aerion

Cartas na mesa

O ano de 2014 mostrou que, do ponto de vista dos fabricantes de aeronaves, as cartas estão na mesa. Grandes e pequenos parecem ter apresentado todos os seus projetos e delineado o rumo do mercado para os próximos anos.

Nos jatos de grande porte, a Dassault está prestes a colocar em testes de voo seu Falcon 8X, que um ano depois será seguido pelo 5X. Durante a feira, a Embraer recebeu a certificação da FAA para seu Legacy 500 e, em breve, apresentará o Legacy 450. A Gulfstream apresentou os mock ups dos novos G400 e G500. Estas aeronaves revolucionam a linha do fabricante norte-americano confirmando os rumos de mercado em busca de mais área de cabine e do comando por sidestick. A Cessna apresentou quatro novos jatos certificados, o Latitude, o CJ3+, o Citation X+ e o Citation M2. E a Bombardier levou para a NBAA o certificado Challenger 350, o mockup do Challenger 650, um belo upgrade do Challenger 600 e o enorme e superconfortável mockup do Global 7000. A aposta no Learjet 85, estreante na NBAA, parece ser um dos caminhos certos da Bombardier. Já a Pilatus, que realizou o primeiro voo de seu PT24, está prestes a estender o campo de uso de jatos, com a categoria de jatos grandes e versáteis. Os suíços também apresentaram um upgrade de seu PT12.

Nos jatos leves, a Honda Jet está na iminência de entrar no mercado, após 11 anos de espera com a entrega da primeira aeronave a cliente prevista para 2015. Tudo indica que a entrada será feita em grande estilo, com passos certos e na direção correta, como ensina a cultura japonesa. O Brasil entra no mapa da HondaJet em 2015 mediante conversas com possíveis parceiros, visto que a companhia descarta entrar com escritório próprio no país.

A vez dos retrofits

O profundo desenvolvimento da tecnologia dos eletrônicos, tanto na navegação quanto no entretenimento de bordo e na comunicação, somado a gerações de motores mais potentes e eficientes, coloca retrofits e grandes modificações no centro da moda e não estão relegados a empresas especializadas, como a tradicional Blackhawk e a Nextant Aerospace. A própria Textron enxergou o filão e entra para valer no upgrade de sua frota Hawker e Beechcraft KingAir 90.

Tecnologia supersônica

interior do Pilatus PC-24

Protótipo do interior do Pilatus PC-24

A indústria de aviação, em suas atividades militar, comercial ou executiva, trabalha com horizontes largos de desenvolvimento e aposta em projetos elaborados em sintonia com seus clientes atuais para estarem em dia com as necessidades e desejos na data da entrega da aeronave. Neste momento, a indústria parece estar convergindo com relação às definições fundamentais de projetos e portfólio como, por exemplo, na tecnologia aplicada à cabine de comando com o uso de sidesticks, cabines mais amplas para os passageiros e aplicação de tecnologias de aviões maiores nos menores. Nesse sentido, os projetos parecem estar num compasso de desenvolvimento mais incremental do que de grandes inovações.

Nem imagine que isso possa significar que os aviões não estão evoluindo. Trata-se apenas de uma reflexão sobre o modelo de desenvolvimento. As pesquisas demonstram que todo usuário da aviação executiva quer um avião sempre mais rápido, mais confortável e com custos operacionais menores, sobretudo no que tange à eficiência em consumo de combustível. 

Esse desejo por conforto conduziu a cabines maiores e à aplicação do que há de mais moderno e atual em tecnologia de entretenimento nas aeronaves. A conectividade em voo também avança, embora a passos bem mais lentos. A eficiência no consumo de combustível se revela inquestionável, num desenvolvimento conjunto de fabricantes de aeronaves e motores. Entretanto, o desejo número 1 dos usuários – aeronaves mais rápidas – parece estar chegando a uma barreira, e foi o estudioso da aviação Antonio Siqueira Assreuy quem colocou o ponto de maneira tão clara que até uma criança poderia entender: “Hoje, para ir de São Paulo a Nova York, você praticamente leva o mesmo tempo que seu pai levava há 50 anos”.

Será que uma grande revolução estaria prestes a mudar com a joint venture do grupo Airbus no projeto do trijato supersônico Aerion? Essa parceria fez com que a pergunta sobre um projeto supersônico fosse apresentada a todos os grandes fabricantes em suas coletivas de imprensa. Alguns desconversaram elegantemente dizendo que estavam totalmente comprometidos com seus projetos atuais, outros disseram que não o fariam porque a legislação não permite o voo supersônico sobre áreas povoadas, outros que, apesar de já controlarem a tecnologia em seus caças, os motores atuais ainda não permitiriam isso.

A verdade pode ser outra. Comprovada pelo fato de que os atuais ganhos de velocidade são caros, incrementalmente baixos e comemorados com grande entusiasmo. Além dos enormes desafios técnicos para possibilitar que um executivo viaje com um nível de conforto similar ao atual em velocidade supersônica, uma grande barreira de incentivo econômico também se faz presente. Um número insuficiente de indivíduos estaria disposto a arcar com os custos e consumo de operar esta aeronave.

A parceria da Aibus com Aerion traz um pouco de esperança aos fãs do voo civil supersônico, mas o pronunciamento do grupo europeu foi bastante comedido. A empresa entra no projeto aportando sua capacidade de engenharia, construção e certificação para ganhar acesso ao conhecimento de design supersônico do Aerion. 

Fabricantes incrementam serviços de pós-venda de olho na fidelidade dos clientes

Challenger 650
Bombardier apresentou o mock-up do Challenger 650 na NBAA

O cliente é o rei

Na busca de se diferenciar, as companhias estão demonstrando uma competição cabeça a cabeça no quesito pós-venda. A presença de gigantescos (e caros) estoques de peças em pontos estratégicos do globo já é esperada e as grandes empresas do setor expandem sua rede com definições cirúrgicas e regionais. A Gulfstream já disponibilizava a seus clientes caminhões com peças e técnicos e até mesmo aeronaves que pudessem transportá-los com urgência para atender a emergências. Neste ano, a Dassault anunciou seu serviço Falcon Airborne Support, que vai manter em Le Bourjet duas aeronaves Falcon 900S em stand by para eventualidades, podendo levar técnicos e peças ao local onde uma aeronave está groundeada e serem utilizadas até para transportar o cliente a seu próprio destino enquanto o reparo de sua aeronave acontece. Outras empresas já ofereciam apoio para contratar um táxi-aéreo para isso, mas a disputa no campo dos serviços ao cliente também parece estar focinho a focinho.

A Textron, por exemplo, expandiu para a linha Beechcraft seu serviço de suporte ao cliente, o ProAdvantage, que visa apoiar compradores iniciantes no segmento com um portfólio de serviços, incluindo assessoria jurídica, suporte na busca de solução de financiamento, hangaragem, manutenção e até mesmo contratação de tripulação – que poderá ser da própria Textron e terceirizada ao cliente. Não à toa as primeiras posições nas pesquisas e premiações de satisfação de proprietários de aeronaves estão sendo determinadas e comemoradas na casa dos décimos de unidade.

A NBAA neste ano continuou sendo o palco principal para os mais importantes lançamentos da indústria no mundo e demonstrou que certamente estamos vivendo um momento de ouro para usuários e proprietários de aeronaves executivas.

Novos falcões

O Dassault Falcon 8X concluiu a campanha de ensaios em solo, o que abre caminho para o primeiro voo, previsto para ocorrer no primeiro trimestre de 2015. A junção da asa com a fuselagem, assim como a operações de instalação do motor no primeiro protótipo, foi concluída na fábrica da Dassault, em Mérignac, no início de julho último. Num ritmo intenso, mas dentro do cronograma inicial, a Dassault iniciou em outubro a campanha de ensaios em solo, incluindo testes no sistema de combustível e no sistema de controle de voo e de vibração. O run-up do motor é previsto para o final deste ano, mantendo o programa dentro dos prazos previstos.

A Dassault deverá utilizar três aeronaves na campanha de ensaios em voo e certificação, incluindo um totalmente equipado com interior. O segundo protótipo recém-concluído deve voar no segundo trimestre de 2015, seguido do terceiro avião no final do ano.

Já o novo Falcon 5X iniciou a fase de testes de solo, após ter concluído com sucesso os testes de power up em agosto. A previsão é que o primeiro voo ocorra na metade de 2015, com a certificação ocorrendo no começo de 2016. A Dassault vem mantendo um ritmo intenso de trabalhos ao ter dois projetos completamente novos sendo desenvolvidos em paralelo.

Challenger 650

A Bombardier apresentou na NBAA o Challenger 650, que recebeu uma série de melhorias em relação ao projeto original, como novo interior com galley 70% maior do que a do seu irmão mais velho, o 600. Ainda em conveniências, o modelo conta com uma nova rede de telefonia baseada na plataforma Iridium, assim como entretenimento via wi-fi, on demand. 

Também passou a ser standard no avião visão sintética, FMC com e-chart (IFIS) e ADS-B out.

O fabricante canadense também continua com o desenvolvimento dos novos membros da família Global. Durante a feira nos EUA, o fabricante canadense apresentou o mock-up em tamanho real do Global 7000, que conta com uma fuselagem 3,5 metros maior do que a do Global 6000, oferecendo, assim, além de maior espaço interno, novas opções de configuração de cabine. O alcance declarado pelo fabricante é de 7.300nm, com velocidade de cruzeiro de Mach 0.85. Também foi apresentado detalhes do Global 8000, que é quase 1 m maior do que o Global 7000 e oferece alcance máximo de 7.900 nm, com velocidade de Mach 0.85. Ambos aviões estão em fase avançada de desenvolvimento, devendo entrar em serviço em 2016 e 2017, respectivamente. A nova família Global é impulsionada pelos motores GE Passaport, que oferecem maior economia de combustível e menor emissão de ruído.

Cessna Citation X+
Cessna Citation X+

Família Citation

Mantendo a tradição de apresentar seus novos produtos na NBAA, a Cessna fez o debute do Citation Latitude, dando aos clientes e observadores da indústria a oportunidade de conhecer de perto o mais novo midsize da família Citation. “Da cabine ao cockpit, os clientes estão impressionados com o tamanho do Citation Latitude”, disse Kriya Shortt, vice-presidente sênior de Vendas e Marketing da Cessna.

A aeronave em exposição era um dos quatro Citation Latitude que estão voando no programa de teste de voo e certificação. Atualmente, segundo dados da Cessna, os protótipos acumulam mais de 600 horas de voo. As melhorias de desempenho demonstrado no programa de ensaios levaram a Cessna a atualizar algumas especificações da aeronave, como um aumento de 8% no alcance, passando para 5.000 km (2.700 nm), e a redução do comprimento de pista para decolagem, que passou para apenas 1.200 m. A velocidade de cruzeiro também deverá sofrer algumas alterações, devido ao bom desempenho em voo. A Cessna espera receber a certificação da FAA no segundo trimestre de 2015.

interior da cabine do Gufstream G500

interior da cabine do Gufstream G500

Outro destaque apresentado pelo fabricante foi o desempenho do Citation X+, que estabeleceu vários recordes de velocidade para sua categoria de peso e manteve-se como o avião civil mais rápido do mundo. Entre as marcas, destaque para o voo entre Seattle e Miami de 4.400 km (2.375 nm) em 4h52.

Para esse recorde, um dos protótipos decolou do King County International Airport (KBFI) para Opa-locka Executive Airport (KOPF) tendo registrado velocidade máxima de 995 km/h (537 ktas) no FL450 e GS de 900 km/h (486.2 kt). “É mais um exemplo de como o Citation X + atende à necessidade de velocidade dos clientes”, diz Scott Ernest, presidente e CEO da Textron Aviation. “Maximizar as horas do dia é o que a aviação executiva deve fazer. Quando você tem a oportunidade de passar menos tempo no ar e mais tempo na frente de seus clientes, você está fazendo a escolha de investir na conquista de mercado”.

O Citation X+ estabeleceu vários recordes de velocidade na categoria

De acordo com National Aeronautic Association, o Citation X+ definiu quatro recordes de velocidade durante um período de dois dias na categoria de peso C-1h (entre 12.000 kg e 16.000 kg) nos voos entre Wichita (KICT) e Seattle (KBFI); Seattle (KBFI) para Miami (KOPF); Miami (KOPF) e Seattle (KBFI); e Seattle (KBFI) para Wichita (KICT). Para o registro dos recordes, a aeronave preparada seguiu a rotina de um voo padrão, incluindo a tripulação necessária, quatro passageiros e bagagem. Com uma velocidade máxima de Mach 0.935, durante a validação dos recordes, foi registrada a velocidade máxima de Mach 0.916.

G500 e G600

Dias antes do início da NBAA, a Gulfstream promoveu o lançamento de duas aeronaves, que visam renovar o portfólio da marca, o G500 e o G600. O anúncio realizado na sede da empresa, em Savannah, contou com a presença de 3.000 pessoas, entre funcionários e convidados. Confirmando as expectativas do mercado, o anúncio foi realizado com o G500 já concluído, e até taxiando por meios próprios durante a cerimônia. O CEO da General Dynamics, Phebe Novakovic, apresentou também o mockup em escala real do futuro G600.

Os dois novos projetos se beneficiam das tecnologias desenvolvidas para o G650 e foram desenvolvidos para atender aos requisitos de diversos clientes da marca ao redor do mundo. A cabine dos aviões se distingue por sua ampla seção transversal, que proporciona maior espaço interno e melhor desempenho em voo. A cabine possui 2,13 m de largura e 1,88 m de altura, sendo considerada uma das mais largas do segmento. Outro destaque são as janelas ovais, idênticas às existentes no G650, consideradas as maiores já instaladas num avião civil.

Legacy 500
FAA certificou Embraer Legacy 500

O G500 tem alcance máximo de 9.260 km (5.000 nm) voando Mach 0,85 ou 7.040 km (3.800 nm) com velocidade de Mach 0,90. Enquanto o G600 deverá ter alcance máximo de 11.480 km (6.200 nm) voando Mach 0,85 ou 8.890 km (4.800 nm) a Mach 0,925. De acordo com o fabricante, a velocidade máxima para ambos os aviões será de Mach 0,925, a mesma do G650.

Os dois novos aviões podem transportar até 19 passageiros, sendo que o G500 possui três áreas de cabine enquanto o G600 oferece quatro, incluindo um espaço destinado ao descanso da tripulação. Ambas as aeronaves possuem dois lavatórios, um à frente e outro na parte posterior da cabine, além de uma completa galley. Os jatos possuem altitude de cabine de 1.480 m (4.850 ft)  voando no FL510, aumentando o conforto a bordo e reduzindo a fadiga causada pela pressurização.

O futuro em números

As entregas de jatos executivos nos próximos 10 anos

Até 9.450 jatos executivos serão entregues nos próximos 10 anos num volume de US$ 280 bilhões em receita. Um crescimento de 8% com relação à projeção de 2013 graças à antecipação de entrega de mais 200 aeronaves, ao modesto aumento de preços das aeronaves e à continuação da forte demanda por jatos grandes. Veja para onde vão os novos jatos nos próximos cinco anos:

- 59% America do Norte
- 18% Europa
- 17% America Latina
- 3% Ásia/Pacífico
- 3% África/Oriente Médio

Fonte: 23º Honeywell Aerospace’s Annual Business Aviation Outlook

Legacy em Melbourne

Dias antes do inicio da NBAA, a Embraer Aviação Executiva entregou o primeiro Legacy 500. O cliente-lançador, uma empresa brasileira, recebeu a aeronave em cerimônia realizada na sede da Embraer, em São José dos Campos, São Paulo. Com a certificação da FAA durante a NBAA, o fabricante brasileiro já pode iniciar as entregas do Legacy 500 nos EUA e outros lugares que requerem essa homologação específica. “A entrada em serviço do Legacy 500 é mais uma importante conquista da nossa empresa”, disse Marco Túlio Pellegrini, presidente da Embraer Aviação Executiva.

O Legacy 500 faz parte de uma nova geração de jatos executivos midsize com sofisticadas tecnologias nunca antes utilizadas na categoria, incluindo os processos de manufatura ao aliar automação, robótica e o conceito paperless em processos de fabricação. Dias antes da feira, a Embraer iniciou a ampliação da unidade americana de Melbourne, na Flórida, para montagem dos Legacy 500 e Legacy 450. A cerimônia contou com a presença do governador da Flórida, Rick Scott, e outras autoridades locais. A nova fábrica, com 22.000 m², deve entrar em operação em 2016. Terá quatro novos prédios, sendo um hangar de montagem, uma cabine de pintura, um centro para instalação de interiores e outro de preparação de voo, além de um novo centro de entregas dedicado. A Embraer realizará 600 novas contratações de forma gradual em um período de quatro anos a partir de 2016. Trabalham hoje no local cerca de 400 empregados.

Com a montagem final e entregas do programa Legacy, a Embraer vai dobrar, até 2016, sua presença em Melbourne, atualmente o polo aeronáutico e aeroespacial de mais rápido crescimento dos EUA.

Interior do ACJ319
Interior luxuoso do ACJ319

VVIP

A Airbus manteve em exposição estática um ACJ319 equipado com uma nova configuração de cabine, que proporciona ainda mais espaço interno. O modelo que por sua categoria já era o avião com a cabine mais larga e mais alta entre todos da NBAA, conta com uma nova solução de arranjo que oferece mais conforto aos passageiros. O ACJ319 em exposição é operado pela Tyrolean Jet Services, sendo oferecido para VVIP charter. O layout adotado oferece áreas de estar na frente, uma ampla suíte com banheiro e chuveiro, localizado no meio do avião e poltronas executivas na parte traseira. O modelo é certificado para 19 passageiros.

A Lufthansa Technik está desenvolvendo um revestimento especial para áreas externas dos aviões que se assemelha à pele de tubarão (estrutura ‘riblet’). Esse processo envolve uma nova aplicação de pintura, com uma microestrutura que reduz o arrasto e proporciona uma economia em combustível em torno de 1%. A empresa planeja iniciar a aplicação industrial em março de 2017, após completar o projeto de pesquisas FAMOS. O foco do projeto é um sistema de orientação para a aplicação automatizada de estruturas superficiais multifuncionais.

O FAMOS é coordenado pelo Ministério Federal de Assuntos Econômicos e Energia da Alemanha e busca soluções tecnológicas tanto para a economia de combustível, como para a redução das emissões de CO2. A Lufthansa Technik aumentou ainda mais seu portfólio de produtos de conceitos cabine VIP voltada para clientes que buscam soluções inovadoras com baixo custo. O conceito Executive Shuttle foi desenvolvido para as famílias Airbus A320 e Boeing 737 que contam com um interior típico de uma companhia aérea.

Durante a NBAA o público foi informado formalmente da nova designação da Piaggio Aero Industries, que passou a se chamar Piaggio Aerospace e ganhou novo logotipo. A empresa anunciou a mudança como uma distinção entre os fabricantes da aviação executiva, já que passará a atuar também em outras áreas do setor aeroespacial. O fabricante italiano tem expandido sua atuação no setor, oferecendo não só o executivo Avanti EVO, mas também soluções para o segmento militar, incluindo novas plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento baseada no P.180 Avanti. Além de trabalhar numa série de projetos de aeronaves não-tripuladas, como o Piaggio Aerospace P.1HH HammerHead, um derivado direto do P.180.

Colaborou Edmundo Ubiratan


Feira National Business Aviation Association NBAA evento Beechcraft King Air C90GTx Daher-Socata

Artigo publicado nesta revista

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