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Upgrade, fazer ou não fazer?

As modificações e upgrades nas aeronaves de negócios são uma indústria à parte e requer planejamento por parte do operador

Por Shailon Ian, especial para AERO Magazine em 8 de Julho de 2019 às 17:00

É comum o proprietário de uma aeronave de negócios, principalmente uma mais antiga, ser abordado durante a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) com uma oferta de upgrade: um sistema novo de navegação, um novo conjunto de hélices, uma nova motorização, um sistema de entretenimento de último tipo e assim por diante. Quando chegar a sua vez, considere que essa indústria existe e é fundamental para a atualização e manutenção da segurança da frota aérea.

ATUALIZAÇÕES

Os upgrades podem ser divididos nestes grandes grupos:

1) Atualizações de sistemas, desde a troca dos motores para novos “traços” mais modernos, com menor consumo e que já estão equipando versões mais modernas do mesmo avião ou dos aviônicos analógicos por modernos sistemas digitais;

2) Modificação de projeto para melhora de performance, e aqui temos desde a instalação de novos motores e hélices até os winglets;

3) Modificações obrigatórias para acompanhar os novos requisitos da autoridade aeronáutica, um exemplo é o recente upgrade que a frota norte-americana vem sofrendo para ADS-B.

A decisão sobre a instalação ou não de uma atualização passa, dessa forma, por análises técnicas e econômicas, além de questões pessoais do proprietário da aeronave. Em outras palavras, ter bom conhecimento e acesso à informação correta pode significar fazer um bom negócio em equipamentos que retém ou aumentam o valor de sua aeronave ou apenas instalar penduricalhos que nada agregam numa futura negociação.

SISTEMAS

As atualizações de sistemas costumam ser as modificações mais caras e também as que detém maior reconhecimento futuro no caso de venda da aeronave. De uma forma ou de outra, elas já foram incorporadas à produção e representam ganhos reais de performance da aeronave. Nesses casos, a questão técnica é claramente favorável, e a decisão passa a depender de quesitos econômicos.

Vale a pena questionar itens como: qual o benefício real que a modificação trará para minha operação? Um exemplo, se 80% dos meus voos são curtos, não faz muito sentido eu instalar uma modificação muito cara que me dá redução de consumo em rota, pois meu tempo em rota é proporcionalmente muito curto em relação à subida e descida... nesse caso, talvez seja melhor buscar modificações que melhorem a performance dessas duas etapas do voo e não investir na etapa que permaneço menos tempo proporcionalmente.

Uma sugestão nesses casos é criar uma matriz de decisão, na qual os critérios técnicos e econômicos são listados e uma nota é assinalada para cada item, isso facilitará o embasamento final do gestor.

PERFORMANCE

Na categoria de atualizações genéricas com promessa de melhora de performance se enquadrariam todas as modificações e upgrades que ainda não possuem o crivo do fabricante, ou seja, que ainda não foram incorporadas ao modelo da aeronave por quem o produziu. São projetos propostos após a compra da empresa de engenharia que elaborou o projeto ou por meio de um desenho similar incorporado ao projeto da aeronave. Um exemplo clássico são as remotorizações com troca de hélices.

Nesses casos os desafios técnicos são superiores à atualização de sistema e a assessoria de um bom escritório de engenharia aeronáutica ou de um bom engenheiro aeronáutico é importante. Detalhes técnicos do projeto de remotorização devem ser observados e as promessas de ganho de performance devem ser conferidas com casos reais, de preferência conversando com quem já possui a modificação instalada.

Existem alguns fabricantes tradicionais no mercado desse tipo de modificação, já estabelecidos e com centenas de kits vendidos, este tem vantagem sobre os novos entrantes por já possuírem um histórico e permitirem ao proprietário da aeronave uma pesquisa entre seus usuários sobre o grau de satisfação com as instalações.

Outra questão que deve ser observada é a segurança. Uma pesquisa sobre o número de acidentes com aeronaves modificadas deve ser realizada, e a cobertura ou “liability” do modificador em caso de acidente deve ficar clara no contrato da modificação. Aqui, de novo, uma tabela simples auxiliará o gestor a embasar sua tomada de decisão.

SEGURANÇA

Algumas modificações são obrigatórias e impostas por força de Diretriz de Aeronavegabilidade (DA). Nesse caso elas devem ser cumpridas o mais rapidamente possível e, normalmente, o custo de tais modificações é de responsabilidade do fabricante.

Independentemente da situação, a recomendação é sempre realizar a modificação e depois discutir quem vai arcar com os custos, pois nesses casos voar a aeronave antes de realizar a modificação requerida é um risco à segurança e depois de vencido o prazo da Diretriz de Aeronavegabilidade torna-se ilegal a realização de qualquer voo sem a modificação instalada.

ESTÉTICAS E ENTRETENIMENTO

Existe ainda um quarto tipo de modificação, que são as modificações estéticas e de sistemas de entretenimento. Essas modificações têm impacto no valor da aeronave, principalmente nos jatos de negócios de alto valor agregado, intercontinentais.

Nesse caso, um sistema mais moderno de comunicação via satélite faz a diferença na hora da venda, assim como um sistema de conference call mais robusto também é visto como um adicional que justifica um preço diferenciado.

Nos aviões de negócio menores tais modificações não agregam valor de revenda, ou não tem valor percebido diretamente, e devem ser buscadas no caso de o proprietário ter interesse em permanecer com a aeronave por um tempo ainda após a instalação dos novos equipamentos.

CONCLUSÃO

A decisão por instalar ou não uma atualização envolve aspectos técnicos e econômicos e pode ser bastante simplificada caso o gestor construa uma matriz de tomada de decisão simples.

A partir da tabela da matriz, os critérios elencados são avaliados e o gestor ou proprietário da aeronave consegue embasar sua decisão com tranquilidade sobre a instalação ou não de determinada modificação, justificando o investimento realizado de forma racional.


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