AERO Magazine

Um executivo vtol

Jato executivo pode decolar e pousar de cima de prédios

Pegasus VBJ1 possui capacidade de pouso e decolagem verticais aliado com performance de avião

Por Edmundo Ubiratan | Fotos: Divulgação em 8 de Maio de 2019 às 16:00

A sul-africana Pegasus Universal Aerospace deverá anunciar, em Genebra, o primeiro avião de negócios com capacidade de decolagem e pouso vertical (vtol). O conceito batizado de VBJ (vertical take-off and landing business jet) apresenta uma aeronave com capacidade para até oito passageiros, que pode decolar e pousar como um helicóptero, voando em cruzeiro com desempenho similar de um avião a jato.

Aeronave possui capacidade de decolar de helicpontos ou de aeroportos

O chamado Pegasus VBJ1 será apresentado durante a Ebace (European Business Aviation Convention and Exhibition), com um modelo em escala, construído basicamente em fibra de vidro e materiais compostos. A estreia ocorre sete anos após o fundador da empresa, Reza Mia, iniciar os estudos para um avião de negócios com capacidade vtol. O objetivo é aumentar a flexibilidade do uso da aviação executiva em grandes centros ou em locais desprovidos de aeroportos. Com capacidade de voar distancias médias, com velocidade similar de um avião a jato da mesma categoria, o Pegasus VBJ1 pode pousar em pequenas áreas, como em helipontos instalados em edifícios ou até mesmo em iates.

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Um dos diferenciais do VBJ1 é o uso da tecnologia cool-air fan, onde os motores utilizados nas operações verticais ficam instalados nas asas, não necessitando da mudança no ângulo dos motores principais. Todavia, a configuração exige uma aeronave mais pesada, ainda que mais simples mecanicamente.

O VBJ1 deverá ter alcance de 2.380 nm (4.400 km), com capacidade de decolar em pistas com 1.150 metros, o que permitirá operar com peso máximo de decolagem. Em caso de operação vertical o alcance será de 2.224 km, a predução no alcance se justifica pelo maior consumo de combustível nesse tipo de voo. Ainda que não possa voar tão longe, a operação permite utilizar helipontos e áreas restritas. A velocidade de cruzeiro será de 430 nós (800 km/h) e o teto de cruzeiro de 35.000 pés.

Pegasus VBJ1 utiliza asa do tipo cranked arrow e cauda em X

O novo avião possui uma asa tipo cranked arrow e cauda em X, sendo impulsionado por dois motores GE CT7-8, o mesmo utilizados em helicópteros como os S92, AW101 e NH90. Ainda em fase de estudos, a aeronave não tem definido o sistema de trem de pouso, que poderá ser tricilo ou tandem. A escolha dependerá das cargas a serem suportadas pela aeronave durante o pouso vertical.

Ainda que possua capacidade vtol, o fabricante estima um consumo de combustível na ordem de 309 litros por hora de voo, número até 60% inferior a modelos do mesmo porte construídos duas décadas atrás.

Os quatro motores utilizados para operação de decolagem e pouso verticais ficam embutidos nas asas

Uma aeronave em escala 1/8, realizou um voo em Pretória, na África do Sul, onde demonstrou a capacidade de voo, incluindo a transição entre voo horizontal e vertical. Um dos maiores desafios para aeronaves com capacidade vtol é a fase de transição de voo, em especial de horizontal para vertical, exigindo que a sustentação passe a ser basicamente toda realizada pelo motor. A fase inversa, de voo vertical para o horizontal, tende a ser mais simples, visto que a aeronave passa ganhar velocidade conforme altera seu tipo de voo, permitindo que a sustentação passe para as asas de forma quase instantânea.

O primeiro protótipo em escala real deverá ser construído em meados de 2020, quando a empresa espera iniciar os primeiros ensaios com a aeronave. O modelo em escala real da cabine de passageiros está sendo construída na sede da empresa, devendo iniciar uma campanha de demonstração na Europa até o final do ano.

A Pegasus estima que serão necessários investimentos na ordem de US$ 400 milhões para viabilizar o projeto e sua comercialização em escala global. A certificação deverá ocorrer até meados de 2026, com as entregas ocorrendo em seguida.


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