Ops! Alguém ficou para trás

Homem se ejetou acidentalmente de um caça logo após a decolagem

Passageiro havia ganho o voo de presente de colegas, mas uma série de erros comprometeu o passeio


Homem acionou acidentalmente a alavanca de ejeção por corpo ter flutuado no assento do avião

Um homem de 64 anos se ejetou acidentalmente de um Rafale B após acionar sem querer o sistema de ejeção do assento. O incidente ocorreu em 2019, na França, quando o caça voava a mais de 500 km/h. Entretanto, apenas agora as autoridades liberaram detalhes do caso.

O desembarque forçado acabou sem maiores problemas, mas as autoridades aeronáuticas apontam que o dispositivo foi acionado após uma série de erros, visto que é necessário a realização de um detalhado briefing antes de todos os voos.

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Os investigadores descobriram que o homem ao sentir o corpo flutuando durante a decolagem de alta performance se agarrou involuntariamente na alavanca de ejeção, tentando firmar no banco. A força colocada sobre o dispositivo foi suficiente para causar uma ejeção não planejada, que ocasionou ainda a perda do capacete.

Durante a investigação foi encontrada uma série de erros no preparo do voo, incluindo uma instrução inicial mal realizada e a má amarração do passageiro nos cintos de segurança. Além disso, o piloto não estava ciente da limitação médica do carona, assim não poderia exceder os 3,7 g durante a decolagem com o passageiro civil.

Detalhe mostra cinto de segurança fixado de maneira incorreta

A principal causa do incidente está relacionada a forma como o homem foi preso aos cintos de segurança, que estavam soltos o bastante para permitir que seu corpo flutuasse sobre o assento. Segundo o relatório, o passeio foi um presente planejado pelos colegas, ainda que o homem nunca tenha expressado o desejo de voar em um avião de caça. As autoridades descobriram que o infeliz passageiro não se sentiu a vontade de recusar o presente, que considerou um gesto de afeição por parte dos colegas.

Graças ao fato do passageiro estar utilizando um relógio que media sua frequência cardíaca, os investigadores encontraram registros entre 120 e 145 batimentos por minuto antes do voo, valor considerado taquicardia total para uma pessoa com pouco preparo e com idade superior aos 60 anos. A medição seria suficiente para abortar um voo em uma aeronave de elevado desempenho.

Imagem feita por colegas mostram o homem de 64 anos já fora do caça, segundos após a decolagem

Os investigadores concluíram que após o Rafale B iniciar a violenta mudança de direção, iniciando uma subida de alta performance, um reflexo involuntário, estimulado pelo estresse e pelo movimento repentino do jato, levou o homem a acionar a alavanca de ejeção pouco acima dos 500 metros do solo.

Ainda que o incidente não tenha causado vítimas, as autoridades francesas avaliam qual grau de periculosidade teve o voo e quais medidas devem ser tomadas para evitar uma nova situação do tipo.

Por Edmundo Ubiratan

Publicado em 14 de Abril de 2020 às 17:00


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