Resultado financeiro da Boeing havia sido negativo em dois dígitos em 2024. Receitas atingiram quase US$ 90 bilhões no ano

A Boeing anunciou nesta terça-feira (27), os seus resultados financeiros de 2025, reportando lucro líquido de US$ 2,24 bilhões (US$ 11,8 bilhões), recuperando fortemente o desempenho que, em 2024, havia registrado prejuízo de dois dígitos.
A Boeing registrou receita de US$ 89,5 bilhões (R$ 470,7 bilhões) no último ano. O resultado inclui ganho de US$ 9,6 bilhões com a conclusão da venda da Digital Aviation Solutions.
No quarto trimestre, a carteira total de pedidos alcançou um recorde de US$ 682 bilhões (R$ 3,59 trilhões), impulsionada por 1.173 encomendas líquidas de aeronaves comerciais ao longo do ano, com os três segmentos da empresa registrando níveis históricos de backlog.
Aviação comercial: entregas e certificações
O segmento de aviação comercial registrou receita de US$ 11,4 bilhões (R$ 59,9 bilhões) no quarto trimestre, com margem operacional de -5,6%, refletindo maior volume de entregas e melhora operacional. Os resultados incluem impactos relacionados à incorporação da Spirit AeroSystems.
No período, o programa do 737 elevou a cadência de produção para 42 aeronaves por mês e recebeu aprovação de reguladores norte-americanos para iniciar a fase final de testes de certificação do 737 MAX 10.
O programa do 787 iniciou a transição para uma taxa de produção de oito unidades mensais, com foco na estabilização nesse patamar. Já o 777X entrou na fase Type Inspection Authorization 3 dos testes de certificação do 777-9, com a primeira entrega ainda prevista para 2027.
Entre outubro e dezembro , a divisão registrou 336 pedidos líquidos, incluindo 105 unidades do 737 MAX 10 e cinco do 787-9 para a Alaska Airlines, além de 65 unidades do 777-9 para a Emirates. Foram entregues 160 aviões comerciais, e o backlog superou 6.100 aeronaves, avaliadas em US$ 567 bilhões (R$ 2,98 trilhões)
Defesa, espaço e segurança
A divisão de defesa, espaço e segurança apresentou receita de US$ 7,4 bilhões (R$ 38,9 bilhões) no quarto trimestre, com margem operacional de -6,8%.
O desempenho reflete estabilização operacional e maior volume, além de perdas de US$ 600 milhões (R$ 3,15 bilhões) no programa KC-46A, atribuídas ao aumento dos custos de suporte à produção e da cadeia de suprimentos.
No período, a Boeing recebeu um contrato da Força Aérea dos Estados Unidos para quinze aeronaves-tanque KC-46A, assegurou encomenda do Exército dos EUA para 96 helicópteros AH-64E Apache e entregou o primeiro T-7A Red Hawk operacional à Força Aérea, na Joint Base San Antonio-Randolph.
O backlog do segmento atingiu US$ 85 bilhões (R$ 446,9 bilhões), com 26% provenientes de clientes fora dos Estados Unidos.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 27/01/2026, às 09h42