AERO Magazine

Dança das cadeiras

Voando mais rápido que 1.700 km/h e custando US$ 80 milhões avião executivo supersônico pode voar em 2023

Aerion escolhe Boeing como nova parceria e espera decolar com seu jato capaz de voar acima da velocidade do som

Por Edmundo Ubiratan | Fotos: Divulgação em 8 de Fevereiro de 2019 às 18:00

Em mais uma dança de cadeiras a Aerion anunciou uma parceria com a Boeing, para desenvolver um avião supersônico civil. O programa AS2 prevê um jato de negócios capaz de voar acima de 1.700 km/h e com alcance intercontinental, podendo voar entre as Américas e a Europa, sem escala.

O avião deverá ser o primeiro supersônico de nova geração a ganhar aos céus, mas seu desenvolvimento está sendo marcado por uma série de mudanças em parceiros estratégicos.

Em outubro do ano passado, durante a maior feita de aviação de negócios do mundo, a NBAA-BACE, a Aerion Corporation anunciou a escolha da GE para o desenvolvimento do motor, que será o maior desafio do programa nos próximos meses. Assim como o ingresso da Lockheed Martin no projeto, que substituia a Airbus como parceira estratégica. Menos de quatro meses depois a Aerion passa a contar com parceria da Boeing.

Como parte do acordo, a Boeing deverá realizar um investimento significativo na Aerion para acelerar a tecnologia desenvolvimento. Outro ponto importante do acordo prevê que a Boeing fornecerá recursos de engenharia, manufatura e testes de voo. “Este é um investimento de ponta estratégico, para uma maior maturidade tecnologia supersônica”, disse Steve Nordlund, vice-presidente e gerente geral da Boeing.

Ambos fabricantes esperam combinar a atual expertise supersônica da Aerion com projetos civis, com a escala industrial global e a experiência em aviação comercial da Boeing, para poder viabilizar o programa. Todavia, a Airbus, tradicional rival da Boeing, não foi adiante com a parceria.

MOTOR

Recentemente os engenheiros completaram o design inicial para o motor, que deverá voar a Mach 1.4, algo como 40% mais rápido do que a velocidade do som, ou aproximadamente 1.700 km/h.  Esta nova família de motores, designada Affinity, será otimizada para voos em diversos regimes, tanto em fases subsônicas como supersônicos. Um dos desafios é obter um desempenho equilibrado possibilitando um voo supersônico sem uso de pós-combustores até Mach 1.15 (1.420 km/h) e com máxima eficiência sobre a água voando acima de Mach 1.4. O objetivo é atender aos rigorosos requisitos de ruído subsônico e superar os padrões atuais de emissões. “Nos últimos 50 anos, as velocidades de aeronaves comerciais aumentaram menos de 10%”, disse Brad Mottier, vice-presidente e gerente geral de negócios e aviação geral e serviços integrados GE.

DESDE O CONCORDE

Desde o fim das operações com o Concorde, em 2003, a indústria aeronáutica acredita na retomada dos projetos supersônicos civis. Quatro anos depois, a Aerion Corporation lançou o conceito do Aerion SBJ, que previa um jato de negócios supersônico com capacidade de voar entre a costa leste dos Estados Unidos e qualquer cidade na Europa com velocidade de cruzeiro de Mach 1.6.

O projeto iniciado em 2002 previa a construção de cinco protótipos, sendo dois para testes no solo e dois para ensaios em voo. Os engenheiros acreditavam que o avião poderia voar a Mach 2.5 como velocidade máxima, embora com alcance bastante limitado. O diferencial seria a capacidade de supercruiser, mantendo Mach 1.15 sobre o continente sem uso de pós-combustores e sem o famoso estrondo sônico.

RESTRIÇÕES AMBIENTAIS

Por restrições ambientais, é proibido voar supersônico em áreas continentais, com exceção de algumas áreas na Sibéria, do norte do Canadá e algumas partes do deserto na Austrália. Segundo o fabricante, o novo design da asa permite um voo de cruzeiro acima de 1.1 Mach, sem estrondo sônico. O projeto aerodinâmico das asas também deveriam reduzir consideravelmente as emissões de ruído. Na ocasião, os motores seriam fornecidos pela Pratt & Whitney, com base em uma especificação de motor existente, possivelmente derivados do F119, designados pelo fabricante como PW5000, e utilizados no caça F-22 Raptor. O projeto não foi adiante, deixando o avião sem um fornecedor de motor por vários anos, até a parceria com a GE Aviation.

 

Gulfstream G650 (topo) e Bombardier Global 7500 possuem valores ligeiramente menores que o supersônico AS2

O primeiro grande anúncio para a Aerion ocorreu durante o Dubai Air Show 2007, quando a suíça ExecuJet Aviation obteve os direitos exclusivos de vendas do AS2 ao redor do mundo, exceto Estados Unidos. Em seguida, o xeique Rashid Bin Humaid Al Noaimi assinou uma carta de intenções para ser o primeiro a receber o AS2, o que deveria ter ocorrido em 2014. Até mesmo um depósito de US $ 250.000 foi realizado. O avião, na época, tinha um valor de US$ 80 milhões, ligeiramente acima de rivais subsônicos, como o Gulfstream G650ER e Bombardier Global 7500, que custam em média US$ 65 milhões.

Inclusive, anos antes, em meados de 1998, a Gulfstream também anunciou o projeto de um supersônico destinado ao mercado de aviação de negócios. O projeto chegou a ser oficialmente apresentado no final dos anos 2000, mas foi cancelado logo após a crise internacional de 2008.

RELAÇÃO INSTÁVEL

Com a crise internacional que afetou os principais mercados do mundo, a Aerion passou a trabalhar em um ritmo menor no projeto, buscando novos parceiros. A Airbus colaborou até 2017, com estudos na área aerodinâmica e estrutural. Porém, em dezembro do mesmo ano, a Aerion anunciou a parceria com a Lockheed Martin, que, na primeira fase, passou a explorar a viabilidade dos processos de engenharia, certificação e produção da aeronave.

“Estamos entusiastas em trabalhar com a Aerion no desenvolvimento de um jato supersônico eficiente de próxima geração que servirá como plataforma para o pioneirismo de aeronaves supersônicas”, disse na ocasião Orlando Carvalho, vice-presidente da Lockheed Martin Aeronautics.

Lockheed Martin foi responsável por íconicos aviões militares supersônicos, como o SR-71 Blackbird (topo) e o F-22 Raptor.

A Lockheed Martin chegou na década de 1960 a estudar um avião supersônico civil, mas o programa STS (Supersonic Transport) norte-americano foi cancelado antes mesmo da maturação do conceito. Mas o fabricante seguiu seus projetos supersônicos, tendo desenvolvido diversos aviões militares com tais capacidades, como o SR-71 Blackbird, que voava acima de Mach 3 (aproximadamente 3.700 km/h), e, mais recentemente, os aviões de caça furtivos F-22 Raptor e F-35 Lightning II.

 

Agora o acordo inclui a Boeing como parceria estratégica em uma série de estudos avançados.

ASAS

Durante a fase de desenvolvimento do projeto básico, a Aerion adotou um novo perfil de asa, baseado em um projeto da Nasa, que pretende evitar o uso de uma asa delta, como no Concorde, que concentra grande parte da pressão no bordo de ataque, reduzindo, assim, o arrasto e consequentemente o ruído sônico e o consumo de combustível.

Outro desafio foi obter um perfil que pudesse ter ainda bom desempenho quando o avião estiver voando abaixo da velocidade do som, já que parte da operação do AS2 ocorrerá em regiões habitadas durante a decolagem e aproximação para o pouso. “Esta aeronave incorpora as maiores realizações técnicas em décadas”, comentou Tom Vice, CEO da Aerion.

VENDAS LIMITADAS

Embora analistas acreditem que o AS2 será uma aeronave de nicho, com possibilidade de vendas bastante limitadas, atendendo a mercados e clientes específicos, a oportunidade de retomar o voo supersônico civil é vista com bastante otimismo pelo setor. “Esta é uma fantástica oportunidade para abrir um novo segmento de aviação com a Aerion”, comentou disse Carl Esposito, presidente de soluções eletrônicas da Honeywell, que fornecerá parte dos sistemas do avião.

VIABILIDADE

O maior desafio do fabricante é solucionar uma série de questões que vão dos processos de certificação à demonstração da viabilidade do projeto, passando por estudos de características de voo em diversas fases de voo. A expectativa é que o primeiro voo ocorra em meados de 2023, com a primeira entrega ocorrendo dois anos depois. “Superamos alguns grandes obstáculos técnicos e realizamos avanços em estruturas e sistemas”, apontou Tom Vice. “Precisamos demonstrar [os avanços] ao mercado e estimular o desenvolvimento de novas tecnologias de motores.

A Aerion está ciente de que as tecnologias mais importantes no momento são do núcleo do motor, considerado um dos pontos mais difíceis e críticos do projeto. Para que a indústria supersônica progrida, o motor deverá atender aos regulamentos sobre a emissão de ruído e emissões, aliado à capacidade de incremento da velocidade.

AERION AS2

Performance

Velocidade de longo alcance

1.700 km/h

Velocidade máxima sem pós-combustores

1.200 km/h

Velocidade subsônica de longo alcance

1.170 km/h

Máximo alcance a Mach 1.4

7.700 km

Máximo alcance a Mach 0.95

10.000 km

Passageiros

12


Dimensões externas

Comprimento

51..8 m

Envergadura

23.5 m

Altura

6.7 m

Área da asa

140 m²


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