O MD-11 entrou na frota em 2001 e teve a aposentadoria antecipada após acidente no final de 2025
Por Edmundo Ubiratan Publicado em 27/01/2026, às 16h00
A UPS encerrou oficialmente as operações com seus cargueiros McDonnell Douglas MD-11, retirando de serviço os últimos exemplares do modelo em dezembro de 2025. A decisão marca o fim da utilização do trimotor pela companhia, em um processo acelarado após um acidente fatal ocorrido em novembro e a consequente paralisação preventiva de toda a frota.
A retirada definitiva dos MD-11 foi confirmada no balanço financeiro do quarto trimestre de 2025, divulgado em 27 de janeiro. No documento, a UPS informou o registro de uma baixa contábil sem impacto em caixa, após impostos, associada à aposentadoria antecipada das aeronaves.
A empresa não detalhou a data específica de encerramento das operações, limitando-se a indicar que os aviões foram retirados de serviço ao longo do último trimestre do ano.
Em novembro, a UPS havia determinado a paralisação imediata de toda a frota de MD-11 após um acidente envolvendo uma das aeronaves. À época, afirmou que a medida foi adotada por precaução, enquanto as circunstâncias do ocorrido eram apuradas. A investigação permanece em andamento sob responsabilidade do National Transportation Safety Board (NTSB).
Antes da paralisação, o MD-11 representava uma parcela minoritária da frota de aviões de fuselagem larga da UPS e era empregado principalmente em rotas internacionais de longa distância.
A UPS chegou a voar com 31 unidades do modelo, o que a colocava como a segunda maior operadora mundial do tipo. O maior operador foi a FedEx, com 61 aeronaves, que também se encontram fora de voo desde novembro.
O acidente de novembro resultou na morte de quinze pessoas, fato que acelerou o processo de aposentadoria na UPS, que já considerava o MD-11 um veterano no mercado de cargas aéreas.
Desenvolvido a partir do DC-10, o MD-11 entrou em serviço no início da década de 1990 e ganhou relativo espaço no segmento cargueiro após sua retirada gradual do transporte de passageiros.
Com a aposentadoria do tipo, a UPS dá mais um passo na modernização de sua frota de longo curso, concentrando as operações em aeronaves mais recentes e eficientes, como os Boeing 747-8F.
A UPS recebeu seu primeiro MD-11 em 9 de outubro de 2001, cerca de um ano após o encerramento da produção do modelo pela Boeing. Com a retirada antecipada de unidades relativamente novas do serviço de passageiros, a Boeing e a Singapore Technologies Aerospace Ltd. (ST Aero) converteram treze aeronaves adquiridas no mercado para operação cargueira, destinadas à expansão das frotas de longo curso. À época, o MD-11 passou a ser o avião tecnologicamente mais avançado da frota da UPS.
O trabalho de conversão foi realizado pela SASCO, subsidiária da ST Aero, escolhida pela Boeing para executar o programa. O acordo também previa opções para a aquisição e conversão de até 22 MD-11 adicionais.
Segundo a UPS, na ocasião o MD-11 seria o principal avião das rotas internacionais de tronco, desempenhando papel central na estratégia de expansão da malha global de cargas. O modelo foi selecionado para substituir aeronaves mais antigas e ampliar a capacidade em rotas intercontinentais.
O programa de conversão foi concluído em menos de doze meses e incluiu as fases de projeto, modificação estrutural e manutenção. Outras duas aeronaves estavam em processo de conversão em Paya Lebar, em Singapura, com entrega prevista até o fim de outubro de 2001.
A modificação de passageiro para cargueiro envolveu, principalmente, a remoção do interior de passageiros, a instalação de uma porta de carga no convés principal e a implementação de um sistema completo de manuseio de cargas. À época, a UPS já era a maior empresa de entrega de encomendas do mundo, atendendo mais de 200 países e territórios.
O MD-11 permaneceria em operação na frota da UPS por mais de duas décadas, tornando-se um dos principais cargueiros de longo curso até sua aposentadoria definitiva.