Avião invisível deixa a Área 51 e retorna ao serviço ativo nos EUA

Após serem retirados de serviço em 2008, uma série de voos recentes mostram que o F-117 está de volta aos céus

Por Edmundo Ubiratan Publicado em 18/08/2020, às 13h00 - Atualizado às 16h56

F-117A Nighthawk foi um dos projetos mais secretos dos Estados Unidos até ser revalado no final dos anos 1980

Segundo notícias de revistas especialistas dos Estados Unidos, o F-117 Nighthawk pode ter voltado a ativa, após uma aposentadoria tão curta quanto sua vida operacional. O modelo estaria agora participando de uma série de exercícios militares como aeronave agressora.

No final de 2019 alguns aviões foram adicionados ao 64th Agressor Squadron, que utiliza o F-16, se tornando uma ameaça simulada aos esquadrões azuis onde pilotos da força aérea dos Estados Unidos testam e aperfeiçoam suas habilidades de combate.

Inclusive, no último mês de maio os F-117 voaram uma série de missões sobre o Pacífico contra uma força tarefa de porta-aviões da marinha dos Estados Unidos, que estava realizando uma manobra de treinamento integrado. O objetivo teria sido capacitar a marinha em identificar e combater aeronaves furtivas.

De acordo com o TheDrive, os F-117 participaram da terceira fase do exercício Red Flag 2020 (20-3), que encerrou no último dia 14 de agosto. A manobra militar conduzida a partir da base aérea de Nellis, é o maior exercício militar aéreo do mundo, com a participação de dezenas de esquadrões das forças armadas dos Estados Unidos e seus aliados.

Imagem feita por spotter mostra um F-117 voando no Death Valley, na Califórnia

A reportagem afirma que quatro F-117 estavam voando no 64th Aggressor Squadron's, inclusive tendo sido vistos reabastecendo em voo ao lado do esquadrão vermelho. Outros aviões estavam estacionados na base aérea durante todo o exercício.

Os aviões furtivos F-117 Nighthawk se notabilizaram por terem sido os primeiros aviões ‘invisíveis’ da história. Com seu visual sombrio e linhas retas, o caça foi por vários anos a bala de prata do arsenal da força aérea norte-americana (USAF), mas há doze anos foi retirado de serviço para dar lugar ao mais capaz F-22 Raptor.

Todavia, desde então nunca ficou claro qual seria o destino dos aviões remanecentes, já que nem todos foram sucateados. Uma considerável parte da frota permaneceu armazenada no Nevada Test and Training Range (NTTR), nos arredores de Las Vegas. A região abriga entre outras a base aérea de Nellis e a quase lendária Área 51. Não havia lugar melhor para manter novamente os F-117.

Em 2019 surgiram as primeiras notícias que os F-117 poderiam estar de volta aos céus de forma ativa. Aliás, algumas evidências apontam que um grupo desses aviões atacou a Síria, em uma missão real.

A utilização dos aviões furtivos em exercícios militares é bastante coerente com os atuais cenários de guerra avaliados pelos Estados Unidos e seus aliados, visto o início das operações de aeronaves do tipo por alguns rivais, como a China e a Rússia. Aliás, o gigante asiático além de se der pivô de uma dura disputa comercial, caminha para ser o maior rival de Washington neste século.

O projetista-chefe do J-20, o primeiro caça furtivo chinês, afirmou que os F-22 Raptor não são capazes de combater seus caças em um eventual conflito no sudeste asiático. Além disso, a China tem investido constantemente em tecnologia furtiva e na obtenção de dados ultrassecretos através de seus sistemas de inteligência. Acredita-se que uma considerável quantidade de material referente ao F-35 tenha sido capturada por agentes da espionagem chinesa.

O uso do F-117 em exercícios militares de alta complexidade demonstra a preocupação dos estrategistas do Pentágono em avaliar o potencial do risco de a tecnologia agora ser usada contra suas forças armadas. A escolha do pioneiro Nighthawk como agressor tem ainda mais sentido, visto que não é mais uma aeronave ativa e possui uma das menores assinaturas radar de toda a história.

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