Veja o interior do avião presidencial de ex-ditador que aguarda futuro na França

Antiga joia do líder líbio Muammar Gadhafi aguarda definição de uma disputa judicial internacional

Por Gabriel Benevides Publicado em 22/02/2021, às 14h00 - Atualizado às 18h11

Desde 2013 o ex-avião presidencial da Líbia está parado em um aeroporto francês aguardando um impasse internacional

Um dos mais luxuosos e sofisticados jatos de negócios do mundo tem futuro incerto e está envolto em uma disputa jurídica internacional e em meio a um país em crise institucional e econômica.

Com a queda do seu governo em 2011, o ditador Muammar Gadhafi viu o seu regime ruir em uma intensa guerra civil na Líbia. Na época, chamou a atenção quando diversos rebeldes foram flagrados armados em um Airbus A340-200 supostamente comercial, mas que estava configurado com um interior luxuoso.

A invasão serviu para demonstrar que as forças rebeldes além de conquistarem o principal aeroporto da Líbia, também estavam com uma das joias mais preciosas do ditador, que viria a ser capturado e executado semanas depois.

Apesar do fim do regime de Gadhfi na Líbia, novas autoridades do país não sabiam exatamente o que fazer com a aeronave, que durante os confrontos com as forças rebeldes, diversos projéteis acabaram tendo como endereço o avião presidencial.

Por segurança o avião foi enviado de forma clandestina para o aeroporto de Perpignan, na França, em 2012 para realizar os devidos reparos. Durante o translado, o A340 danificado teve de voar com o trem de pouso não recolhido e a uma altitude abaixo de cruzeiro para garantir a total integridade do avião no percurso. Além disso, pelas avarias de balas na fuselagem não era seguro e nem possível tentar pressurizar a aeronave.

Um ano depois, o A340 ganhou uma nova pintura com a bandeira nacional da Líbia, ficando à disposição das autoridades líbias para uso como avião presidencial, porém, meses depois o príncipe saudita Al-Waleed, antigo dono do avião, passou a tentar a posse do bem, alegando o governo Líbio não havia quitado a compra.

Outros países e corporações passaram a disputar também o avião, como forma de quitar débitos com credores. Enquanto isso, a aeronave parada na França acumulou mais dívidas no aeroporto, referente aos reparos e taxas gerais, incluindo de permanência no solo, o que acabou colocando até a Air France dentro da disputa, visto que a manutenção havia sido realizada por uma de suas subsidiárias de prestação de serviços de reparos e engenharia.

Adquirido pelo ditador, no valor de US$ 120 milhões, o controverso A340 continua alvo de disputas e tem o futuro incerto. Atualmente o A340 encontra-se em estado de preservação em Perpignan, onde periodicamente realiza procedimentos de manutenções à longo prazo (calibração dos pneus e partidas nos motores) e aguarda um desfecho, enquanto o seu valor de mercado encontra-se em declínio, especialmente após a aposentadoria de dezenas de outros A340 em todo o mundo.

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