AERO Magazine
Busca

Indústria

Lufthansa avalia novo pedido de aviões de longo curso

Lufthansa avalia novo pedido de aeronaves widebody da Airbus ou da Boeing, com entregas previstas para 2033


B789 LH
Companhia alemã acelera estratégia de renovação diante de atrasos no 777X, certificação do 787-9 e pressão dos custos de combustível - Divulgação

A Lufthansa está na fase final de decisão para um novo pedido de aeronaves widebody junto à Airbus ou à Boeing, com anúncio previsto para as próximas semanas.

Segundo Carsten Spohr, CEO da companhia aérea, durante o evento Airlines for Europe Summit, ontem (19), em Bruxelas, na Bélgica, as entregas do eventual contrato devem ocorrer a partir de 2033.

O possível pedido se insere no processo de renovação da frota de longo curso da Lufthansa, que ainda conta com aeronaves em fase avançada de ciclo operacional. A companhia mantém encomendas em aberto para 21 Airbus A350-900, quinze A350-1000, 25 Boeing 787-9 e 27 unidades do 777X.

Parte relevante da frota atual inclui modelos mais antigos, com cronogramas de retirada já definidos. Os Airbus A340-600 devem deixar a operação no segundo semestre. Já os A340-300 e os Boeing 747-400 devem permanecer em serviço até o fim de 2027.

Impacto nas subsidiárias do grupo

A renovação também abrange outras companhias do Lufthansa Group. A Austrian Airlines prevê a substituição de seus Boeing 777-200 e 767-300. Já a Swiss International Air Lines ainda opera o Airbus A340.

Atrasos em entregas e certificações

O cronograma de substituição tem sido impactado por atrasos na cadeia de fornecimento e certificação. A entrada em serviço do Boeing 777X, por exemplo, foi postergada para o início de 2027. Além disso, a frota de Boeing 787-9 enfrenta entraves relacionados à certificação de assentos, o que afeta o ritmo de incorporação dessas aeronaves.

Venda de dois Boeing 747-8

Recentemente, a Lufthansa vendeu dois Boeing 747-8 por US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões), que serão utilizadas como plataformas de treinamento no programa do Air Force One da Força Aérea dos Estados Unidos. Segundo Carsten Spohr, os recursos podem ser direcionados para acelerar a renovação da frota de widebodies.

O contexto de alta nos preços do petróleo também aumenta a pressão por aeronaves mais eficientes em consumo de combustível, reforçando a urgência da modernização.

Estratégia de capacidade

Embora não tenha especificado os modelos em análise, Spohr indicou que a companhia voltou a considerar uma participação maior de aeronaves widebody na malha. Atualmente, a Lufthansa mantém dezessete Boeing 747-8 e oito Airbus A380, com previsão de operação até a década de 2030.

A decisão em curso deverá influenciar a estrutura de capacidade de longo curso do grupo, especialmente em rotas de alta densidade e longo alcance, além de impactar a padronização e eficiência operacional.

Por Marcel Cardoso
Publicado em 20/03/2026, às 09h11


Mais Notícias