Speed brakes se tornam cada vez mais presentes em aviões de pequeno porte

Com o avanço da aerodinâmica em aviões de pequeno porte, fabricantes adotam speed brakes de forma cada vez mais presente

Por Nvtec Treinamentos* Publicado em 19/05/2023, às 12h00

Speed brake - Edmundo Ubiratan/AERO Magazine

Se você tem costume de viajar em aviões a jato de carreira, provavelmente já viu um speed brake funcionando. São aquelas superfícies de metal que se levantam no dorso das asas, usualmente acionadas pelos pilotos quando o avião está em procedimento de descida para o pouso, e também na frenagem, logo após o toque na pista. Caças e treinadores militares a reação também os utilizam.

Bem menos usual é a presença desse tipo de recurso em aviões de pequeno porte tracionados a hélice. Mas, nos últimos anos, à medida que o formato da fuselagem desses aparelhos vem se tornando cada vez mais aerodinâmico, o arrasto induzido diminuiu significativamente. Com isso, as dificuldades para reduzir a velocidade dos aparelhos durante o voo aumentaram.Nesse tipo de avião, é comum que a simples diminuição da potência do motor não gere, de imediato, a desaceleração que o piloto necessita.

Além disso, essa redução brusca no manete pode provocar um resfriamento muito rápido do motor (shock cooling), o que causa danos mecânicos em longo prazo. Os cilindros dos motores a pistão são feitos com diferentes materiais, como aço inoxidável, alumínio e bronze. Cada um deles possuiu coeficientes de dilatação térmica diferentes. Quando a temperatura dos cabeçotes (Cilinder Head Temperature – CHT) se altera de forma repentina – aquecendo ou resfriando –, as diferentes dilatações forçam os materiais uns contra os outros, provocando trincas.

Como referência, os motores Lycoming suportam variações de CHT na casa de um grau Fahrenheit (equivalente a 0,56 grau Celsius) a cada segundo. Já nos Continental, essa alteração não deve ser superior a 1°F a cada três segundos.

Arrasto parasita

Por isso, para facilitar a redução de velocidade em aeronaves pequenas e muito “lisas”, a indústria passou a oferecer os speed brakes (também conhecidos como air breaks ou spoilers). Instalados aos pares, esses dispositivos ficam usualmente posicionados na metade traseira das asas. São acionados por motores elétricos ou por sistema hidráulico. Quando são estendidos, geram uma interferência no fluxo de ar que aumenta o arrasto parasita, provocando a rápida diminuição da velocidade.

Piper M350 oferece o speed brake de fábrica

 

Alternativamente, o speed brake permite que o piloto incremente a razão de descida sem que o avião ganhe velocidade. Várias aeronaves, como o Piper M350 e os aviões Mooney, já os recebem de fábrica. Mas o equipamento também pode ser instalado legalmente, por empresas especializadas, em diversos aviões novos ou usados – por meio de um documento de aprovação da autoridade norte americana, intitulado STC (Supplemental Type Certificate).

O piloto que voa aeronaves equipadas com esse recurso deve se acostumar com seu uso. Comece a aplicá-lo em rota, para sentir o funcionamento: ao contrário dos flaps e dos trens de pouso retráteis, os speed brakes podem ser estendidos em praticamente qualquer velocidade. Seu efeito é mais intenso quando o avião está rápido, decaindo gradualmente conforme desacelera. Em algumas aeronaves, ele pode ser utilizado durante todo o pouso, permitindo uma rampa de aproximação de maior ângulo e reduzindo o tempo em que o aparelho flutua sobre a pista.

Nvtec Treinamentos*, especial para AERO Magazine 

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