Jato usado pelo tráfico pousa em emergência e se divide em dois

Com enredo digno de seriado do narcotráfico avião aparece em campo aberto e polícia se contradiz nos fatos

Edmundo Ubiratan | Imagem: Divulgação Publicado em 03/10/2019, às 11h10 - Atualizado em 06/10/2019, às 15h24

Gulfstream II usado pelo narcotráfico se divide em duas partes após pousar sem combustível no Belize

Um Gulfstream II foi encontrado destruído em um campo aberto no condado de Orange Walk, no Belize, próximo à fronteira com o México. A aeronave foi avistada por moradores e os serviços de emergência não encontraram vestígios de nenhum tripulante ou passageiros.

O avião que com o impacto se dividiu em dois não apresentava sinal de princípio de incêndio, apontando uma pane seca. O acidente é pouco usual na aviação de negócios, especialmente envolvendo este tipo de aeronave que possui grande autonomia e frequentemente é utilizado por executivos em voos de médio curso.

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O caso ocorreu na tarde do dia 29 de setembro, mas as autoridades não possuem maiores detalhes sobre o que levou a aeronave pousar em um campo distante de qualquer aeroporto. “Algum tempo depois das quatro horas da manhã [do dia 30] a polícia respondeu ao chamado em uma área em Blue Creek, muito perto da fronteira mexicana e lá descobriram um jato branco [que] estava parcialmente dividido ao meio”, contou Chester Williams, comissário da polícia de Belize.

A polícia acredita que o avião estava sendo utilizado para o transporte de drogas ou contrabando. O local do acidente fica a apenas 8 quilômetros de San Francisco Botes, no México, uma das muitas portas de entrada de drogas no país.

A Guatemala, um dos principais países utilizados pelo tráfico internacional de drogas como fonte de exportação de cocaína, tem ampliado o combate ao narcotráfico realizando operações constantes de destruição de pistas clandestinas e apreendendo aeronaves irregulares. A suspeita é que o avião tinha como destino uma dessas pistas que teria sido recém destruída ou havia a presença de policiais no entorno.

Todavia, em médio a coletiva realizada pela polícia de Belize, as autoridades afirmaram ter ciência da chegada do avião. A expectativa é que ele pousaria nas proximidades do condado de Orange Walk, o que acabou se confirmando ao pousar no vilarejo de Blue Creek, distante a poucos minutos do México. “Obtivemos informações prévias e tínhamos oficiais destacados em outra área de Blue Creek, onde prevíamos que ele chegaria. O local onde os oficiais estavam fica entre 10 e 15 minutos até onde o avião realmente pousou”, detalhou Williams.

A política estima que o acidente ocorreu na tarde do dia 29, mas mesmo nas proximidades do local a primeira equipe só chegou até a aeronave na madrugada do dia seguinte, quase doze horas após o horário provável do pouso. “Acreditamos que [o pouso ocorreu] por volta das 16h30 às 16h45 [do dia 29 de setembro]”, estimou Williams aos jornalistas.

O acidente sem pistas dos ocupantes e o estado geral do avião após o pouso levantam suspeitas do envolvimento com o crime organizado. A aeronave não ostenta marcas de nacionalidade, apenas uma parte de uma suposta matrícula pode ser vista na única imagem divulgada do caso. Porém, os registros prévios mostram se tratar de um Gulfstream II, número de série 199, que foi entregue ao primeiro cliente em 1977. O último registro conhecido foi a matrícula N511TL, já cancelada nos Estados Unidos, visto que a aeronave foi exportada para o México em 2017.

Outro ponto que despertou a atenção da polícia foi o fato de utilizarem um jato de negócios de grande porte e manterem todo seu interior. “Todos os outros aviões do tráfico que encontramos não têm assentos, dentro desse tinham todos os assentos”, detalhou Williams. A polícia ainda quer saber porque o avião demorou para pousar e o motivo de um campo aberto em Belize e não o México. Mesmo realizando um pouso de emergência, sem combustível, é possível que o narcotráfico tenha planejado a tempo a reação a situação.

As autoridades encontraram uma série obstáculos ao longo da estrada próxima ao local do acidente, inicialmente uma faixa de pneus pouco antes do vilarejo de Blue Creek e cerca de 24 quilômetros depois haviam diversos pneus em chamas e grandes galhos de árvores bloqueando a estrada. Curiosamente o traçado estava no sentido oposto ao México, distante menos de 8 quilômetros do local onde foi encontrado o avião.

Durante a coletiva a polícia não soube detalhar porque mesmo estando ciente da presença da aeronave só chegou ao local do pouso 12 horas depois. “Eles encontraram alguns obstáculos que atrasaram um pouco sua resposta, mas quando chegaram ao local não encontraram ninguém e não havia carga no avião”, justificou Williams.

Este foi o maior jato de negócios que pousou ilegalmente em Belize, um caso anterior envolveu uma aeronave menor que pousou em San Estevan, em abril de 2018, mas todos os assentos estavam faltando. A possibilidade levantada por alguns especialistas em segurança de Belize é que esta aeronave estivesse transportando narcotraficantes e não drogas.

A AERO Magazine entrou em contato com as autoridades aeronáuticas de Belize, que não retornaram com informações até o fechamento da matéria.

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