A FAA determinou a paralisação imediata de todos os MD-11 e MD-11F após o acidente fatal com um cargueiro da UPS em Louisville
Por Marcel Cardoso Publicado em 10/11/2025, às 09h31
A agência federal de aviação dos Estados Unidos determinou no último domingo (9), a suspensão imediata dos voos de todos os McDonnell Douglas MD-11 e MD-11F cargueiros após o acidente fatal ocorrido no último dia 4 de novembro, em Louisville, no estado do Kentucky. A decisão exige inspeções detalhadas antes da liberação.
O MD-11F da UPS caiu logo após a decolagem do aeroportointernacional de Louisville, resultando na morte de quatorze pessoas. Durante a subida inicial, o motor esquerdo e seu pilar de fixação se desprenderam da asa, indicando possível falha estrutural que pode afetar outras aeronaves do mesmo modelo.
A FAA classificou o caso como “condição que pode resultar em perda de voo e pouso seguros”, dispensando o trâmite normal de consulta pública devido à gravidade do risco.
A paralisação atinge todas as variantes do MD-11 e MD-11F, independentemente do operador ou configuração. O retorno ao serviço dependerá da conclusão das inspeções e reparos determinados pela agência.
Os trabalhos se concentram nos pontos de fixação entre motor e pilar, na estrutura pilar-asa e em sistemas associados, como chicotes elétricos e interfaces do reversor de empuxo. Qualquer indício de fadiga ou dano deverá ser corrigido conforme procedimentos aprovados pela FAA.
Embora aposentado do transporte de passageiros, o MD-11 ainda representa parte essencial da frota cargueira mundial. Companhias como UPS e FedEx suspenderam preventivamente as operações antes mesmo da diretiva.
A medida deve causar disrupção nas rotas internacionais, especialmente nas operações noturnas e transatlânticas de carga expressa. Operadores logísticos precisarão realocar voos ou substituir aeronaves, o que pode gerar atrasos e replanejamento de malhas globais.
A determinação da FAA se aplica apenas a aeronaves registradas nos Estados Unidos, mas autoridades europeias devem publicar ações paralelas, segundo a imprensa norte-americana. Oficinas e operadores na Europa que lidam com o MD-11 precisarão cumprir exigências equivalentes assim que publicadas, impactando cadeias logísticas intercontinentais.
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA conduz a investigação em parceria com a Boeing e a Pratt & Whitney, analisando os destroços para identificar a causa raiz da separação do motor. As conclusões preliminares poderão resultar em novas diretivas de aeronavegabilidade ou modificações estruturais obrigatórias.
A FAA exigiu que operadores relatem os resultados das inspeções, podendo emitir boletins de serviço adicionais ou restrições de longo prazo caso as análises indiquem necessidade de reforço estrutural.