A FAA considera que pilotos podem administrar o problema no software, mas United e Southwest rejeitam receber aviões com a versão afetada
Por Edmundo Ubiratan Publicado em 05/10/2026, às 13h00
O Boeing 737 MAX 10 poderá concluir o processo de certificação nos Estados Unidos sem uma atualização prévia do software de gerenciamento de voo. Um comitê da agência de aviação civil americana (FAA, na sigla em inglês), concluiu que uma falha que pode alterar os modos de orientação automática durante uma aproximação perdida não representa uma preocupação de segurança.
O relatório da FAA, de 2 de outubro, considerou que os pilotos mantêm o controle do avião e e recebem indicações claras sobre a alteração no funcionamento do sistema.
Segundo a Aviation Week, a decisão elimina a exigência de corrigir o software como condição para aprovar a certificação do 737 MAX 10, mas não equivale à concessão da certificação. Além disso, a aceitação dos aviões pelas companhias aéreas permanece uma questão em aberto.
A Southwest Airlines e United Airlines, clientes do MAX 7 e do MAX 10, respectivamente, informaram que não receberão as unidades com essa versão original do software, conforme a publicação da Aviation Week.
Para manter as entregas dos MAX 8 e MAX 9, a Boeing tem instalado uma versão anterior do software. Essa alternativa, porém, não atende aos dois modelos mais novos, onde a versão atual, denominada U14.1, é a única compatível com o MAX 7 e o MAX 10.
O comportamento identificado envolve o sistema de gerenciamento de voo (FMS). Em determinadas condições, uma alteração na trajetória programada durante uma aproximação perdida pode provocar a saída do modo de navegação vertical (VNAV). A orientação de arfagem passa então a utilizar modos como mudança de nível ou velocidade vertical.
A preocupação examinada pela FAA foi a carga de trabalho adicional para os pilotos em uma fase que já exige atenção à trajetória, à altitude e à configuração da aeronave. Embora o procedimento seja previsto e faça parte do treinamento, uma mudança inesperada na automação pode exigir intervenções adicionais.
A conclusão do comitê veio depois de uma manifestação mais cautelosa da agência. Em 28 de setembro, o administrador da FAA, Bryan Bedford, afirmou que a aprovação do MAX 10 seria adiada até que os reguladores concluíssem a análise. Segundo o Wall Street Journal, Bedford destacou naquele momento que a falha não retirava o controle dos pilotos, mas exigia avaliação de seus efeitos sobre o trabalho na cabine.
A Boeing e a GE Aerospace, responsável pelo software, desenvolvem uma correção, mas sem data para ser disponibilizada. Enquanto isso, será emitido um boletim com orientações para reconhecer e responder à falha. A FAA também prevê publicar instruções para reforçar os procedimentos.