EUA propõe nova inspeção nos motores do Airbus A320neo

Proposta de inspeção nos motores CFM-Leap-1A que equipam parte da frota mundial de A320 foi motivada por múltiplas decolagens abortadas

Por Wesley Lichmann Publicado em 11/10/2023, às 09h15 - Atualizado às 15h15

Proposta de inspeção exigirá substituição de peças do motor - Divulgação

Em documento regulatório publicado hoje (11), a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), pretende propor uma inspeção nos motores CFM Leap-1A que equipam boa parte da frota mundial da família de aviões A320neo.

De acordo com a FAA, a proposta foi motivada por um relato de múltiplas decolagens abortadas e retornos de ar (ATBs) causados ​​por estol do compressor de alta pressão, que foram induzidos por altos níveis de vibração não síncrona (NSV).

A ocorrênia nos compressores do motor é um fenômeno aeroelástico que pode ter consequências devastadoras à segurança de voo, incluindo perda de pás. Os casos de NSV ocorrem próximo ao limite de estol, mas em condição operacional estável.

Uma investigação realizada pela própria CFM International revelou que o desgaste no alojamento do dedo da mola do rolamento nº 3 pode levar a altos níveis de vibração.

Segundo os reguladores norte-americanos, a nova Diretriz de Aeronavegabilidade (AD), "exigiria cálculos iniciais e repetitivos dos níveis de NSV, inspeção do favo de mel do conjunto do bocal da turbina de alta pressão (HPT) de estágio 2 e do favo de mel do selo estacionário do estator HPT."

Dependendo dos resultados da inspeção, determinadas peças devem ser substituídas. A proposta de regulamentação está aberta para consulta pública e comentários devem ser apresentados até o próximo dia 27 de novembro.

No Brasil, a Azul Linhas Aéreas opera com os motores Leap-1A em sua frota de A320neo e A321neo.

Em resposta a AERO Magazine, a transportadora "informa que as Diretrizes de Aeronavegabilidade (AD) propostas pela Federal Aviation Administration (FAA) são procedimentos regulares entre a autoridade, fabricantes e operadores aéreos".

A Azul destaca que "as revisões propostas já foram incorporadas no planejamento programado de manutenção das aeronaves e não devem trazer impactos operacionais para a companhia."

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