Acidente da Apollo 1 expôs falhas críticas no programa espacial

Acidente ocorreu durante teste em solo e levou a mudanças profundas no programa Apollo.

Por Edmundo Ubiratan Publicado em 27/01/2026, às 15h00

Da esquerda para a direita: Roger B. Chaffee, Virgil I. “Gus” Grissom e Edward H. White II - NASA

Em 27 de janeiro de 1967, há exatos 59 anos, um incêndio durante um teste em solo resultou na morte dos três astronautas da missão Apollo 1 e marcou um dos episódios mais críticos da história do programa espacial dos Estados Unidos.

O acidente ocorreu durante um ensaio conhecido como plugs out, realizado no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, cerca de duas semanas antes do lançamento programado da missão AS-204, a primeira missão tripulada do Programa Apollo.

O teste simulava uma contagem regressiva completa, com a cápsula do módulo de comando totalmente pressurizada e isolada de fontes externas de energia. No interior da nave, o ambiente era composto por oxigênio puro sob pressão, condição adotada à época por razões de simplicidade técnica e redução de peso. Durante o ensaio, um incêndio teve início dentro da cápsula e se espalhou rapidamente pelo interior, alimentado pela alta concentração de oxigênio e pela presença de materiais inflamáveis.

Módulo de Comando da Apollo 1 após o incêndio fatal

Em poucos segundos, a pressão interna aumentou de forma abrupta, atingindo cerca de 29 libras por polegada quadrada (200 kPa). Dezessete segundos após o início do fogo, às 23h31min19,4s UTC, a estrutura do módulo de comando se rompeu. A tripulação, composta pelo tenente-coronel Virgil I. “Gus” Grissom, pelo tenente-coronel Edward H. White II, ambos da Força Aérea dos Estados Unidos, e pelo tenente-comandante Roger B. Chaffee, da Marinha, não conseguiu escapar.

Além da rápida propagação do incêndio, o projeto da escotilha contribuiu para a gravidade do acidente. A porta abria para dentro e exigia vários minutos para ser removida em condições normais, tornando impossível a evacuação diante do aumento instantâneo da pressão interna.

O acidente da Apollo 1 levou à suspensão temporária do programa e a uma ampla revisão técnica e organizacional conduzida pela NASA. Como resultado, foram implementadas mudanças profundas no projeto das cápsulas Apollo, incluindo a adoção de uma escotilha de abertura rápida, a substituição de materiais inflamáveis e a revisão do uso de atmosferas ricas em oxigênio.

A avaliação equivocada de que o teste não representava risco significativo — em razão da ausência de combustível no foguete — contribuiu para a falta de preparação adequada para emergências, comprometendo a resposta de resgate.

O episódio expôs falhas críticas de projeto e gestão de riscos, mas também redefiniu os padrões de segurança do programa espacial norte-americano, influenciando diretamente o sucesso das missões Apollo posteriores.