Um mercado que só cresce

O número de helicópteros no Brasil aumenta sem parar há mais de uma década e a frota da cidade de São Paulo já é considerada a maior do mundo

Santiago Oliver | | Fotos Divulgação em 13 de Dezembro de 2012 às 12:49

O engenheiro e piloto privado Cesar Augusto Parizotto está construindo no município de Osasco, a poucos minutos da cidade de São Paulo, pela Rodovia Anhanguera, um dos maiores centros de hangaragem e manutenção de helicópteros da América Latina. Com um investimento total de cerca de R$ 75 milhões, o empreendimento será erguido em um terreno de 52 mil m² e comportará em dois hangares até 150 aeronaves de asas rotativas. Sua oficina poderá receber 50 máquinas, que ficarão sob os cuidados de uma equipe de 150 funcionários, entre mecânicos e auxiliares. O cronograma de obras sofreu atrasos, mas o novo polo aeronáutico paulista deve estar 100% operacional em junho de 2013. Idealizado e realizado pela Halibase, sediada desde 2005 em Arujá (SP), o projeto HBR, como foi batizado, traduz a pujança do mercado brasileiro de helicópteros, sobretudo na capital paulista, que detém hoje a maior frota do mundo com 420 aeronaves, segundo a Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicópteros). “A taxa de ocupação tanto de aeroportos como de centros de hangaragem em São Paulo supera os 90%. E a importação de helicópteros não para de crescer. Eram cerca de 100 novos aparelhos por ano no país em 2007 e 2008. Hoje, já temos um ritmo de entrega anual de 130 a 140 unidades”, estima Parizotto. “Temos falta de oferta e demanda crescente”.

De acordo com a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), em 2011, haviam registrados 1.654 helicópteros no país, representando 12,6% da frota de aviação geral nacional. Destaque para os números nos estados de Rio de Janeiro (52), São Paulo (39) e Minas Gerais (20). As maiores frotas também estão nestes três estados do Sudeste. São Paulo possui 631 aparelhos, o Rio de Janeiro, 361, e Minas Gerais, 179. A divisão dessa frota por tipo de motor mostra, ainda, dados relevantes sobre o perfil das aeronaves. São 626 helicópteros monoturbina, o equivalente a 37,9% do total, 588 monomotores a pistão (35,l%) e 440 biturbina (26,6%).

Os helicópteros de uso civil no Brasil são empregados basicamente em três tipos de missão. O serviço aéreo privado, que promove o chamado transporte VIP, conta com 344 modelos monoturbinas, 376 a pistão e 183 biturbinas. É usado tanto em situações de trabalho como de lazer. Os táxis aéreos, que realizam operações similares aos voos privados e cumprem ainda missões offshore nas plataformas oceânicas da Petrobras, dispõe de 84 helicópteros monoturbinas, 20 modelos a pistão e 221 biturbinas. As administrações diretas estaduais, que fazem o chamado “parapúblico”, decolam 109 monoturbinas, 16 helicópteros a pistão e 15 biturbinas em voos de policiamento, resgate, transporte de autoridades e outros. Para demais atividades, que incluem instrução e missões especiais, existem 90 monoturbinas, 76 modelos a pistão e 20 biturbinas.

A Abraphe é a maior associação de pilotos civis de helicóptero do mundo, representa mais de 1.000 profissionais em todo o território nacional. De acordo com o comandante Rodrigo Duarte, presidente da entidade, o setor de helicópteros nos mercados privado, parapúblico e offshore cresce 20% ao ano no Brasil. São 3.082 pilotos de helicóptero em operação, uma frota de 1.720 aeronaves (654 só no estado de São Paulo, além das mais de 400 só na capital) e média anual crescente superior a 300 licenças emitidas para Piloto Comercial de Helicóptero (PCH) nos últimos três anos. “A cidade de São Paulo, além da maior frota de helicópteros do mundo, conta com 193 helipontos regularizados, 500 operações diárias de pousos e decolagens e um sistema de controle de tráfego exclusivo para aeronaves de asas rotativas”, diz Duarte.

Nesse cenário, associado às perspectivas em relação à Copa do Mundo de 2014 no Brasil e às Olimpíadas de 2016 no Rio, os principais fabricantes de helicópteros do mundo se movimentam, assim como os centros de manutenção e hangaragem. Nas próximas páginas, detalhamos os planos dos principais players desse mercado que cresce sem parar em um ritmo superior ao de qualquer outro lugar do mundo há pelo menos uma década.

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FABRICANTES

AW189, na faixa das 8,5 toneladas, transporta 19 passageiros e atende aos requisitos do pré-sal: certificação em 2013

AGUSTAWESTLAND
A cada ano são vendidos mais helicópteros AgustaWestland no Brasil. Não por acaso o fabricante acaba de inaugurar um escritório comercial na Vila Olimpia, em São Paulo, para atender melhor ao aumento de demanda por suas aeronaves, principalmente os da linha 109, derivadas do modelo Power, passando pelo Grand e agora pelo Grand New, aeronave da classe das três toneladas, que atualmente detêm aproximadamente 60% do mercado brasileiro no setor biturbina corporativo. Já a marca AW como um todo possui uma fatia de 25% do mercado brasileiro. Esses são dados que mudam de ano para ano, porque o mercado está em constante evolução, de acordo com as necessidades do Brasil, e a AgustaWestland faz parte desse processo. “Em São Paulo, a AgustaWestland enfrenta uma forte concorrência, mas está com uma demanda muito boa em outras regiões do país, como o Norte e o Nordeste, tendo vendido um total de 160 unidades para o mercado civil e óleo e gás”, afirma Fabrizio Romano, diretor de Vendas do Setor Comercial Civil da AgustaWestland na América do Sul. O mercado de óleo e gás, que está se tornando maior a cada dia, exige muitos helicópteros. A presença da AgustaWestland está aumentando significativamente, e já conta com 22 unidades do AW139 em serviço, representando 12% e 15% desse setor.

No que se refere a previsões, Romano diz que depois de um momento ruim, em 2009, o mercado está reagindo lentamente, e acredita que deverá continuar assim pelo menos por um par de anos. O executivo acredita também que a infraestrutura atual de São Paulo não permite a introdução de muitos novos biturbinas corporativos, sugerindo uma quase saturação, o que diminuirá as vendas nessa categoria de helicóptero, se não houver ampliação. Isso, falando da capital paulista, o que não se aplica a outras cidades ou regiões brasileiras. A AgustaWestland possui uma família completa de aeronaves, começando pelo monoturbina Koala, voando no Brasil em missões corporativas e aeromédico. Recentemente, foi lançada a versão Koala KX, com aviônica avançada, display tridimensional de nova geração, mapa digital e todo intergrado com Garmin H.

Outra novidade da AgustaWestland, o AW169, foi lançado em 2010 e rapidamente encontrou o sucesso contínuo do mercado, com mais de 70 unidades encomendadas, de clientes na América do Norte e América do Sul, Ásia, Oriente Médio, Europa e Austrália para uma ampla gama de missões, incluindo EMS, SAR, parapúblico, transporte de passageiros, offshore e utilitário. A aeronave, que tem vários interessados no Brasil, segundo Romano, será certificada em meados de 2014, com previsão para entrada em serviço no final do mesmo ano. Trata-se de uma aeronave de uma nova categoria, 4,5 toneladas, que se posiciona entre o AW109 (3 toneladas) e o AW139 (6,4 toneladas), podendo transportar até 10 passageiros e atingir velocidade de 315 km/h (170 nós).

A AgustaWestland está desenvolvendo também o AW189, uma helicóptero que estará na faixa das 8,5 toneladas, bem maior que o AW139. Ideal para o mercado óleo e gás, será certificado em meados de 2013. Podendo transportar 19 passageiros e atendendo aos requisitos do pré-sal, o helicóptero começará a ser entregue em setembro ou outubro de 2013. A AgustaWestland tem dois distribuidores no Brasil no setor civil, um deles é a Synerjet, novo logo da Synergy, e a Jet Euro, que é do mesmo grupo líder no mercado que vende carros de luxo, como Ferrari, Maserati, Rolls-Royce e outros. Ambos os distribuidores trabalham no mercado corporativo, mas a Synerjet tem a exclusividade do mercado parapúblico

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Helibras já comercializou 430 unidades do Esquilo, que, apenas no Brasil, acumula mais de 1,5 milhão de horas de voo

EUROCOPTER
A Helibras foi constituída em 1978 em São José dos Campos (SP), a partir de um projeto da empresa francesa Aerospatiale, respondendo a uma solicitação do governo brasileiro. Em 1992, foi criada na França a Eurocopter, resultado da fusão das divisões de helicópteros das empresas Aerospatiale e Daimler Chrysler Aerospace, tornando-se, assim, a nova matriz da Helibras, uma das quatro subsidiárias consolidadas do grupo. A Helibras trabalha com um cenário de aumento de demanda, por conta, principalmente, da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que devem demandar igualmente um número considerável de novas aeronaves. A empresa não trabalha com um número exato de unidades, uma vez que, nesse mercado, os negócios são fechados em períodos que dependem de processos concorrenciais às vezes demorados.

De acordo com François Arnaud, vice-presidente Comercial e de Marketing da Helibras, o helicóptero mais vendido pela Eurocopter no país é o Esquilo, que está presente em praticamente todos os mercados (civil/executivo, governamental e militar) em suas diferentes configurações. O AS350 Esquilo é fabricado no Brasil desde 1978 e, por isso, atendendo aos requisitos de produção nacional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é o único helicóptero no país que pode ser adquirido através do FINAME, financiamento em longo prazo do BNDES a uma taxa de juros bastante baixa, de 2,5% ao ano. “Até hoje, foram comercializadas 430 unidades desse helicóptero, que, apenas no Brasil, acumula mais de 1,5 milhão de horas de voo”, contabiliza Arnaud.

Pelas suas contas, a Helibras detém hoje 53% do mercado de helicópteros a turbina no Brasil. Nessa fatia, as suas aeronaves ocupam 48% dos modelos para uso executivo, 84% nas frotas governamentais e 27% das aeronaves utilizadas para óleo e gás. Nesses dois últimos setores, a Helibras/Eurocopter também atua com os modelos EC135, EC145 e, no caso das operações offshore, com o EC155. “Em breve, quando o modelo EC225 estiver sendo construído em nossa fábrica de Itajubá (MG), os clientes brasileiros do segmento offshore, no qual ele é utilizado, também poderão utilizar o FINAME do BNDES. Ele vai atender às necessidades do crescente mercado de Óleo e gás do Brasil por ser um dos helicópteros mais utilizados para essa atividade e pelas suas excelentes características de resistência e de operação em longas distâncias, capacidade de transporte de cargas e muitos passageiros, com equipamentos de última geração para auxílio no trabalho em alto-mar”, completa François Arnaud.

MD HELICOPTERS
Desde 2002, os produtos MD Helicopters são representados e distribuídos exclusivamente no Brasil pela empresa Helicentro, que é também Centro Autorizado de Serviços MD Helicopters. O interesse na aquisição de novos e usados cresceu muito nos últimos meses de 2012. O mercado está em alta e deve se sustentar por pelo menos mais dois anos em função da substituição de monoturbina por biturbina e aos dois grandes eventos esportivos no Brasil. A frota atual de helicópteros MD no Brasil é de 19 aeronaves, sendo 13 dos modelos MD500C, MD500D, MD500E, MD520N, MD530F, cinco MD600N e um MD Explorer. Existem vários pedidos em carteira, dos quais três estão confirmados para dezembro de 2012.

De acordo com Ricado Zuccolo, diretor do Helicentro, o Explorer já voou 95 horas desde o início das operações, em junho de 2012. O mais novo modelo lançado pela MD Helicopters é o MD540F, um helicóptero de alta performance, monoturbina equipado com o motor Rolls-Royce 250 C47 de 808 hp e rotor principal com seis pás. O MD540F tem capacidade para até cinco assentos, incluindo o piloto, e só está disponível no momento para o exército americano, mas a versão civil já esta na fase de certificação, declara Zuccolo.

MD Explorer, sem rotor de cauda: sistema Boeing reduz risco de acidentes e torna o helicóptero mais silencioso

Os modelos MD Explorer, MD600N e MD520N usam o exclusivo sistema antitorque NOTAR (sem rotor de cauda). Desenvolvido pela Boeing, ele substitui o rotor de cauda tradicional por um fan embutido entre a fuselagem e a cauda do helicóptero. O sistema aspira e empurra o ar na temperatura ambiente através da cauda para executar o controle antitorque e direcional, reduzindo riscos de acidentes com a aproximação de obstáculos e aumenta a margem de segurança em solo, já que permite a aproximação de pessoas nos 360° da aeronave. Esse sistema usado exclusivamente pela MD Helicopters também faz dos modelos da marca os mais silenciosos de suas categorias, característica muito importante para voos em áreas urbanas ou regiões com restrições a ruído, operações de reportagem aérea, segurança pública, entre outras.

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Segundo o fabricante, 15% da frota mundial do biturbina 429 foi vendida no Brasil

BELL
De acordo com Leonardo Fiuza, diretor comercial da TAM Aviação Excecutiva, representante exclusivo dos helicópteros Bell no Brasil, o mercado de aeronaves de asas rotativas está em melhores condições do que o de aviões, mundialmente falando, com crescimentos expressivos na América Latina e no Oriente Médio. “No nosso país especificamente, tivemos um bom resultado no primeiro semestre de 2012 e no segundo semestre as vendas continuaram em ascensão. Vale ressaltar que nesse setor o Brasil é um dos melhores países do mundo, onde é comercializada toda a linha de produtos Bell, composta pelos monoturbinas 206 Long Ranger e 407GX, além dos biturbinas dos modelos 412, 429 e o novo 525 Relentless, um helicóptero de médio porte atualmente em desenvolvimento”. O Relentless foi anunciado na Heli Expo realizada em Dallas, Texas, em fevereiro de 2012. A Bell espera que o 525 realize seu primeiro voo em 2013 ou 2014, com a certificação esperada para 2015.

O helicóptero Bell mais vendido no Brasil é o 429. Atualmente, 15% da frota global desse modelo foi vendida aqui, o que coloca o país como segundo mercado mundial da aeronave (atrás apenas dos EUA). Certificado pela FAA e pela EASA, em 2009, e pela ANAC, em 2010, o Bell 429 é apresentado com o mais avançado helicóptero biturbina leve do mundo, “estabelecendo um novo parâmetro para a categoria”. Com capacidade para um piloto e sete passageiros, a aeronave pode decolar com até 3.400 kg (7.500 lb) de combustível, aumentando ainda mais a sua autonomia. A Bell destaca, ainda, a boa performance no voo pairado e maior margem de segurança. Além disso, é o primeiro helicóptero do mundo, segundo a Bell, certificado para WAAS, um sistema de aproximação de pouso vertical em piloto automático. Outro segredo do 429 é a sua plataforma de aviônicos full glass cockpit, com telas digitais de LCD de última geração já na sua versão standard. A aeronave possui painéis com piloto automático de quatro eixos (opcional) e homologação para single pilot IFR. Segundo Leonardo Fiuza, a TAM Aviação Executiva espera para um futuro próximo um mercado similar ao de 2012, com a ascensão constante dos últimos anos.

Existem cerca de 600 helicópteros Robinson voando no país, 36 deles são do modelo monoturbina R66

ROBINSON
De acordo com Gualter Pizzi, diretor comercial da Audi Helicópteros, representante das aeronaves com motor a pistão Robinson R22 e R44, além do monoturbina R66, o momento atual do mercado está um pouco menos acelerado em relação às vendas do ano passado. “Acredito que os empresários estão aguardando uma definição da situação da economia mundial”, afirma Pizzi. Ainda segundo ele, apesar de não manter o ritmo de três anos atrás, o mercado continua crescendo e o Brasil tem muito mercado a ser explorado. O país conta hoje com 600 helicópteros Robinson voando principalmente no mercado executivo, sendo 156 modelos R22, 408 modelos R44, e 36 modelos R66. Atualmente, um R22 custa US$ 350,000.00, um R44 sai por US$ 548,000.00 e um R66 tem preço médio de US$ 1,091,000.00. “As perspectivas para o R66 são excelentes. No Brasil, já foram vendidos mais de 100 aeronaves desse modelo”, completa Pizzi.

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Quase 100 aeronaves S-76 cumprem voos offshore nas plataformas de petróleo brasileiras

SIKORSKY
Na área dos helicópteros para missões óleo e gás, a liderança absoluta no Brasil é da norte-americana Sikorsky, com seus modelos S-76 e S-92, representados no Brasil pela Powerpack. De acordo com a empresa, hoje operam 120 helicópteros Sikorsky no país, sendo cinco S-76 no mercado executivo, 97 modelos S-76 em operações offshore e, até o final de dezembro, serão 18 helicópteros S-92 voando para as plataformas oceânicas da Petrobras. O S-76, helicóptero que hoje já está na versão S-76C++, é famoso entre as aeronaves que operam offshore no Brasil. Ele voa em mais de 40 países de cinco continentes, desempenhando as mais variadas missões em todas as condições atmosféricas encontradas ao redor do mundo. Essa aeronave logo será superada pelo S-76D, que terá melhoras de potência e performance, graças às pás do rotor principal construídas totalmente de materiais compostos e otimizadas pelos dois motores Pratt&Whitney Canada PW201S com duplos controles Fadec. O seu rotor de cauda permitirá reduzir a assinatura de ruído externo, melhorando a sua aceitação nas comunidades onde opera, segundo o fabricante. O S-92 tem sido a grande revelação para o mercado offshore, principalmente desde que começaram as operações no pré-sal, que impõem distâncias maiores. Em missões de linha aérea, o S-92 pode transportar até 19 passageiros e possui o silêncio de um avião comercial, com potência e alcance que permitem voos de até 800 km (430 nm) com carga máxima.

CENTROS DE SERVIÇOS

HELIPARK
Com área total de 116.000 m² e 45.000 m² de área construída, o Helipark, criado há mais de 10 anos, é considerado o maior centro de serviços especializados para helicópteros da América Latina, e referência mundial na manutenção e customização de aeronaves. Certificado para atender aeronaves AgustaWestland, Bell, Eurocopter e Robinson, além de motores, o centro oferece hangaragem, abastecimento, manutenção, pintura, tapeçaria e táxi aéreo, além de serviços como a blindagem, a colocação de para-brisas à prova de pássaros (Helibú) e até reparo de pás de rotores. A empresa faz manutenção em mais de 200 helicópteros e já não tem mais espaço para hangaragem, pois hoje acomoda pelo menos 60 aeronaves nos seus hangares. De acordo com Elson Sterque, diretor de operações do Helipark, a empresa tem crescido 7% a 10% ao ano com perspectiva de continuar assim. Atualmente, o Helipark possui cerca de 10.000 m² de hangares e foi aumentada a capacidade da oficina em 30% neste ano, com investimento também em máquinas e equipamentos. “O problema”, diz Sterque, “é que aqui estamos praticamente lotados. Estamos com todas as equipes trabalhando e os nossos mais 100 funcionários ocupados na manutenção de helicópteros”. Ele acredita que com esse crescimento, nos próximos cinco anos, a necessidade de manutenções dobrará. Por isso estamos procurando outras áreas para montar esse novo setor. O Helipark possui 9 spots de estacionamento e o heliponto de 25,7 por 25,7 metros é capaz de atender helicópteros de até 12 toneladas. “O heliponto está no mesmo nível do pátio de estacionamento, o que torna mais prática e segura a aproximação e pouso da aeronave e o desembarque de passageiros. Além disso, temos torre de controle com 360° de visibilidade, estação meteorológica, estação de telecomunicação e toda a infraestrutura necessária para a instalação de equipamentos para operações IFR”, diz Sterque.

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HBR
O HBR promete garantir um atendimento vertical na prestação de serviço de hangaragem e manutenção de helicópteros no país. Segundo César Parizotto, o grande problema enfrentado pelos donos de helicópteros é a indisponibilidade de peças e a falta de programação com serviços. “Queremos nos antecipar às necessidades dos clientes para manter a aeronave operacional sempre que seu dono precisar, oferecendo praticamente todos os serviços aqui”, diz Parizotto. “Teremos hangaragem, que prevê guarda, limpeza, movimentação e seguro das máquinas, a um preço médio de mercado, de 4 a 16 mil reais, conforme o helicóptero; uma oficina apta a fazer até o overhaul de componentes (revisão geral) dos principais modelos das cinco marcas mais presentes no país, AgustaWestland, Eurocopter, Robinson, Sikorsky e Bell, com três sistemas de pontes rolantes, box´s definidos numa área de 4 mil metros quadrados e um estoque bastante completo de peças; três cabines para evitar longas esperas para execução de trabalhos de pintura; serviço especializado de tapeçaria; e abastecimento de combustível”.

Pelo projeto do HBR, os pilotos terão sala de convivência VIP, com computadores, televisores e até um bar exclusivo, mesa de meteorologia, sala para descanso, espaço para leitura ou estudo, sauna e academia. Através de um grande vitral da sala VIP terão vista simultânea para o estacionamento com 160 vagas e para o pátio de aeronaves com 19 slots. Também contarão com um refeitório, compartilhado com os 250 funcionários do futuro empreendimento, capaz de fornecer 300 almoços em três turnos. “A expectativa é que possamos atender com conforto 30 a 40 pilotos flutuantes por dia”, diz Parizotto. Na parte operacional, o HBR, que funcionará 24 horas por dia e não fornecerá nem receberá empresas que prestam serviço de táxi aéreo, terá sala de rádio para orientar o fluxo de aeronaves e fornecer dados de intensidade e direção do vento e presença de aeronave no circuito. A coordenação, porém, será feita entre os pilotos.

Outra preocupação dos projetistas é ambiental. “Será um centro sustentável, com gestão de água e energia, que inclui reuso da chuva, tratamento do esgoto para regar plantas e aproveitamento da luz solar, equilíbrio entre ventilação e iluminação nas construções para evitar funcionamento demasiado de ar condicionado, centro de reciclagem de lixo, telhado verde, acessibilidade, com bicicletário e entrada exclusiva para pedestres ao lado do ponto de ônibus, e trabalho de integração com as comunidades vizinhas. Além disso, não usaremos gás para nada. O aquecimento da água será por biomassa e o fogão terá um sistema especial de indução para funcionar”.

HELICIDADE
O Helicidade é um complexo com completa infraestrutura para os usuários, pilotos e proprietários de helicópteros. “Atualmente temos como parceira na área de manutenção de aeronaves a empresa Copters Manutenção Aeronáutica, que tem no comando dois excelentes profissionais que foram da Helibras e Turbomeca e que estão desempenhando um ótimo trabalho junto aos clientes do Helicidade e também a clientes que não ficam hangarados aqui”, afirma Edson Pedroso e Silva Junior, gerente comercial da empresa. Limpeza especializada de aeronaves e abastecimento também são outros serviços oferecidos aos clientes por empresas parceiras do Helicidade. Pedroso acrescentou ainda: “Acreditamos que o mercado de asas rotativas deve continuar a crescer nos próximos cinco anos a uma taxa média de 10% ao ano. O bom momento econômico financeiro do Brasil chama atenção de investidores estrangeiros, o forte aporte de capital estrangeiro manterá a economia interna aquecida o que consolidará nossas previsões”. O momento para o Helicidade é de céu azul e boas condições meteorológicas na rota de voo. A empresa estuda a possibilidade de estender as suas operações para outras unidades, tanto em São Paulo como para outros estados do Brasil.

HELICENTRO
Fundado em 1994, o Helicentro é um fixed-based operator (FOB), uma empresa que fornece serviços aeronáuticos: manutenção de aeronaves (MD Helicopters, Eurocopter/Helibras, Bell e AgustaWestland), hangaragem, reabastecimento, serviços de embarque e desembarque, estacionamento de veículos, sala VIP e sala de pilotos. Embora o termo FBO tenha sido criado nos Estados Unidos e não seja oficialmente definido como um padrão, seu uso é cada vez mais comum no mercado de aviação internacional. “Antes do Helicentro, os operadores em São Paulo dispunham somente dos aeroportos de Congonhas e Campo de Marte, afirma Ricardo Zuccolo. “A idéia pioneira no Brasil de reunir todos os serviços exclusivos para helicópteros em um mesmo local fez com que nosso nome – a marca registrada Helicentro® — acabasse por se tornar praticamente sinônimo das atividades que a empresa desempenha”.


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