O Caça

Pequeno e letal combatente

O que faz do Gripen NG um dos mais versáteis caças da geração 4++ e as vantagens táticas e estratégicas que a FAB adquire com a integração de seus novos sistemas e armamentos

Por Edmundo Ubiratan e Santiago Oliver em 29 de Janeiro de 2014 às 00:00

O JAS-39 Gripen NG (Next Generation) é uma evolução da família Gripen que, mesmo contando com uma plataforma básica, apresenta um enorme salto tecnológico em comparação com as versões anteriores. As melhorias são tão abrangentes que fazem do Gripen NG uma aeronave praticamente nova, em um avanço similar ao que ocorreu com o F/A-18 Hornet e o Super Hornet ou o F-16C/D e o F-16E/F. Caça multiemprego de pequenas proporções, se comparado com seus similares Rafale, Su-35 e ­Typhoon, incorpora recursos NCW (­Network-Centric Warfare) já utilizados pelo Brasil, o que permite que toda a operação militar em que estiver engajado seja centralizada em uma complexa rede que permite ao piloto desempenhar todas as missões designadas com precisão. Uma das virtudes da aeronave, dentro do conceito NCW, é o fato de o avião radar E-99, projetado pela Embraer, contar com uma série de soluções desenvolvidas pela Saab. Além disso, toda a atual frota de Super Tucano A-29, Northrop F-5M e AMX A-1M foi desenvolvida para operar dentro do conceito de guerra centrada em rede, permitindo, assim, que as aeronaves de combate da FAB possam atuar em conjunto e de forma eficaz via datalink.

O projeto prevê a integração de um conjunto completo de sensores, com flexibilidade na integração de armas, o que permitirá a utilização de armamentos desenvolvidos por diversos fornecedores ao redor do mundo. Um dos destaques é a capacidade de disparar, ainda durante a fase de desenvolvimento, os mísseis R-Darter e A-Darter, desenvolvidos pela África do Sul, em parceria com o Brasil, assim como os MAA-1 Piranha, Derby, Amraam, Asraam, Meteor, Iris-T e Sidewinder, Python IV e Python V.

Ainda assim, a aeronave poderá receber novos sistemas de armas em desenvolvimento, já que o acordo com Brasil prevê não apenas acesso aos códigos-fonte, mas também alterações, conforme as necessidades. Tal capacidade permitirá que a Força Aérea opere uma vasta gama de armamentos. Qualquer sistema bélico deverá ser compatível com a plataforma NCW, assim como já ocorre com o A-Darter.

Mesmo sendo um caça geração 4++, o NG dispõe de uma série de avanços que o colocam um nível acima de seus congêneres e logo abaixo dos modelos de 5ª geração. Os requisitos para um caça ser considerado de 5ª geração são capacidade furtiva (stealth), dispor de redes para ambientação de combate, aviônica integrada aos sensores a bordo, fuselagens de alto desempenho, supercruise, integração com armamentos de 5ª geração e capacidade de multiemprego. Embora o Gripen NG não tenha capacidade stealth pura, seu design e os materiais compostos empregados na fuselagem reduziram significativamente sua assinatura nos espectros visível, infravermelho e eletromagnético (radar). Além disso, conta com sistemas de guerra eletrônica e de autoproteção similares aos de 5ª geração, incluindo um dos mais poderosos radares AESA (Active Electronically ­Scanned Array), o ES-05 Raven, que poderá ser produzido no Brasil. Em 2010, a fabricante Selex-Galileo e a brasileira Atmos Sistemas assinaram um memorando de entendimento para uma parceria na produção do aparelho. Outra característica interessante é que o ES-05 Raven pode ser instalado também no F-5 e no A-1.

Radar e agilidade

O ES-05 Raven é o único radar da categoria com uma placa oscilante móvel (swash plate). Basicamente, a antena do radar foi construída a partir de pequenos elementos que, unidos, formam uma antena. A vantagem é que cada um dos elementos pode ser controlado individualmente, permitindo ao sistema trabalhar simultaneamente em diversas funções e cobrindo ângulos de mais de 100°. Combinado aos sensores de busca e rastreamento Skyward-G IRST (Infra Red Search & Track), aos sistemas de comunicações via satélite e ao conjunto de guerra eletrônica, o Gripen NG garante uma elevada taxa de sobrevivência e probabilidade de vitória em qualquer tipo de cenário.

Uma virtude apontada por pilotos militares brasileiros no relatório da Aeronáutica é o layout e a ergonomia do cockpit, que combina uma suíte aviônica totalmente digital com grandes displays coloridos e informações exibidas de forma clara e nítida, com um controle HOTAS (Hands-On-Throttle-And-Stick) e capacete com visor acoplado HMDS (Helmet Mounted Display System). Outro destaque é a agilidade em ação. De acordo com especialistas, atualmente o Gripen é um dos caças mais ágeis em combates dogfight, característica proporcionada pelo sistema triplex de controle de voo ­fly-by-wire, podendo enfrentar até os Su-35 russos.

Ao contrário das primeiras versões, a nova geração não utilizará mais o motor Volvo RM12, derivado do GE 404. O novo Gripen será impulsionado pelo GE F414G, um motor modular, com pós-combustão de baixa razão de diluição (bypass ratio) e eficiência no consumo de combustível. A taxa de empuxo anunciada pelo fabricante é superior a 98 kN (22.000 lbf), o que representa 20% mais empuxo do que o RM12, permitindo ao Gripen NG manter supercruise de Mach 1.2, mesmo com o arrasto aerodinâmico provocado por armamentos em seus cabides alares. O raio de ação, obtido graças aos grandes tanques de combustível na configuração CAP (Combat Air Patrol) permite um raio de combate de 1.300 km (700 nm), com mais 30 minutos sobre a área. Já o alcance de traslado é de aproximadamente 4.000 km (2.200 nm).

A história do Gripen

Em 1979, o governo sueco iniciou os estudos para o desenvolvimento de um avião multifunção, capaz de realizar missões de caça, ataque e reconhecimento, a fim de substituir as aeronaves Saab J-35 Draken (Dragão) e J-37 Viggen (Raio de Thor). O projeto desenvolvido pela Saab foi batizado de JAS-39 Gripen (Grifo, criatura mitológica com corpo de leão e asas e cabeça de águia, inimiga mortal do também fantástico Basilisco), voou pela primeira vez em 1988 e, após alguns incidentes, entrou em serviço na Flygvapnet, a Força Aérea Sueca, em 1997.

Com aviônica mais avançada e adaptações que lhes permitiam realizar missões mais longas, versões modernizadas começaram a entrar em serviço a partir de 2003. Em dezembro de 2013, havia 240 Gripen em serviço nas forças da República Tcheca, Hungria, África do Sul, Suécia e Tailândia. Até hoje, foram produzidas as seguintes versões:

JAS-39A: versão inicial de caça para a Força Aérea Sueca. Um programa de modernização foi iniciado modificando 31 desses aviões para o padrão C/D.

JAS-39B: versão biposto da variante “A”.

JAS-39C: versão do Gripen compatível com a OTAN, com melhor desempenho, maior carga útil e melhores armamento e aviônica, além de capacidade de reabastecimento em voo.

JAS-39D: versão biposto da variante “C”.

Gripen Demo: biposto demonstrador da tecnologia que deveria ser implantada no programa Gripen NG. As mudanças incluíam o novo motor turbofan General Electric F414G, radar SELEX Galileo Raven ES-05 AESA, maiores capacidade de combustível e carga útil.

Armamento em missão Air-to-Air

Saab JAS-39 Gripen NG

Fabricante Saab – Suécia e Brasil
Tipo Caça multimissão monoposto

Dimensões
Comprimento (sem pitot) 14,10 m
Envergadura (c/lançadores) 8,60 m
Altura 4,50 m

Pesos
Máximo de decolagem 16.500 kg
Combustível 7.000 kg
Carga útil 7.200 kg

Desempenho
Velocidade máxima Mach 2
Velocidade supercruzeiro Mach 1,2
Alcance de translado 4.000 km
Distância de pouso 500 m

Motorização
Quantidade e tipo 1 turbofan
Marca e modelo General Electric F414G
Empuxo 98 kN (22.000 lbf)

JAS-39E: versão de série monoposto do programa NG.

JAS-39F: versão biposto da variante “E”.

Sea Gripen: versão proposta do NG embarcado.

Gripen NG x Sukhoi Su-30MKV

Fontes: Sukhoi e Saab

Comparativo entre o novo interceptador da Saab comprado pela FAB e o mais poderoso caça sul-americano em operação

Embora o Brasil não tenha nenhum problema político ou ideológico com demais países da região, uma eventual ameaça provavelmente viria de um dos vizinhos. Daí a oportunidade de traçar um comparativo do poder do Gripen NG contra seu maior rival em termos tecnológicos na região, o Sukhoi Su-30MKV, da Venezuela, considerado o mais poderoso avião de caça sul-americano. Trata-se de uma contraposição que se restringe a dados referentes a alcance, raio de ação e poder bélico.

Alcance máximo e raio de ação

O comparativo entre o raio de ação do Sukhoi Su-30MKV e do Gripen NG é baseado nos dados fornecidos pelos fabricantes e leva em consideração o raio de combate real. O raio de ação leva em consideração a capacidade de uma aeronave de decolar com determinada carga de armamentos mais o combustível necessário para decolar, voar até o alvo, atacar e retornar à base, sem reabastecimento em voo. Um raio de ação de 1.000 km significa que a aeronave tem condições de atacar um alvo distante, no máximo, 500 km. O alcance máximo é baseado na distância máxima que uma aeronave pode voar entre a origem e o ponto aonde chegará apenas com o combustível a bordo. Tanto o raio de ação quanto o alcance máximo são baseados no nível do mar e em condição ISA, portanto, é um dado teórico, que pode variar significativamente em condições reais. O raio de ação fornecido pela Sukhoi é de 1.500 km, voando numa altitude de 17.300 m (56.000 pés), com 5.270 kg de combustível e armado com dois mísseis R-27R1 e dois mísseis R-73E. Com dois reabastecimentos em voo, chega a 8.000 km. Já o Gripen NG, segundo dados preliminares divulgados pela Saab, tem raio de ação de 1.300 km (mais 30 minutos on station) armado com quatro MRAMS e dois SRAMS e com tanque externo.


Especial Gripen NG FAB JAS-39 Gripen NG NCW geração 4++

Artigo publicado nesta revista

AERO Magazine 236 · Janeiro/2014 · Saab Gripen NG

Os bastidores da escolha do caça sueco o salto tecnológico da indústria brasileira O potencial do novo multimissão da FAB


Airbus, Nova Rival da Embraer

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