O dilema dos caças

Licitação para escolha dos novos aviões de combate para a FAB se arrasta há mais de uma década e meia enquanto modelos de quinta geração se tornam realidade

Ivan Plavetz | Fotos Divulgação em 26 de Fevereiro de 2013 às 08:07

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Dassault Rafale F3
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Saab Gripen NG
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Boeing F/A-18E/F Super Hornet

O ministro da Defesa, Celso Amorim, voltou a defender no início deste ano a compra de caças-bombardeiros para as Forças Armadas. Segundo ele, os aviões “são uma necessidade e deverão ser adquiridos” pelo Brasil. O prazo, porém, continua incerto. Nas palavras de Amorim, a data será definida pela presidente Dilma Rousseff no momento em que ela considerar oportuno. Até lá, prosseguem as especulações, que já dão conta até de um Projeto F-X3.

A história do programa se arrasta há mais de uma década e meia. Com o envelhecimento da frota de aviões supersônicos de combate Dassault Mirage III EBR/DBR, comprados para a FAB no dia 12 de maio de 1970, após apenas três anos de lançamento do programa e entregues a partir de outubro de 1972 para o primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), Esquadrão Jaguar, unidade de elite sediada na Base Aérea de Anápolis (GO), o governo brasileiro deu sinal verde em 1995 para o então Ministério da Aeronáutica empreender um processo de seleção de um modelo de avião que atendesse aos requisitos de substituição dos veteranos caças “delta”. A partir dali, iniciou-se uma batalha comercial, política e técnica. A doutrina sofreu ao longo do tempo importantes alterações e sugere hoje a existência de um dilema, cuja solução ainda não apresenta um esboço definido.

Iniciado sob a designação F-X-BR, o projeto envolveu a participação inicial de seis concorrentes na disputa de um contrato avaliado na ocasião em US$ 700 milhões. Interessaram-se pela possível encomenda as norte-americanas Boeing e Lockheed Martin ofertando o F/A-18C/D Hornet e o F-16 C/D Fighting Falcom Block 50/52, respectivamente; a francesa Dassault em parceria com a Embraer promovendo o Mirage 2000BR; as russas Sukhoi e RAC Mig competindo com o Su-27SK Flanker e o Mig29M Fulcrum, respectivamente; e a sueca Saab com o seu novo JAS 39 Gripen, este o único de quarta geração inscrito na licitação. Um coquetel de motivos, a começar pelo momento político interno e pela demora da conclusão das avaliações a cargo do Comando da Aeronáutica (Comaer), a decisão do F-X-BR acabou sendo postergada para 2003. Sob o argumento do novo governo assumido naquele ano pelo presidente Luíz Inácio Lula da Silva de que a compra de caças não era prioritária, o projeto foi mais uma vez adiado temporariamente, e cancelado em fevereiro de 2005.

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Sukhoi Su-35BM

30 ANOS PELA FRENTE
Entre as razões do cancelamento figuravam a necessidade de remodelação dos requisitos do projeto, notadamente com vistas a contemplar modelos de aviões de combate mais avançados do que aqueles que disputaram o finado F-X-BR. A FAB desejava um novo vetor com vida operacional de no mínimo 30 anos pela frente. Na Europa e nos Estados Unidos, caças de 4ª geração já estavam passando do status experimental para o operacional pleno, como por exemplo, o Dassault Rafale, o Eurofighter Typhoon e o Boeing F/A-18E/F Super Hornet. No caso norte-americano, despontava também no horizonte o Lockheed Martin F-35, relegando para segundo plano o aperfeiçoamento de novas versões do F-16. O Gripen da Saab seguia recebendo novos refinamentos tecnológicos. Do lado da Rússia, a Sukhoi já oferecia os Su-30MK (modelo oferecido para a FAB no lugar do Su-27 SK antes do final do F-X-BR) e preparava o impressionante Su-35BM Super Flanker. Da Rússia também emergia uma geração tecnologicamente mais avançada da família Fulcrum, destacando-se o multifuncioonal Mig 35. Ao mesmo tempo, a vizinha Venezuela e o Chile passaram a ocupar a vanguarda no campo da aviação de combate de primeira linha na América do Sul, encomendando lotes de Sukhoi Su-30MKV e F-16 C/D Block 50/52, respectivamente, fato considerado estrategicamente relevante no Brasil.

Sem a compra de novos caças para substituir os Mirage III, o último dos quais foi desativado em dezembro de 2005, o governo do Brasil adquire em junho do mesmo ano 12 caças “provisórios” Mirage 2000C/D, usados, oriundos do inventário da Armée de l’Air como parte de um acordo de cooperação assinado com o governo francês chefiado na ocasião por Jacques René Chirac. Os primeiros quatro exemplares chegaram ao país no dia 04 de setembro de 2006, ocasião na qual o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometia a retomada do programa de aquisição de “caças novos em folha” para a FAB.

Uma das perguntas mais ouvidas nos últimos tempos sobre o programa de compra de novos caças diz respeito ao “por que” da necessidade de reequipamento da frota de aviões de combate da FAB se o Brasil não tem inimigos. Para justificar essa necessidade, não há apenas uma resposta técnico-militar. Um dos argumentos mais usados pelos defensores do programa é o de manter razoável capacidade de dissuasão e mobilização diante de um mundo cada vez menor e sujeito a constantes mutações que surpreendem primeiro os mais despreparados. Eles também citam a crescente importância política e econômica do país, que pleiteia e precisa de apoio para ganhar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, posto ocupado somente por países militarmente desenvolvidos.

Em janeiro de 2008, o projeto foi ressuscitado e passou a ser designado F-X2. A nova contenda não contemplaria somente a substituição dos Mirage III do 1º GDA, mas, também, a renovação de toda a aviação de combate de primeira linha formada pelos Northrop F-5EM/FM, A-1 (AMX) e os recém-chegados Mirage 2000. Uma das novidades arquitetadas pelo governo brasileiro foi a introdução do quesito obrigatoriedade de transferência de tecnologias para a indústria brasileira por parte do vencedor da licitação. Mais tarde, essa premissa seria estendida para todos os contratos de compra militares de grande valor feitas pelo Brasil por força da Estratégia Nacional de Defesa (END), a qual passou a vigorar a partir de dezembro de 2008. A encomenda inicial fixada em 36 aeronaves, avaliada em mais de R$ 10 bilhões atualmente, poderá ser a princípio acompanhada de outras, estimando-se em torno de 90 unidades a quantidade final absorvida pela FAB.

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Eurofighter Typhoon

CAÇAS MAIS AVANÇADOS
Respondendo às requisições de informações (RFI) emitidas em junho de 2008 pelo Comaer chefiado pelo tenente brigadeiro-do-ar Juniti Saito, apresentaram-se como concorrentes as mesmas empresas que participaram do F-X-BR, com exceção do estreante consórcio Eurofighter e do não comparecimento da RAC-Mig, contudo, propondo modelos de caças mais avançados inseridos dentro de um escopo de fornecimento mais amplo e profundo, incluindo “offsets” (contrapartidas tecnológicas e comerciais). Boeing, Dassault, Eurofighter, Lockheed Martin, Saab e Sukhoi (representada pela Rosoboronexport) colocaram na mesa de negociações seus aviões de combate F/A-18E/F Super Hornet, Rafale F3, F-16 Adv (Advanced), Gripen NG e Su-35BM, respectivamente. Em novembro de 2008, um “shortlist” desclassificou as propostas do Eurofighter, Lockheed Martin e Sukhoi. Considerado um dos favoritos, a eliminação do Su-35BM causou polêmica sob alegações de que pressões políticas em favor do Super Hornet condicionaram a decisão do Comaer.

Eleitas como finalistas e atendendo à requisição de propostas (RFP) do Comaer, Boeing, Dassault e Saab entregaram em fevereiro de 2009 suas ofertas contendo detalhamento dos aspectos comerciais, técnicos, operacionais, logísticos, industriais, de compensação comercial (offset) e de transferência de tecnologia. Desde então, o Comaer e as finalistas mantiveram reuniões de esclarecimentos e revisões nas propostas de cada uma delas. Paralelamente, os concorrentes passaram a trabalhar para tirar do papel e transformar em realidade o conteúdo de suas ofertas. Além das promessas de participação de indústrias brasileiras na produção das aeronaves com compartilhamento de tecnologias, entre elas, a número um desse setor no Brasil, a Embraer, e a resultante capacitação dessas organizações em conformidade com a END, entidades de pesquisas e inovação brasileiras também foram convidadas a tomar parte do processo, visando promover e aprofundar atividades de cooperação de longo prazo em diversas áreas tecnológicas e comerciais.

BASTIDORES
A Boeing, por exemplo, a qual esta enfrentando o desafio de convencer o governo brasileiro de que os Estados Unidos irá transferir tecnologias sensíveis para o Brasil, assinou recentemente importantes acordos na área aeroespacial com a Embraer, bem como com a israelense Elbit Systems (controladora da brasileira AEL Sistemas) na área de avionica embarcada, fato que pode pontuar indiretamente a proposta da Boeing. A Dassault, amparada por acordos bilaterais de cooperação assinados entre os governos francês e brasileiro (os quais incluem a construção de cinco submarinos no Brasil, um deles nuclear) e pela instalação na Helibras de uma linha de produção de helicópteros militares EC 725, em Itajubá (MG), espera obter o mesmo sucesso na venda de seus Rafale, ofertando transferência de tecnologias de forma irrestrita e extensa plêiade de contrapartidas. A Saab com seu Gripen NG, o qual prossegue na competição com o trunfo de ter sido classificado em primeiro lugar na pontuação técnica atribuída pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) tanto no F-X-BR (variante C/D) quanto no F-X2 (NG), sustenta que a opção pelo avião de combate sueco é oportunidade única para que o Brasil participe, passo a passo, do desenvolvimento de um caça avançado, rendendo ganho de expertises em processos de certificação, produção e manutenção dessa classe de aeronaves. É oportuno destacar que o governo sueco decidiu investir no Gripen NG, fato que poderá ter reflexos no quesito custos e na velocidade de desenvolvimento do avião.

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O período compreendido entre fevereiro de 2009 e outubro do mesmo ano foi marcado por intensa movimentação nos bastidores do F-X2, registrando-se incontáveis visitas ao Brasil de autoridades governamentais dos países-sede das empresas competidoras, altos executivos destas últimas, reuniões de esclarecimentos e visitas de autoridades civis e militares, bem como de técnicos brasileiros aos fabricantes. Os últimos meses de 2009 estavam mergulhados em um clima de final do F-X2, pois 2010 seria um ano eleitoral e decisões desse tipo são politicamente desconfortáveis nesses períodos, quando um comunicado governamental Brasil/França divulgado por ocasião da visita do ex-presidente francês Nicolas Sarkosy ao país durante as comemorações de 07 de setembro sacudiu o até então estável andamento da competição. O comunicado dizia que o Brasil estava iniciando negociações com a França visando a compra do Rafale. Esclarecimentos posteriores oriundos da alta cúpula de Brasília acabaram por tranqüilizar os virtuais perdedores assegurando-lhes que nada estava decidido e que as propostas continuariam a ser analisadas. Apesar das negociações ocorridas em 2010, já estava claro que o governo do presidente Lula não iria anunciar o vencedor do F-X2 antes da votação para eleger seu sucessor.

Empossada em 2011, Dilma Rousseff anunciava o adiamento por tempo indeterminado da compra de novos caças para a FAB. O ministro Celso Amorim, responsável maior pela coordenação do processo seletivo, tem reiterado desde a sua posse, em agosto de 2011, que o reequipamento da aviação de caça da FAB é necessário, contudo, lembra que o momento econômico requer cautela e não é favorável para assumir esse tipo de compromisso.

REFORMULAÇÃO DOS REQUISITOS DO PROJETO F-X2 PODERIA CRIAR CONDIÇÕES PARA A ADMISSÃO DE NOVOS PLAYERS, COMO EUROFIGHTER E SUKHOI

Passados quatro anos do último shortlist, que definiu como finalistas Boeing, Dassault e Saab com seus caças Super Hornet, Rafale e Gripen NG, os sucessivos adiamentos trazem à tona novamente dúvidas sobre a sobrevivência do F-X2 na forma que hoje conhecemos. A tecnologia aeroespacial caminha a passos cada vez mais largos e a cada ano surgem soluções que tornam as anteriores obsoletas em um curto intervalo de tempo. Se um dos três modelos for escolhido até o final deste primeiro semestre de 2013, o contrato será assinado apenas um ano depois por força das negociações específicas. Caso se confirme a premissa de produzir as aeronaves no Brasil, cumprindo-se uma gradativa nacionalização do processo acompanhado de transferência de tecnologias, estima-se que os primeiros caças da FAB cheguem aos seus esquadrões no mínimo entre 2016 e 2017, se não houver mais paralisações do programa. Isso acontecerá ao mesmo tempo em que os Estados Unidos e mais 10 países amigos começarão a operar regularmente o avião de combate de 5ª geração Lockheed Martin Joint Strike Fighter (JSF) F-35 Lightning II. Aliás, a Lockheed Martin já expressou seu desejo de levar o Brasil para o grupo de nações envolvidas no programa JSF e os russos já formularam um convite com vistas à participação do Brasil no desenvolvimento do Sukhoi T-50 Pak Fa, projeto que já conta com parceria da Índia.

Em síntese, se um dos objetivos da END é elevar o poderio militar do país de acordo com o seu status no mundo e com base nos futuros desafios que já podem ser observados no horizonte e, ao mesmo tempo, reduzir ao máximo a defasagem tecnológica de seus equipamentos militares, esse aspecto precisa ser avaliado corretamente para que a obsolescência não chegue antes do previsto e exija gastos adicionais.

URGÊNCIA
Na hipótese de uma profunda reformulação dos requisitos do F-X2, essa ação poderá levar o programa a um retrocesso e para uma possível admissão e analise de novos “players”, alguns deles eliminados em 2008. Ao mesmo tempo, haverá a demanda de novas e urgentes medidas de compensação estratégica por parte do Comaer, considerando que os Mirage 2000 saem de cena em breve e os primeiros caças F-5EM/FM da FAB começarão a ser dasativados em 2017. A seguir, reunimos uma seleção com informações gerais sobre cada modelo de avião de combate atualmente concorrendo no F-X2 e sobre potenciais novos candidatos.

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SAAB GRIPEN NG
Em 27 de maio de 2008, decolou pela primeira vez o Saab JAS39 Gripen Demo, um exemplar biposto convertido para ser utilizado como plataforma de ensaios e de demonstração das tecnologias adotadas no futuro Gripen NG (Next Generation). A principal alteração introduzida no Demo foi o aumento de 40% na capacidade interna de combustível graças a mudanças feitas na secção estrutural que abriga o trem de aterrissagem principal. O novo motor General Electric/Volvo Aero Corporation F-414G controlado por FADEC proporciona um aumento de 25% no empuxo máximo com relação aos GE/Volvo RM12 das versões anteriores, bem como capacidade de voo super-cruise (velocidade supersônica de cruzeiro). A versão NG esta recebendo um cockpit muito semelhante ao atual, ou seja, totalmente digital e com controles de voo HOTAS (mãos no manche e no manete), entretanto, as melhorias planejadas o colocarão na categoria de 5ª geração, ampliando e assegurando uma melhor consciência situacional e uma menor carga de trabalho ao piloto.

O Gripen NG terá um novo radar multi-modo (possui funções ar-ar, ar-solo e ar-mar) pulso Doppler Selex-Galileo ES-05 Raven com tecnologia AESA (varredura eletrônica ativa), um sensor passivo IRST de última geração e um avançado sistema ativo e passivo de guerra eletrônica e contramedidas. Com as inovações introduzidas no Gripen NG, sua capacidade bélica será significativamente maior e seus usuários terão a opção de operar armas de varias procedências. A integração de um modelo específico de arma dependerá apenas de introdução do software correspondente e de sua condição de obtenção no mercado. A Saab planeja para o Gripen NG um programa de atualizações programadas de acordo com a evolução das tecnologias aplicadas nesse tipo de aeronave. Recentemente, o governo da Suécia decidiu investir no Gripen NG, iniciativa que alavancará o projeto e abrirá possibilidades que ele venha as ser encomendado pela Força Aérea do país (Flygvapnet). Gripens C suecos tomaram parte em março de 2011 da Operação Harmattan sobre a Líbia cumprindo mais de 650 surtidas.

DADOS TÉCNICOS
Envergadura (incluindo racks de mísseis) 8,4 m
Comprimento (excluindo tubo de pitot) 14,1 m
Altura 4.5 m
Peso vazio 7100 kg
Volume interno de combustível 4200 litros
Velocidade máxima estimada Mach 2
Peso máximo de decolagem 16000 kg
Carga útil máxima 6000 kg
Nº de pontos duros para fixação de carga externa 10
Motor GE/Volvo F414G
Empuxo máximo c/ pós combustão 9980 kg
Carga “g” máxima admitida 9 g
Teto de serviço 16.000 m
Alcance standard carregado 1.100 km
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DASSAULT RAFALE F3
A variante F3 do Dassault Rafale ofertada ao Brasil será equipada com o novo radar AESA Thales RBE2AA, o qual está entrando em serviço na Força Aérea da França. O complexo e avançado sistema de autoproteção Spectra, o novo OSF (optrônico de setor frontal), o DDMNG (Detector de Mísseis de Nova Geração), o capacete Topsight-E e o ergonômico e avançado cockpit digital do caça dominado por telas multifuncionais e por controles HOTAS fazem do Rafale uma aeronave de combate altamente versátil, ou “ominirole” como dizem os franceses. No campo de batalha, o Rafale pode levar além do canhão Giat DEFA de 30 mm uma diversificada combinação de armas, entre elas mísseis ar-ar MBDA MICA nas versões IR (infravermelho) e RF (radiofrequência), o novo míssil ar-ar BVR MBDA Meteor e as bombas modulares de precisão autopropulsadas Sagem AASM. O caça da Dassault foi selecionado recentemente como primeiro colocado na competição indiana MMRCA, que prevê a compra de 126 unidades. O Rafale já acumula muitas horas de voo em operações reais, sendo que as mais recentes aconteceram durante a Operação Harmattan. É valido lembrar que a Dassault forneceu o primeiro avião de combate supersônico da FAB, o Mirage III, e a também francesa Thomson-CSF montou a rede de radares dos atuais Cindactas para formar o primeiro sistema integrado de defesa aérea do Brasil. O único país usuário do Rafale no momento é a França, sendo que 180 unidades estão encomendadas para equipar os esquadrões de sua Força Aérea e Marinha.

DADOS TÉCNICOS
Envergadura 10,90m
Comprimento 15,30m
Altura 5,34m
Peso vazio equipado 9.670kg
Peso máximo de decolagem equipado 24.500kg
Carga máxima externa distribuída nos 14 (13 na versão M) pontos duros externos 9.500kg
Capacidade interna de combustível 5325 litros
Velocidade máxima em altitude Mach 2
Raio de ação em missão típica de defesa aérea (carregado com oito mísseis MICA, dois tanques externos de 2000 litros e dois tanques externos de 1250 litros) 1853 Km
Carga “g” máxima suportável +9g /-3.6g
Motores Snecma MM88-2E4
Empuxo máximo com pós-combustão 7539 kg (cada)

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BOEING F/A-18E/F SUPER HORNET
Aparentemente igual ao seu antecessor F/A-18 C/D Hornet, a Boeing incorporou no Super Hornet uma boa quantidade de conceitos de 4ª geração, entre eles inovações estruturais e sistemas de armas de última geração, o que o tornou praticamente outra aeronave. Além do cockpit digital dominado por mostradores AMLCD e os controle HOTAS optimizados, o piloto do Super Hornet poderá fazer uso do capacete JHMCS (Joint Helmet Mounted Cueing System). O principal sensor do caça é o radar multimodo Raytheon AN/ APG-79 de tecnologia AESA. O AN/APG-79 opera na função SAR (abertura sintética) e no RBM (mapeamento), tendo um alcance de 180 km e capacidade de rastrear e engajar alvos múltiplos (incluindo mísseis) e desempenhar funções de navegação e “jamming” (inteferência). Os multiplos sistemas defensivos são coordenados através do IDECM. O Super Hornet é 20% maior do que seu antecessor, pesa cerca de 3.000 kg a mais quando vazio e seu peso máximo de decolagem supera em 6.800 kg o de seu antecessor. A capacidade interna de combustível é 33% maior, o que significa um aumento de 41% em seu raio de ação.

O novo par dos confiáveis motores General Eletric GE 414-400 controlados por FADEC garantiu um acréscimo de 35% na potência máxima com pós-combustão em relação ao F-404 dos Hornets. Além do canhão de 20 mm GE M61 A1/A2 configurado com seis tubos giratórios, o Super Hornet é capaz de levar em seus 11 pontos duros 8.050 kg de uma variada combinação de armas e pods para que numa única surtida ele cumpra mais de um tipo de missão. Entre os concorrentes, o Super Hornet é o mais provado em combate, tendo participado de intensas atividades no Iraque e no Afeganistão. É interessante salientar que a Boeing apresentou recentemente a proposta de uma versão homóloga do seu F-15 SE (Silent Eagle), o qual possui caraterísticas de furtividade (stealth). Além da Marinha dos Estados Unidos, a Força Aérea da Austrália opera 24 Super Hornet, sendo que 12 deles serão transformados em EA-18G Growler.

DADOS TÉCNICOS
Comprimento 18,31 m

Envergadura 13,62 m
Altura 4,88 m
Peso vazio 13.864 kg
Peso máximo de decolagem 29.900 kg
Motores General Eletric F414-GE-400 turbofans
Empuxo máximo com pós-combustão 9.980 kg (cada)
Fator de carga máximo 7.6 g
Velocidade máxima a 12.190 metros de altitude Mach 1.8
Alcance (limpo com 2x mísseis AIM-9) 2.346 km
Raio de ação (interceptação) 722 km
Teto máximo de serviço 15.000 m

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SUKHOI SU-35BM
Descartado em 2008 do F-X2, o impressionante Su-35 Super Flanker deixou muitos simpatizantes de suas qualidades técnicas desapontados na ocasião. Capaz de alcançar, partindo da Base Aérea de Anápolis (GO), qualquer ponto do Brasil sem reabastecimento ar-ar (e dependendo desse ponto, retornar sem a necessidade dessa operação, considerando-se o tempo de permanência sobre ele) levando uma grande quantidade de uma variada gama de tipos de armamentos ar-ar e ar-superfície de geração avançada, o Su-35 BM tem chances de ser readmitido no processo seletivo da FAB caso haja profundas modificações nos seus requisitos e a representante russa Rosobonexport já esta de olho nisso. O Su-35BM, segundo o fabricante, pode ser adaptado para atender aos métodos de manutenção e de logística compatíveis com os padrões oferecidos por seus concorrentes mais próximos, afastando, a princípio, um fator que tem sido motivos de incertezas por parte dos analistas brasileiros. No combate ar- ar, além de portar uma variedade de mísseis de curto e longo alcances com capacidade de acertar alvos posicionados entre 10 e 400 km de distância voando entre o nível do mar e altitudes de até 30 mil metros, o Su-35BM é conhecido pela supermanobrabilidade. Para alcançar essa característica, os projetistas da Sukhoi dotaram os motores da aeronave com bocais de geometria varável permitindo vetoração de empuxo (TVC).

Considerada de geração “4,5”, sua eletrônica de missão está de acordo com a evolução da arena de combate moderna, destacando-se o potente radar multifuncional Tikhomirov NIIP Irbis-E, embora exista a possibilidade de adaptação do Phazotron NIIR ou Sokol III. Concebido dentro da tecnologia ESA (Electronically Scanned Array- varredura eletrônica), o Irbis-E pode acompanhar 30 alvos aéreos ao mesmo tempo enquanto busca continuamente outros. A grande potência do radar Ibis-E possibilita a detecção de um alvo aéreo de RCS (tamanho) de 3 m² entre 150 km e 400 km de distância, dependendo do quadrante em que objetivo se encontra com relação ao eixo longitudinal do Su-35BM. Em outubro de 2010, o Ministério da Defesa da Rússia encomendou 48 Su-35S (versão local do BM), cujas entregas terminarão em 2015, contudo, aparentemente, a produção do Super Flanker para a Força Aérea da Rússia se limitará a essa quantidade por força da priorização do T-50 PAK FA.

DADOS TÉCNICOS
Comprimento 21,90 m
Envergadura 15,30 m
Altura 5,90 metros
Capacidade de carga externa 8.000 kg
Peso máximo de decolagem 34.500 kg
Peso máximo de combustível transportado internamente 11.500 kg
Velocidade máxima a 11.000 metros de altitude Mach 2.25
Alcance máximo com combustível máximo interno ao nível do mar e a Mach 0.71 580 km
Alcance máximo com combustível máximo interno em altitude 3600 km
Teto máximo de serviço 18.000 metros
Carga de manobra “g” máxima suportável 9g
Motores Turbofan NPO Saturn AL-41F d
Empuxo com pós-combustão, com sistema de empuxo vetorado (TVC) “all-aspect” 14.500kg (cada)

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EUROFIGHTER TYPHOON
Eliminado do F-X2 juntamente com o Su-35 e o Lockheed Martin F-16 Adv, o Typhoon, se readmitido no processo, será o concorrente com a maior carteira de pedidos. Mais de 600 unidades foram encomendadas pelos países integrantes do consórcio Eurofighter (Alemanha, Itália, Inglaterra e Espanha) Áustria e Arábia Saudita. A semelhança do seu rival Rafale, o Typhoon foi projetado como um jato birreator delta-canard que voa segundo o conceito de instabilidade natural, sendo sua generosa manobrabilidade controlada por um sistema computadorizado fly-by-wire.

Dotado de capacidade para voo supercruise (Mach 1.5 sem pós combustão), o Typhoon pode transportar nos seus 13 pontos duros 7.500 kg de armas, combustível extra e pods (sistemas eletrônicos acondicionados no interior de uma estrutura aerodinâmica fixada nesses pontos duros). Entre os seus principais armamentos consta os mísseis ar-ar AIM-132 ASRAAM, AIM-120 AMRAAM, IRIS T e MBDA Meteor. Para ataques ar-superfície, o Typhoon é compatível com mísseis anti-radar AGM-88 HARM, de cruzeiro Storm Shadow e bombas inteligentes da família Paveway, entre outras. Uma característica inovadora do caça fica por conta Direct Voice Input (DVI), sistema de comando por voz que atua no controle de funções não críticas reduzindo a carga de trabalho do piloto. Os controles de voo seguem o conceito HOTAS. Começa a sair das linhas de montagem do grupo Eurofighter a variante Tranche 3, do qual 112 foram encomendados pelos quatro países do consórcio. O Typhoon Tranche 3 incorpora provisões para a integração de avançados sistemas, entre eles, o novo radar de tecnologia AESA E-SCAN no lugar do CAPTOR do Euroradar. Na folha de serviços do Typhoon consta participação na Operação Harmattan com a Real Força Aérea do Reino Unido (RAF) e uma intensa rotina de vigilância dos céus britânicos por ocasião dos jogos Olímpicos de Londres em julho último.

DADOS TÉCNICOS
Comprimento

15,96 m

Envergadura 10,95 m
Altura 5,28 m
Peso vazio 11.150 kg
Peso máximo de decolagem 23.500 kg
Motores Eurojet EJ200 turbofans
Empuxo máximo com pós-combustão 9.072 kg (cada)
Carga “g” máxima suportável +9 /-3
Velocidade máxima em altitude Mach 2.5
Raio de ação (configuração de defesa aérea) 1.389 Km
Teto máximo de serviço 16.765 metros

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Quando a FAB terá caças de quinta geração?
Dois modelos mais acessíveis ao Brasil são o Lockheed Martin F-35 e o Sukhoi T-50 PAK-FA

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Caças F-35 durante abastecimento simultâneo

O avião de combate de 5ª geração Lockheed Martin F-35 já esteve na lista dos possíveis candidatos ao F-X2. A própria Lockheed Martin, a qual participou do F-X-BR e do F-X2 com o seu bem sucedido caça F-16 Fighting Falcon, expressou desejo de levar o Brasil para o programa, contudo, seu elevado grau de sofisticação, custos envolvidos, restrições quanto ao repasse de tecnologias e dúvidas a respeito da sobrevivência do próprio projeto à época fez com que o interesse da FAB se concentrasse em soluções de 4ª geração, mais simples, imediatas e mais em conta.

Os russos, por sua vez, formularam em 2008 um convite com vistas à participação da engenharia brasileira no programa de desenvolvimento do caça de 5ª geração T-50 PAK-FA, projeto liderado pelo bureau russo de projetos Sukhoi, o mesmo que criou o Su-35 Super Flanker. A Índia confirmou recentemente sua parceria com a Rússia nesse projeto e a decisão de criar sua própria versão que entrará em serviço ao redor de 2022. Significativamente mais barato e simples do que o F-35, o PAK FA poderia tornar-se uma atraente fonte de aprendizado tecnológico para países (incluindo o Brasil) que desejam conquistar autonomia na produção de seus próprios aviões de combate de acordo com as futuras tendências desse setor, ou seja, furtividade, poder de combate sem antecedentes e versatilidade a ponto de que um único modelo de aeronave venha a substituir vários deles de geração anterior com inúmeras vantagens, incluindo menores custos de operação. O F-35 enquadra-se nessa filosofia, pois já foi demonstrado que sua entrada em serviço proporcionará uma elevada racionalização dos meios de combate aéreo das Forças Armadas dos Estados Unidos em múltiplos aspectos.

Se por um lado assumir um programa de aquisição com transferência de tecnologias envolvendo aviões de combate de 5ª geração para a FAB não passa de um conto de ficção para a maioria, para alguns essa possibilidade não parece tão distante. O programa do F-35, por exemplo, conta com a participação de 10 países e a previsão é para que mais de 5.500 unidades sejam produzidas até 2035. Em face da grande quantidade de parceiros e de exemplares a serem produzidos, a tendência natural é uma queda de custos e aumento de acessibilidade ao modelo. Paralelamente, o PAK-FA deverá começar a sair das linhas de montagem da Rússia ao redor de 2015, se tudo correr como planejado, ou seja, um ou dois anos antes da entrada em serviço na FAB dos novos caças de 4ª geração (ou 4,5). Se a opção pelo F-X2 prevê a compra de caças de 4ª geração que deverão operar por mais de 30 anos, seus substitutos, certamente de 5ª geração, começarão a chegar somente ao redor de 2045.

Para quebrar essa tradicional posição da FAB em estar uma ou duas gerações aquém em termos de aviação de combate de primeira linha com relação aos países desenvolvidos, e mais recentemente com relação aos demais países emergentes (Índia, China e África do Sul), algumas soluções vem sendo sugeridas. A principal delas seria comprar aviões de combate de 4ª geração de forma a garantir a superioridade aérea do país por 10 ou 15 anos e, ao mesmo tempo, participar com absorção de tecnologias sensíveis da cadeia industrial de produção (a Embraer desempenharia importante papel nesse processo) de uma aeronave de combate de 5ª geração que entraria em serviço na FAB entre 2020 e 2025. Isso resultaria em uma antecipação de aproximadamente 20 anos para que o Brasil entre na era do avião de combate de 5ª geração e, adicionalmente, adquira expertise que o leve o mais breve possível a alcançar a autossuficiência para desenvolver seus próprios caças.


Aviação Militar

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